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Eu, a robô e as ligações indesejáveis

Por Marcos Araújo

20/05/2021 às 07h05 - Atualizada 19/05/2021 às 18h14

Não sei se vocês perceberam, mas parece que durante a pandemia as ligações telefônicas indesejadas mais que triplicaram. Não estou falando de chamadas de conhecidos chatos, daqueles que você tem evitado mesmo ao longo desse isolamento, mas das operadoras que ligam o dia inteiro para oferecer serviços. Ultimamente, já recebi ofertas para ter “velocidade e estabilidade” ou só “velocidade”, para “poder voar na internet com a família”, para “deixar a alta velocidade entrar na minha casa”, para “falar ilimitado” com quem eu mais gosto. O que essas empresas têm que entender é que nossa paciência não é ilimitada!

E as ligações que não são para você? Outro dia me ligaram e era uma robô no outro lado da linha. Ela disse seu nome, mas agora não me lembro. Tinha uma voz bonita e me fez lembrar do filme “Her”, no qual Joaquin Phoenix é um escritor solitário e se apaixona pela voz de um programa de informática. Que coisa, né? Quando era criança, jamais imaginava que receberia a ligação de uma robô. Para mim, isso era coisa de desenho animado como “Os Jetsons” ou de cinema de ficção científica. Pois bem, na ligação, ela procurava por outra pessoa e disse: “Se você não for o Guilherme, digite x”. Eu digitei, mas, depois de um instante, ela me ligou de novo procurando o Guilherme. Desliguei o telefone, na certeza de que a telefonista não ficaria magoada, porque, até onde sei, robôs ainda não têm sentimentos.

É um tipo de importunação que está virando uma questão de calamidade pública. Fui pesquisar sobre a questão e descobri que um relatório organizado pelo aplicativo Truecaller, que consegue identificar e bloquear chamadas indesejadas, apontou que o Brasil é a nação com o maior número de ligações de spam pelo telefone. O país ocupa o infeliz primeiro lugar neste ranking desde 2018, quando ultrapassou a Índia. O estudo também mostra que a maior parte (48%) das ligações de spam feitas aqui pertence à categoria das chamadas de fraude, refletindo o aumento nas tentativas de golpe durante a pandemia. As instituições financeiras estão em segundo lugar, representando 42% dessas ligações com ofertas de cartões de crédito, seguros e empréstimos.

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É muita gente sofrendo com esse assédio das ligações abusivas. Eu tenho recebido, pelo menos, quatro ligações por dia. E o mais engraçado é que elas acontecem, justamente, no horário em que estou trabalhando. Impressionante, pois parece que lá, do outro lado da linha, eles, os responsáveis por essa tormenta, ficam nos monitorando, à espreita, e, no momento mais improvável para uma ligação dessas, ela acontece.

Segundo o Procon, para deixar de receber esse tipo de chamada, uma das maneiras é o consumidor acessar o site naomeperturbe.com.br e preencher o formulário de inscrição. A medida serve para evitar a oferta de produtos e serviços por meio de contato telefônico provenientes, exclusivamente, das prestadoras de serviços de telecomunicações, como telefone móvel, telefone fixo, TV por assinatura e internet, e pelas instituições financeiras que oferecem de empréstimo consignado a cartão de crédito. A expectativa é de que a suspensão dessas chamadas ocorra em até 30 dias, depois da data do cadastramento.

Ainda não tomei essa providência, mas estou pensando seriamente em adotá-la. Tudo seria muito mais fácil se, pelo menos, essas empresas compreendessem que, quando a gente deseja algum tipo de serviço, nós mesmos tomamos a iniciativa, isso ajudaria muito para diminuir essa perturbação. A robô que me desculpe, mas não adianta ter voz bonita sendo inconveniente!

Marcos Araújo

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