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Usar máscara é questão de cidadania!

Por Marcos Araújo

09/07/2020 às 07h00 - Atualizada 08/07/2020 às 21h56

Na última segunda-feira, tive que ir até uma farmácia. Era por volta das 20h. Estava um pouco frio, mas a lua cheia iluminava o céu como um convite a sair de casa. Aquele satélite natural da Terra me afrontava, pedindo para ser apreciado da rua, mesmo sabendo que a Terra gira sob quarentena. A necessidade de comprar um remédio e o suplício da lua justificaram minha saída, mas, claro, usando máscara e com frasco de álcool em gel no carro. Pois bem! No caminho para a botica, trafeguei pela Avenida Brasil e, para a minha surpresa, a “orla” do Rio Paraibuna estava lotada. Havia muitas pessoas fazendo caminhada, porém, a grande maioria sem o uso de máscara.

Dessa forma, fiquei pensando o quanto falta ainda para que nós, brasileiros, sejamos cidadãos de fato. Será que é tão difícil o entendimento da necessidade do bem comum, mesmo diante de uma pandemia, que já foi responsável por tirar a vida de milhares de pessoas no Brasil e no mundo? O uso da máscara é importante não só para a autoproteção, mas para a proteção dos outros, e essa é uma noção que todos devemos ter. Viver em sociedade é ter o entendimento de que é necessário seguir um conjunto de condições que tem o objetivo de nos levar a alcançar a plenitude.

Quando há falha nessa compreensão, esse pacto é quebrado, e a cidadania, uma ideia tão cara às sociedades em evolução, caminha para o brejo. E esse caminhar é um processo o qual o Brasil segue há anos e tem em muitos de nossos mandatários a figura que nos aponta o caminho. Quando assistimos a lideranças políticas divergindo acerca das melhores maneiras de enfrentamento à Covid-19, o que podemos esperar de parte da população, que insiste em ignorar todos os alertas e protocolos das autoridades sanitárias? “Nada é tão contagioso como o exemplo”. Não é assim que diz um dos memes repercutidos nas redes sociais nos últimos tempos?

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Se uma das maiores vozes que o Brasil tem no patamar de cima se coloca contrário ao isolamento e à utilização da máscara, uma parcela da sociedade se põe no direito de confrontar qualquer autoridade de saúde ou de desrespeitar qualquer medida de proteção.

No momento em que aqueles que estão no comando não enxergam o valor da cidadania e negam o que recomendam especialistas da área de saúde ao redor do planeta, todos os riscos apresentados pelo coronavírus são colocados em xeque. A expressão “bem comum” não sai da boca de políticos, mas o significado que dão para ela pode ficar muito abaixo do que realmente seria um bem coletivo. No plano individual, é como se cada um estivesse liberado para fazer o que bem entende, e o conceito de bem comum torna-se vazio.

O certo é que tanto a população mais vulnerável, que encontra mais dificuldade de ficar em isolamento, quanto aquela que pertence às classes média e alta têm problemas de entendimento do que seja a cidadania. Enquanto nação, temos ainda um longo percurso até atingirmos esse ideal. Ainda não temos valores que nos impelem a pensar nos outros nos detalhes mínimos do nosso cotidiano e, pelo jeito, não será esse vírus mortal que nos fará aprender essa lição!

Marcos Araújo

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