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Quarta-feira de Cinzas marca aumento das vendas de peixes em JF

Mercados especializados relatam que o crescimento da procura dura por toda a Quaresma e fica ainda maior na Semana Santa; clientes mantêm tradição, e apontam alta de preços na pandemia


Por Betta Mazocoli, estagiária sob a supervisão do editor Bruno Kaehler

02/03/2022 às 14h36- Atualizada 02/03/2022 às 14h40

A Quarta-Feira de Cinzas (2) aumentou o movimento nas peixarias da cidade. O período marca o início da Quaresma, em que a tradição católica substitui a carne vermelha pelo pescado por motivos religiosos. A expectativa é que o crescimento das vendas siga por todo o período, se intensificando durante a Semana Santa, entre os dias 10 e 16 de abril.

Para Débora Helena Oliveira, gerente do Supermercado Granjamar Bellini, a alta na procura é perceptível desde o período da manhã, mas cresce realmente após meio-dia, quando os preparativos do almoço estão próximos. Ela conta que “o movimento geralmente começa a aumentar na Quarta-Feira de Cinzas, segue durante toda a Quaresma e fica ainda maior na Semana Santa”. Já Emerson da Silva, gerente do Mart Minas, explica que em anos anteriores o aumento no período chegou a ser de 110% em relação ao resto do ano. “O crescimento da procura nos anima nesse período, e o mercado traz ainda mais variedade para o público”, diz.

Para Débora, a projeção é vender ainda mais que em 2021, quando a crise econômica afetou as comercializações mesmo no período de alta. “Neste ano, esperamos vender bem mais, principalmente com a maioria das atividades voltando ao normal. Em 2021 o movimento foi mais devagar, mas ainda aconteceu uma diferença em relação ao resto do ano”, relata. O mesmo observa Emerson da Silva. Ele pontua que às 13h já enxerga uma alta de cerca de 70% em relação à última Quarta-Feira de Cinzas.

Débora revela que os peixes mais vendidos durante esse período são a sardinha, cavalinha e filé de merluza, mas que ainda não é possível estimar a porcentagem dessa alta devido a persistência do clima de instabilidade. No Supermercado Granjamar Bellini os preços dos peixes inteiros variam de R$ 18,90 até R$ 48,90, dependendo da espécie e se já é vendido limpo. Já no Mart Minas, o Merluza também é o mais procurado, e de acordo com Emerson, é possível encontrar opções ensacadas em que o quilo chega a R$ 8,96.

Para ambos, além do período ser propício para a venda, os peixes são ótimas opções para quem gosta de inovar na cozinha e para quem busca uma dieta mais saudável. Débora conta que a versatilidade na hora do preparo é algo que costuma atrair os clientes, já que é possível preparar peixes assados, fritos, cozidos e na panela de pressão. Emerson vai no mesmo caminho e ainda reitera que nos últimos anos os brasileiros têm dado preferência para carnes vermelhas, ovos e frango, mas que “o peixe é saúde, faz bem para todos”.

Vendas peixes foto Betta Mazocoli
Juiz-foranos ressaltam tradição, mas falam em alta dos preços na pandemia (Foto: Betta Mazocoli)

Clientes seguem tradição, mas chamam atenção para aumento dos preços

Maria do Céu Paiva Fernandes, 76, doméstica, é adepta da crença católica e compra tradicionalmente sardinhas e xerelete durante o período. Mais que uma prática individual, a compra vai para toda a família, que, como ela diz, “come peixe todas as quartas e sextas, durante toda a Quaresma. O que muda é apenas a receita, mas geralmente fazemos frito”. Ela esclarece que, apesar do consumo aumentar no período pelos motivos religiosos, tem preferência por essa carne durante todo o ano devido aos benefícios para a saúde.

Já Moacir Alves, 71, aposentado, compra peixes para a Quaresma inteira, para ele e sua mulher, seguindo à risca o regime de pescados. Ele é mineiro e a mulher é de Belém, e gostam de comprar sardinha, paraty e tilápia para aproveitar o período e fazer receitas típicas, como peixe frito com açaí. Para ele, no entanto, a alta dos preços está dificultando fazer as compras como sempre realizaram. “Vejo que o preço aumentou bastante neste período de pandemia, e na minha percepção quase acompanha a alta da carne”, destaca.

A manicure Maria Aparecida de Souza, 48, por sua vez, revela que geralmente não faz Quaresma, mas mantém o costume de comer peixe uma vez por semana já há anos. No momento, ela percebe o mesmo que Moacir. “Continuamos comprando e fazemos o possível para conciliar os preços, mas a alta faz diferença no bolso”, conclui.