VÍDEO: Entenda o que são ‘cidades-irmãs’ e como Juiz de Fora formalizou parceria com cidade na China
Parceria com cidade chinesa marca primeira iniciativa oficial de cooperação internacional da Prefeitura de Juiz de Fora; especialista explica o que significa o acordo para o município

Juiz de Fora tornou-se cidade-irmã de Yueyang, na China, durante a recente visita de uma delegação da Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) ao país oriental, realizada entre 11 e 23 de outubro. A comitiva foi composta pela prefeita Margarida Salomão (PT), os vereadores Marlon Siqueira (MDB) e Letícia Delgado (PT), além de outros representantes da Administração municipal. O anúncio foi feito nessa segunda-feira (27), em coletiva de imprensa. Segundo a Prefeitura, o documento assinado entre os municípios formaliza intenções de intercâmbio e desenvolvimento mútuo, com apoio da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-China. É a primeira vez que Juiz de Fora firma um acordo oficial desse tipo.
As chamadas cidades-irmãs estabelecem compromissos de cooperação em áreas como economia, política, cultura, educação e esportes. Em nota enviada à Tribuna, o Executivo municipal informou que a formalização do acordo representa “uma oportunidade estratégica para o fortalecimento da economia local e para a inserção de Juiz de Fora no cenário internacional”.
“Essa cooperação pode impulsionar o intercâmbio de investimentos, tecnologia e conhecimento, favorecendo parcerias empresariais e oportunidades de comércio exterior, especialmente em setores como indústria, inovação, educação e esporte. Além disso, o vínculo contribui para a promoção do turismo, da cultura e da imagem de Juiz de Fora no cenário global, atraindo novos visitantes e investidores”, destacou, em nota, o Executivo municipal.
Durante a coletiva, a prefeita Margarida Salomão afirmou que o acordo representa o compromisso recíproco de estruturação entre os municípios, e que a expectativa da gestão, agora, é receber a delegação de Yueyang em maio de 2026, possivelmente no aniversário da cidade.
Cooperação e internacionalização
A Prefeitura reforça que a parceria está alinhada à meta de internacionalizar Juiz de Fora. “A parceria possibilita o acesso a programas internacionais e a projetos conjuntos voltados ao desenvolvimento sustentável e à modernização da gestão pública”, informou o Executivo.
Para entender o que essa relação pode significar na prática, a Tribuna ouviu o professor do curso de Geografia da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) Wagner Batella. Para ele, acordos como esse podem representar “um primeiro passo para inserir a cidade em circuitos globais de troca de conhecimento e atração de investimentos”.
Tentativa de internacionalização não é novidade

A estratégia de aproximar Juiz de Fora de outros países não é inédita. Durante o terceiro mandato do ex-prefeito Tarcísio Delgado (2001-2004), a administração também buscou posicionar o município em um contexto internacional. “Nessa época, fomos à Barcelona e Washington para capacitar o corpo técnico da Prefeitura e desenvolver planos de ações estratégicas para desenvolver a cidade”, explica o ex-secretário de Desenvolvimento Econômico à época, João Vítor Garcia.
João Vítor destaca que, para além dessas viagens, a gestão de Tarcísio participou ativamente de encontros cooperativistas com as merco cidades na tentativa de trazer investidores e formalizar acordos bilaterais.
No fim das contas, a tentativa de globalizar Juiz de Fora não é novidade. João Vítor defende que esse acordo deve ser visto com bons olhos. “Nós tentamos ‘colocar a cidade no mapa’ e atrair o olhar de possíveis investidores de fora. Acredito que pensar em Juiz de Fora pelo olhar internacional é muito válido. Olhe o caso da Mercedes. Cada cidade do entorno queria ter um pedaço desse investimento.”
No entanto, o ex-secretário alerta para a importância de montar um projeto político a longo prazo que mantenha viva essa parceria, sem que os possíveis ganhos com o acordo se percam na história. “Algumas dessas ações naufragaram. Os gestores não dão sequência aos projetos que vieram de administrações anteriores. É um problema crônico e Juiz de Fora não foge disso.”
*Estagiário sob supervisão da editora Carolina Leonel
Tópicos: economia / juiz de fora / prefeitura de juiz de fora









