Estudo busca abrir novas grutas para visitação no Parque Estadual do Ibitipoca

Novas práticas de manejo já foram adotadas nas grutas de Ibitipoca


Por Mariana Floriano

24/08/2024 às 06h00- Atualizada 24/08/2024 às 14h06

Para além das cachoeiras, trilhas e da vegetação típica, o Parque Estadual do Ibitipoca esconde belezas que nem sempre estão ao alcance dos visitantes. Por debaixo dos caminhos de cascalho, a formação geológica da unidade guarda dezenas de grutas – algumas delas que estão sendo descobertas agora.

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Parque Estadual do Ibitipoca tem mais de 80 grutas, mas apenas nove delas estão abertas para visitação (Foto: Leonardo Costa)

Atualmente, o parque conta com um projeto intitulado “Manejando o Patrimônio Espeleológico do Parque Estadual do Ibitipoca”, fruto de um edital que utiliza recursos da Vale, aplicados no Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e no Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Cavernas (ICMBio/Cecav). Só em 2024, foram realizados três cursos de capacitação para os funcionários do Instituto Estadual de Florestas (IEF) e para os contratados da Parquetur, concessionária que administra o uso público da unidade. Os cursos abordaram noções de espeleologia, espeleoturismo e espeleoresgate.

Conforme a gerente do parque, Clarice Silva, medidas práticas com relação ao manejo das cavernas já foram adotadas. Quem visita as cavernas da unidade de conservação já pode ver a indicação de um caminhamento pré definido dentro das grutas. “Com isso, estamos tendo áreas, tanto na “boca” das cavernas, quanto dentro delas, que estão voltando a ser conservadas e melhorando muito a qualidade ambiental desses espaços.” Antigamente, o caminho dos visitantes dentro das grutas era livre e isso fazia com que a vegetação nesses lugares não pudesse se desenvolver de forma plena.

Novas cavernas para visitação

O objetivo dos estudos, além de reconhecer novas cavidades, é avaliar a viabilidade delas na abertura para visitação. O projeto também recebeu Equipamentos de Proteção Individual (EPI) que foram distribuídos para os participantes dos cursos. O estudo das cavernas é apenas uma parte do projeto, que também conta com a instalação de uma estação meteorológica, realização de atividades pedagógicas, elaboração de materiais de divulgação e estudos arqueológicos.

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Cordas com caminhamento predefinido foram instaladas nas grutas como medida de conservação (Foto: Leonardo Costa)

Clarice afirma que o parque já tem mais de 80 cavernas conhecidas e só nove delas estão abertas para visitação. “Isso porque existem várias limitações, principalmente de segurança. Essa questão está sendo estudada com muito cuidado para a gente abrir novas possibilidades futuras.”

Formação única no mundo

O guia Gabriel Fortes, da Sauá Turismo, é um dos integrantes do projeto de estudo das cavernas e afirma que o Parque Estadual do Ibitipoca já é referência mundial no ramo da espeleologia. “São muitas cavidades reunidas em espaço reduzido. Isso faz dele (do parque) uma região muito especial em termos de cavidades em quartzito. Nenhum lugar no mundo tem essa abundância de cavidades em pouco espaço.”

De acordo com ele, a beleza típica das grutas de Ibitipoca ocorre devido à sua formação. A constituição em quartzito foi moldada por anos pelo intemperismo da água, o que dá aspecto e formato únicos que atraem turistas de todo o mundo. Sobre os cursos, Gabriel afirma que tem sido uma oportunidade para que os funcionários e guias possam melhorar sua capacitação em uma área de grande potencial turístico que são as grutas. “Como tem esse potencial gigantesco na espeleologia, é importante que nós tenhamos cada vez mais formação, mais argumentos e também uma condução mais segura, visto que algumas grutas exigem mais cuidado, tanto por sua sensibilidade, quanto pela questão de segurança ao visitante.”

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