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Outras ideias com Alex Martins Monteiro


Por Mauro Morais

29/01/2017 às 03h00

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Ao lado de outros três sócios, Alex comanda uma das maiores agências de influenciadores digitais do país (Foto: Olavo Prazeres)

“Cara, você tem coragem? Ator não faz isso!” Alex ouviu, sem constrangimentos, e retrucou: “Amigo, ator tem que sobreviver, vou fazer tudo para isso”. Alex e o amigo se referiam a interpretações fora do palco, nas ruas, e sem fins artísticos, mas comerciais. “Fiz muita coisa. Eu panfletava no Calçadão, vestido de personagem. Como sempre fui gordinho, panfletava como o Super Desconto. Lembra de uma campanha com os bonequinhos no sinal, dizendo para ter cuidado!? Fazia aquilo também!”, recorda-se Alex Martins Monteiro. “A arte está para sustentar também.”

Na corda bamba da cultura e do entretenimento, o ator encontrou os holofotes nos bastidores. E trabalha, dia a dia, com quem descobriu que arte é coisa íntima, que sai de casa e ganha o mundo. “Todo mundo fala que 2016 foi um ano ruim. Para nós foi o melhor da vida”, sorri Alex, que, ao lado de João Mendes, Sérgio e Marcelo Pitta, experientes empresários do ramo musical no Rio de Janeiro, comanda a Non Stop, uma das principais agências de influenciadores digitais do país, que nasceu e se mantém em Juiz de Fora, servindo a gigantes como o piauiense Whindersson Nunes, maior youtuber do país.

“Entramos para ser produtores de teatro, mas percebemos que existia uma lacuna. Ninguém sabia fazer publicidade, agendamento em programas de TV e outras coisas mais. Para quê a gente vai cuidar só de turnê se podemos cuidar do artista como um todo? Foi aí que a empresa deu um boom”, conta Alex, responsável, também, pela carreira de Felipe Neto, Rodrigo Teaser (cover brasileiro de Michael Jackson), Rezende Evil, Isaac do Vine, Luísa Sonza, Mussoumano, Tirulipa e Dani Russo, além de participar da gestão da trajetória de Isabela Freitas, Christian Figueiredo, T3ddy, Pyong Le e do site Parafernalha.

Somando os superlativos números de seus agenciados, Alex está diante de um universo digital com quase 50 milhões de inscrições e cerca de 6,5 bilhões de visualizações. Comparativamente, trata-se de 25% da população brasileira em número de inscrições e quantidade próxima da população mundial em visualizações. Seria o bastante não fosse uma recente fusão. “Atualmente, existem dois grandes grupos no mercado: Non Stop e Digital Stars, que tem a Kéfera e o Christian Figueiredo. Eles não sabiam fazer turnê e nós estávamos aprendendo a fazer publicidade. O que fizemos? Uma parceria com as duas empresas e nos tornamos um grupo só. Nos tornamos os maiores de fato.”

Visualizações

Não fossem o personagem do Super Desconto e outras experiências no palco, Alex não conheceria as coxias. “O trabalho de ator amador foi a gênese de tudo”, diz. “Aos 11 anos comecei a fazer oficina de teatro na Escola Normal, onde estudava. Dali fui para o grupo espírita Art Vida, onde fiquei dos 12 aos 17. O grupo ensinava de tudo. Tinha que aprender a mexer com som e luz. Teve uma época em que a gente fazia baile de formatura com o equipamento do grupo, para sustentar o teatro. Fui DJ nessa época. Foi lá que dei meu primeiro passo na arte”, recorda-se ele, que chegou a dividir uma apresentação com a hoje global Andréia Horta, que também começou na mesma companhia. Ao sair da trupe espírita, do diretor Guaraci Silveira, Alex mudou o foco, religioso e artístico: tornou-se evangélico e começou a fazer teatro na igreja. No lugar conheceu o ator Carlos Machado, com quem fez diversos cursos pelo país e com quem estreou como produtor, respondendo pelo espetáculo “Ser ou não ser”. “Comecei a tentar vender o espetáculo para várias cidades do Brasil, com muita dificuldade, porque eu não tinha o contato de ninguém. A peça não deu muito certo, mas chegamos a ir para o Nordeste”, lembra. A igreja? “Um pastor chegou para mim e disse: ‘Cara, vem cá, você está na igreja e está pecando. Desse jeito é melhor não estar na igreja’. Falei: É verdade! É melhor não estar! Saí da igreja, não posso falar que sou evangélico, mas tenho uma queda. Gosto do movimento.” A atuação? Graduou-se em geografia. Mas a artes cênica era uma paixão tamanha que acabou por dar aulas de teatro numa escola pública.

