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Com alma de ‘estreante’


Por Júlio Black - Repórter

22/11/2016 às 07h00- Atualizada 22/11/2016 às 09h03

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O SOL é o elemento principal nas telas, eventualmente acompanhado por figuras de animais

O nome de José Luiz Ribeiro sempre foi associado ao teatro em Juiz de Fora. Ator, diretor, dramaturgo, artista que atua em todas as posições dentro de seu ofício, ele mostra, a partir desta terça-feira, uma faceta pouco conhecida: a de artista plástico, com a abertura, às 20h30, da exposição “Solstício” no Forum da Cultura. Até 4 de dezembro, o público poderá conferir a série de sete obras em acrílica sobre tela, que tem o Sol como personagem principal, sob inspiração de um trecho de “Antígona”, de Sófocles, que se inicia com a afirmação “Numerosas são as maravilhas da natureza, mas de todas a maior é o homem!”

José Luiz diz que sua ligação com as artes plásticas vem desde a década de 60, quando chegou a participar de algumas coletivas. A decisão de retomar e exibir seu outro viés artístico veio no ano passado, quando foi cobrado a criar novas obras depois de presentear sua filha com uma tela. “O coro de ‘Antígona’ diz que o homem não pode voar, mas é capaz de aprisionar os pássaros, capturar os peixes. Além do Sol, as telas apresentam animais reais e míticos, como os dragões ou o touro mítico dos gregos, que representa Zeus quando se transforma no animal para conquistar uma mulher.” Quanto ao nome da série e da exposição, o artista diz que representa o momento em que o Sol parece pairar no ar, mantendo uma distância da Terra.

Para ele, os cenários que costuma criar para seus espetáculos têm muito a ver com o que se vê nas telas – a diferença seria, então, que ele criaria “um quadro muito grande.”

“A parte em que me sinto mais realizado não é quando escrevo a peça, naquele momento sou o jornalista. Quando faço a iluminação, eu pinto um quadro para um público maior, são elementos que levo das artes plásticas para a ‘pintura’ do espetáculo, em especial no palco italiano. A parte visual do espetáculo nasce das artes plásticas, há uma relação muito grande entre as duas.”

Entre o tribal e o individual

José Luiz Ribeiro comenta, ainda, sobre as diferenças que observa entre as duas formas de expressão artística. “O teatro põe o homem diante do homem e possui uma relação efêmera, pois essa relação termina quando o público vai embora. Cinquenta por cento da significação são dadas pelo espectador. Já o quadro tem uma característica estática, com interpretações das pessoas, mas ele é fixo, você mostra um determinado instante, uma forma de sentimento que deixamos na tela. O teatro é tribal, e as artes plásticas tratam do individual”, encerra José Luiz, acrescentando que não se imagina realizando uma segunda exibição. “Essa série vai ser única e indivisível (risos). Foi muito complicada de criar, a técnica tinha que ser muito apurada, com as linhas, as definições das cores. Talvez possa criar um trabalho mais abstrato, mas o teatro é muito ciumento, por ele eu abandonei quase tudo.”