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Dormir com o animal de estimação pode não ser tão inofensivo quanto parece

Dormir com pets pode trazer riscos? Especialistas explicam cuidados para manter cães e gatos saudáveis e a convivência segura.


Por Leticia Florenco

16/07/2026 às 09h33

Dormir com o animal de estimação pode não ser tão inofensivo quanto parece
Dormir com animal de estimação - Reprodução/Unsplash/ Jamie Street

Dormir ao lado do cachorro, dividir a cama com o gato ou permitir que o animal circule livremente pela casa faz parte da rotina de milhões de famílias brasileiras.

A relação próxima entre humanos e pets se tornou cada vez mais comum, transformando cães e gatos em verdadeiros integrantes do ambiente familiar.

Apesar do vínculo afetivo, especialistas alertam que alguns cuidados são indispensáveis para evitar problemas de saúde.

O risco não está na presença do animal dentro de casa, mas principalmente na falta de acompanhamento veterinário, higiene adequada e prevenção contra doenças.

A convivência responsável, segundo profissionais da área da saúde, permite que pessoas e animais compartilhem espaços com segurança e aproveitem os benefícios dessa relação.

Pets não são uma ameaça quando recebem cuidados adequados

A ideia de que animais domésticos representam um perigo constante para os seres humanos é considerada equivocada por especialistas.

Cães e gatos saudáveis, vacinados e acompanhados regularmente por veterinários oferecem baixo risco de transmissão de doenças.

O alerta, porém, está relacionado às chamadas zoonoses, enfermidades que podem passar de animais para humanos.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), existem mais de 200 zoonoses conhecidas, e uma parcela significativa das doenças infecciosas humanas tem origem em agentes presentes em animais.

Isso não significa que os pets sejam os principais responsáveis pela transmissão.

A contaminação depende de diversos fatores, como contato com animais infectados, presença de parasitas, alimentos contaminados, água imprópria ou falta de cuidados básicos.

O risco depende mais da exposição do que da convivência

Especialistas destacam que o simples ato de ter um animal de estimação não representa, por si só, um risco elevado. O que determina a possibilidade de transmissão é a forma como ocorre o contato.

Um cachorro que recebe vacinas regularmente, passa por acompanhamento veterinário e tem controle contra pulgas e carrapatos apresenta uma realidade muito diferente de um animal sem cuidados preventivos.

A infectologista Dra. Rebeca Saad, do Centro de Estudos e Pesquisas Dr. João Amorim (CEJAM), explica que as zoonoses podem ocorrer por diferentes meios, incluindo fezes, urina, saliva, carrapatos, mosquitos, água contaminada e alimentos contaminados.

Dormir com o pet exige atenção à higiene

O hábito de deixar cães e gatos dormirem na cama dos tutores é cada vez mais comum, principalmente pela sensação de companhia e conforto emocional que os animais proporcionam.

Entretanto, alguns cuidados ajudam a reduzir possíveis riscos. Entre eles estão manter o animal limpo, cuidar da higiene das patas após passeios e evitar o contato próximo quando o pet apresenta sinais de doença.

A troca frequente de roupas de cama e a limpeza dos ambientes também são medidas recomendadas para manter uma convivência saudável.

Lambidas e contato próximo também precisam de equilíbrio

As lambidas dos cães costumam ser interpretadas pelos tutores como uma demonstração de carinho. Apesar disso, especialistas orientam evitar que o animal tenha contato com regiões como olhos, boca ou ferimentos abertos.

A boca dos animais possui diferentes tipos de bactérias e, em determinadas situações, elas podem causar infecções.

O cuidado não significa impedir a interação com o pet, mas adotar hábitos simples de higiene, como lavar as mãos após brincadeiras e evitar contatos que possam facilitar a entrada de microrganismos no organismo humano.

Caixa de areia dos gatos merece atenção especial

Entre os cuidados apontados por especialistas está a limpeza da caixa de areia dos gatos. As fezes podem conter parasitas capazes de causar doenças, principalmente quando a higienização não é realizada corretamente.

A recomendação é utilizar proteção durante a limpeza, lavar bem as mãos após o procedimento e manter o ambiente sempre higienizado.

Pessoas com maior vulnerabilidade, como gestantes ou indivíduos com imunidade reduzida, devem seguir orientações específicas de profissionais de saúde.

Zoonoses também fazem parte da realidade urbana

Outro equívoco comum é associar doenças transmitidas por animais apenas ao campo ou a regiões afastadas dos grandes centros. Na prática, diversas zoonoses também podem ocorrer em áreas urbanas.

Entre as doenças monitoradas no Brasil estão leptospirose, toxoplasmose, raiva, esporotricose, leishmaniose e enfermidades transmitidas por carrapatos.

A leptospirose, por exemplo, costuma estar relacionada ao contato com água contaminada pela urina de animais infectados, especialmente durante enchentes. Já a febre maculosa tem relação com a picada de carrapatos infectados.

Prevenção começa com cuidados simples

Para reduzir riscos, especialistas recomendam uma rotina de prevenção que inclui:

  • Vacinação dos animais em dia;
  • Consultas veterinárias periódicas;
  • Controle de pulgas, carrapatos e vermes;
  • Higiene adequada dos ambientes;
  • Cuidado ao recolher fezes;
  • Lavagem das mãos após contato com o animal;
  • Atenção a mudanças de comportamento ou sinais de doença.

Essas medidas ajudam a proteger tanto os animais quanto as pessoas que convivem com eles.

Saúde humana e animal estão conectadas

A prevenção de zoonoses está relacionada ao conceito de Saúde Única, uma abordagem que considera a ligação entre seres humanos, animais e meio ambiente.

Segundo especialistas, cuidar da saúde dos pets também é uma forma de proteger a saúde da família.

A vacinação, o acompanhamento veterinário e a responsabilidade dos tutores fazem parte de uma estratégia conjunta para evitar doenças.