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Especialistas apontam mudanças simples que ajudam a envelhecer melhor

Estudo revela que cinco hábitos simples podem retardar o declínio cognitivo e favorecer um envelhecimento saudável.


Por Leticia Florenco

15/07/2026 às 10h23

Especialistas apontam mudanças simples que ajudam a envelhecer melhor
Comforting hand supporting the old man

Uma pesquisa internacional realizada em 11 países da América Latina reforçou que mudanças simples no estilo de vida podem desempenhar papel importante na preservação da saúde do cérebro durante o envelhecimento.

O estudo, publicado na revista científica The Lancet, identificou que a combinação de cinco hábitos saudáveis foi capaz de retardar o declínio cognitivo em idosos com maior risco de desenvolver demência.

Batizado de Latam-FINGERS, o ensaio clínico acompanhou 1.065 pessoas com idades entre 60 e 77 anos durante dois anos.

Todos os participantes apresentavam fatores de risco para demência e desempenho cognitivo abaixo do esperado para a idade.

Segundo os pesquisadores, os idosos que participaram de um programa estruturado registraram melhora da função cognitiva 55% superior em comparação com aqueles que receberam apenas orientações gerais sobre saúde.

Programa reuniu cinco estratégias de prevenção

Os voluntários foram divididos em dois grupos. Enquanto um recebeu apenas recomendações sobre hábitos saudáveis, o outro participou de um programa multidisciplinar baseado em cinco pilares considerados fundamentais para a saúde cerebral.

A intervenção incluiu prática regular de atividade física, alimentação equilibrada, controle rigoroso dos fatores de risco cardiovasculares, treinamento cognitivo e atividades voltadas à socialização.

Ao término do estudo, ambos os grupos apresentaram evolução positiva, mas os pesquisadores observaram ganhos significativamente maiores entre aqueles que seguiram o programa completo.

Memória, atenção e raciocínio apresentaram melhora

Os resultados foram além da melhora da cognição global. O estudo identificou avanços em áreas fundamentais para a autonomia dos idosos, como memória episódica, atenção, planejamento, organização e tomada de decisões.

Essas capacidades fazem parte das chamadas funções executivas, responsáveis por atividades do cotidiano, como administrar compromissos, resolver problemas e manter a independência.

Para os especialistas, o desempenho reforça que diferentes aspectos da saúde cerebral podem ser preservados quando diversas medidas preventivas são adotadas simultaneamente.

Estratégia mostrou eficácia na realidade latino-americana

Um dos principais diferenciais da pesquisa foi adaptar um modelo de prevenção desenvolvido originalmente na Finlândia às condições dos países latino-americanos.

Os pesquisadores ajustaram as orientações alimentares e as atividades propostas conforme os hábitos culturais e a realidade socioeconômica de cada região.

No Brasil, por exemplo, as recomendações nutricionais levaram em consideração o consumo mais elevado de carnes e gorduras e a dificuldade de acesso a determinados alimentos.

A estratégia também apresentou elevada adesão entre os participantes, demonstrando que programas desse tipo podem ser aplicados mesmo em países de média renda.

Especialistas destacam importância da combinação dos hábitos

De acordo com os coordenadores da pesquisa, o principal resultado do estudo é mostrar que os benefícios surgem quando diferentes fatores de proteção são trabalhados ao mesmo tempo.

A demência costuma ser consequência da combinação de alterações neurológicas, doenças cardiovasculares e fatores relacionados ao envelhecimento.

Por isso, atuar apenas em um único aspecto pode não produzir o mesmo impacto observado com uma abordagem integrada.

A combinação entre exercícios físicos, alimentação saudável, controle da pressão arterial, diabetes e colesterol, estímulos cognitivos e interação social atua sobre diferentes mecanismos envolvidos no comprometimento das funções cerebrais.

Pesquisa reforça importância da prevenção

Embora os resultados não indiquem que seja possível impedir completamente o surgimento da demência, os pesquisadores afirmam que mudanças sustentadas no estilo de vida podem retardar o avanço do comprometimento cognitivo e contribuir para um envelhecimento mais saudável.

A prevenção ganha ainda mais relevância diante do envelhecimento acelerado da população latino-americana e do aumento previsto no número de pessoas com doenças neurodegenerativas nas próximas décadas.

Especialistas também alertam que muitos casos continuam sem diagnóstico, principalmente porque os primeiros sintomas costumam ser confundidos com alterações naturais da idade.

Próxima etapa será avaliar aplicação no sistema público de saúde

Após os resultados positivos, a equipe responsável pretende testar a estratégia em unidades de atenção primária para verificar sua viabilidade dentro dos sistemas públicos de saúde.

Os participantes continuarão sendo acompanhados pelos próximos quatro anos, permitindo aos pesquisadores avaliar se os hábitos adquiridos permanecem ao longo do tempo e se os benefícios observados durante o estudo continuam protegendo a função cognitiva.

A expectativa é que as evidências científicas contribuam para transformar programas de prevenção em políticas públicas capazes de reduzir o impacto da demência sobre a população idosa e melhorar a qualidade de vida durante o envelhecimento.