Animais vítimas das chuvas de fevereiro aguardam adoção responsável

Abrigos emergenciais foram desativados. Cães e gatos resgatados seguem para o Canil Municipal e lares temporários

Por Ana Paula Cappellano

Depois de dois meses de funcionamento, no fim de abril, os abrigos temporários organizados em Juiz de Fora pela Prefeitura (PJF), por meio da Secretaria do Bem-Estar Animal (Sebeal-JF), do Grupo de Resposta a Animais em Desastres (GRAD) e do Grupo de Resgate Animal de Belo Horizonte (GRABH) para receber cães e gatos resgatados durante as chuvas de fevereiro foram desmobilizados.

Os trabalhos desenvolvidos nesse período envolveram inúmeros profissionais, entre servidores da PJF, representantes do GRAD e voluntários. A população juiz-forana também se engajou e abriu suas casas como lares temporários para dezenas de animais encaminhados pela Sebeal. Com o fechamento dos espaços, os animais que ainda não foram adotados e os que aguardam o restabelecimento de seus tutores para retorno a seus núcleos seguiram para o Canil Municipal, caso de cães, ou permanecem em lares temporários.

Mobilização e lares temporários

A montagem dos abrigos emergenciais foi uma resposta eficaz na situação de calamidade, que não se confunde com os desafios já postos para o bem-estar animal no município, entre os quais, o abandono, os casos de maus-tratos, o manejo populacional, a lotação do Canil Municipal, dos abrigos e as dificuldades para a abertura de lares temporários. A mobilização imediata ao desastre precisa permanecer na cidade e ser direcionada ao acolhimento e à promoção de ações concretas voltadas à proteção real de uma população de animais em situação de vulnerabilidade que cresceu. Números relativos às atividades dos abrigos emergenciais montados pela iniciativa pública ilustram esse cenário.

No abrigo para cães que funcionou na  Praça CEU – Centro de Artes e Esportes Unificados, em Benfica, 125 animais vítimas das chuvas foram acolhidos, dos quais 55 foram adotados, 11 seguem disponíveis para adoção e sete aguardam os tutores. A Casa dos Gatos acolheu 80 gatos, registrou 11 adoções e tem 33 animais aguardando os tutores. Em lares temporários, são 92 cães e 36 gatos à espera de adoção. A Sebeal informou que foram construídas 26 baias novas para os cães no Canil Municipal. O valor de toda a operação dos espaços foi de pouco mais de R$ 580 mil.

 

Trabalho que segue

“O maior desafio foi garantir um manejo seguro e o menos estressante possível para cerca de 90 gatos que passaram pelo abrigo ao longo desse período. Diferentemente dos cães, os felinos são extremamente sensíveis a mudanças de ambiente, novos estímulos e convivência com outros animais desconhecidos”, explica a assessora da Secretaria do Bem-Estar Animal, Camila Santos, sobre a Casa dos Gatos. Ela avalia o trabalho estruturado pela Sebeal e o GRAD como cuidadoso para a adaptação e o bem-estar dos animais, incluindo a gatificação do ambiente para reduzir o estresse e proporcionar mais segurança. Segundo Camila, gatos com sinais clínicos ou doenças foram mantidos em isolamento adequado, seguindo os protocolos sanitários.

“Todo o manejo foi realizado com acompanhamento veterinário e atenção individualizada, sempre priorizando a saúde dos felinos”, pontua Camila, para quem o esforço coletivo durante as atividades mostrou a importância da união entre poder público, profissionais e sociedade civil em ações de proteção animal. “A mobilização da população de Juiz de Fora foi essencial nesse processo. A solidariedade demonstrada pelas pessoas que abriram suas casas para receber os felinos fez toda a diferença para garantir mais conforto, segurança e qualidade de vida aos animais durante esse período delicado”, avalia.

A médica veterinária da Sebeal, Roberta Krepp, atuou no atendimento aos animais acolhidos no abrigo temporário da Praça CEU e conta que o foco principal do trabalho com os cães foi garantir bem-estar, segurança e dignidade aos animais. Ela relata como eles chegavam ao abrigo, extremamente vulneráveis, muitos, assustados, desorientados e separados de suas famílias. “O maior desafio foi lidar com a parte emocional de toda a situação. Eram animais que perderam temporariamente suas casas, suas rotinas e, muitas vezes, estavam vivendo o sofrimento junto com suas famílias”, descreve.

Na continuidade do trabalho com os cães que não foram adotados ou aguardam os tutores, Roberta enfatiza que a atuação da Sebeal é fundamental para suporte estrutural, acompanhamento dos profissionais, cuidados veterinários e manejo. “O objetivo agora é garantir bem-estar, segurança e incentivar adoções responsáveis, para que cada um deles tenha a oportunidade de encontrar um lar seguro e definitivo”, conclui.

Ana Paula Cappellano

Ana Paula Cappellano

Ana é jornalista pela UFJF, mas foi em redações e agências na cidade de São Paulo que consolidou seu trabalho, desenvolvido ao longo de mais de 20 anos no campo editorial, em revistas e jornais das áreas de saúde, direitos sociais e humanos, e design de interiores. Na capital paulista, atuou como redatora, coordenadora e editora em títulos tão diversos quanto Decoração e Estilo Casa by Olga Krell e Jornal Ação (CRESS-SP). Hoje, de volta às terras mineiras, atua profissionalmente no setor de ensino livre e no mercado criativo, e é publisher da revista independente Vida, Bicho, Casa, sobre animais de estimação, estilo de vida, bem-estar, casa e variedades.

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