Compartilhamentos

Não fosse um espetáculo com percurso tímido, Alex não se tornaria um prestigiado produtor. Com outros dois sócios, abriu a empresa Efeitos & Eventos. “Fazíamos de festas de família a exposição agropecuária. Chegamos até a fazer a exposição de Rio das Flores, com grandes nomes”, conta. Percebendo a atuação de Alex, o humorista Gustavo Mendes, que dava os primeiros passos nacionalmente, convidou-lhe para ser seu empresário. “Não era minha praia, era produtor de eventos”, disse Alex. Um tempo se passou, e ele montou uma produtora própria. Numa viagem a Florianópolis, viu desconhecidos comentando sobre o humorista de Guarani. Valeria arriscar seis meses atuando na praia que não era a sua. “Comecei a marcar shows nos quais tínhamos que ir de carro, às vezes 1.200km. Precisava fazer a agenda dele e mostrar que tinha tudo para dar certo”, ri. E deu. Três meses depois de fechar contrato como empresário do artista, a Rede Globo chamou Gustavo para o “Casseta & Planeta”. Alex, no entanto, precisava entrar num competitivo mercado e para isso pediu ajuda a dois experientes profissionais: Ítalo Russo (empresário de Rafinha Bastos e outros sucessos do humor) e Geraldo Magela (de Pedro Bismarck). “Esses caras foram pais, abriram suas agendas, me indicaram. Magela me deu todos os contatos que tinha, e o Ítalo enviou e-mails me apresentando. Ali comecei a ser empresário”, emociona-se ele, que, na nova empreitada, teve consigo o irmão de Gustavo. “João é foda, um puta talento. Era vendedor de ‘prestobarbas’ em Guarani e veio trabalhar comigo, me ensinou muito. Acabou que nos tornamos sócios, unha e carne.” Rapidamente a agência de um artista só tornou-se casa de youtubers do peso de Felipe Neto e Whindersson Nunes.

Curtidas

Não fosse Alex, o universo dos influenciadores digitais seria outro. “Eles têm um trabalho diferente. E eu os entendo. Eles saem de dentro do quarto deles, não foram preparados. Explodiram dentro do quarto. E o medo de sair dali? Todos eles, ao falar de espetáculos pela primeira vez, questionavam se teriam público”, conta o empresário que tem a desejada senha do canal de Whindersson Nunes, conta comparável a um baú de ouro. “Quando ele chegou (na agência) tinha 1,5 milhão de inscritos, hoje tem 16 milhões. Tem muito de nosso trabalho aí”, orgulha-se, para logo acrescentar. “As pessoas acham que um empresário revela talentos, mas ele só potencializa um talento que já existe e tem repercussão.” E é só um fenômeno a força da internet? “Artisticamente, esses meninos vieram para ficar como os atores de TV lá atrás. O Whindersson tem dois filmes para lançar este ano. Eles vão passar, como tudo, mas vão continuar tendo público. Tom Cavalcanti não vende tanto ingresso como antigamente, mas tem sua carreira consolidada”, comenta Alex, pontuando como a própria rede revolucionou os processos. “Os influenciadores agora gravam, editam e veiculam. Não adianta colocar um roteirista ali”, diz, citando, mais uma vez, o piauiense com o canal de 16 milhões de inscritos, que ainda se mantém eufórico diante de vídeos que “bombam”. Alex, contudo, ressalta que não participa do faturamento dos canais. “O AdSense (serviço de publicidade oferecido pelo Google) é todo dos influenciadores. Ainda tenho uma vida modesta. Não sou aqueles empresários do show business”, ri ele, pai de um adolescente de 13 anos e casado há um ano. Onde mais lhe falta chegar, então, Alex? Com um sorriso constante, o menino nascido no Bairro Nossa Senhora Aparecida, hoje residente no Granbery, advogado formado em 2015 responde: “O único sonho que não realizei é o do direito. Talvez eu, um dia, pire o cabeção e largue tudo para estudar e ser juiz. A vida é que vai contar.”