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…E de um limão fez-se a limonada cultural


Por JÚLIO BLACK

21/10/2016 às 07h00- Atualizada 21/10/2016 às 10h15

Sexteto Graveola, de Belo Horizonte, faz show para promover seu mais recente álbum

Sexteto Graveola, de Belo Horizonte, faz show para promover seu mais recente álbum

Diz o ditado ancestral que duas cabeças pensam melhor que uma, e podemos acrescentar que de um limão é possível fazer uma limonada das boas. As duas sentenças populares podem ser boas metáforas para o festival A Melhor Gig de Domingo, que acontece neste domingo (claro) no Cultural: a partir da promoção do show de divulgação de um disco surgiu o projeto que pretende reunir no mesmo espaço e num horário diferente – as jovens tardes do domingo – expressões culturais diversas, entre elas música (com shows da banda Graveola, de Belo Horizonte, e Raí Freitas e U Banda), exposições, acrobacias, fanzines, design, marcenaria, papelaria, cinema, acessórios, moda, cultura japonesa, cerveja artesanal… É a promessa de uma limonada com muitos sabores, que inclui ainda a exibição de videoclipes de bandas locais e o lançamento da terceira edição da revista digital “Avenida Independência”, do coletivo de mesmo nome e que organiza o festival.

Quem conta como surgiu a ideia de extrair do fruto o sumo que virou evento é Zé Luis, integrante do Graveola, e Lara Linhalis, uma das organizadoras do festival e coordenadora geral do coletivo. A banda da capital mineira está divulgando seu mais recente trabalho, “Camaleão borboleta”, e procurou o Avenida Independência para produzir o show em terras juiz-foranas. Lara pensou, então, em ir além. “A gente teve nosso primeiro contato com o Graveola por meio do projeto ‘Música na faixa’, do qual o Zé Luis participou. Quando eles nos procuraram para a produção local do show, pensamos em aproveitar essas maravilhosas tardes de domingo na primavera, juntando uma série de atividades culturais para mostrar que o domingo não precisa ser um dia de tédio (risos). Mas vimos que só a música não daria conta, então diversificamos com a feirinha de produtos, exposições, venda de cerveja artesanal, o tecido acrobático… É aproveitar essa ideia de ‘gig’, palavra inglesa que trata de reunir músicos e artistas em geral em shows ao ar livre.”

“O ‘Avenida’ é uma dessas coisas que aparecem na vida e só temos que agradecer pela possibilidade do encontro”, afirma Zé Luis. “Quando procurei a Lara sobre a possibilidade de fazer o show na cidade, ela ficou animada, disposta a fazer dar certo. Foi deles a ideia de promover um evento ainda maior, e achei ótimo poder reunir afinidades que não passam apenas pela música. São pessoas de diversas áreas que pensam coisas parecidas, atividades integradas. Aqui em Belo Horizonte, costuma haver festivais com esse caráter, e é muito gostoso poder participar disso. Além do lançamento do CD, vai ser a celebração de pessoas, coletivos reunidos, defendendo causas comuns. A gente vê como atitudes como essa são fundamentais para fortalecer uma cena. É legal participar, mesmo sendo de fora, porque estamos no mesmo estado e gostamos muito da cidade.”

Quem vai tocar

Junto ao U Bandão, Raí Freitas apresenta seu caldeirão de ritmos

Junto ao U Bandão, Raí Freitas apresenta seu caldeirão de ritmos

Para o show no Cultural, o Graveola vai apresentar canções do seu mais recente trabalho, “Camaleão borboleta” (2016), além de músicas de álbuns anteriores com nova roupagem, mais ligada à sonoridade atual do sexteto. Zé Luiz fala com muito ânimo do mais recente disco, produzido por Chico Neves (Skank, Lenine e O Rappa) por meio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte, Lei Estadual de Incentivo à Cultura e do Natura Musical. “Aprendemos muito com ele, teve papel fundamental na estética desse disco por toda a forma de trabalhar o som. O Chico é um artista da produção, muito detalhista. Além de ter se tornado um grande amigo, os encontros eram muito afetivos, e gravávamos na casa dele.”

Além do Graveola, a outra atração musical do domingo é Raí Freitas & U Bandão. Morando em Juiz de Fora desde 2011, o cantor e compositor de Volta Redonda já tem no currículo o EP “O andarilho” (2014). Para o show, ele vai apresentar algumas canções do seu trabalho de estreia e outras ainda não gravadas, assim como as inéditas “Não fique triste” e “Vai além”. No palco, ele será acompanhando pelo U Bandão, de sua terra natal, que fornece a base sonora para o caldeirão musical em que entram ritmos como o rock, reggae, rap, baião, valsa e afins. Como convidados, os MCs locais RT Mallone e João Victor.

Para o artista, o horário em que se dará o evento já é um motivo a mais de ânimo para subir ao palco. “Durante a tarde estamos, todos mais propensos a absorver e expor as coisas. Fisiologicamente estamos mais atentos e, com algumas restrições, estamos sem sono (risos). As outras atrações acabam deixando de ser ‘outras’ e passam a compor o evento de uma forma muito especial. É um atrativo a mais, torna tudo mais aconchegante”, diz Raí, que já vem planejando a produção do seu primeiro álbum de longa duração.

Exposição e muito mais

Além da música, a galera do Avenida Independência preparou uma série de atividades para o domingão, espremendo a fruta cultural até a última gota. A Melhor Gig de Domingo terá exposição com os trabalhos dos artistas locais Ana Laura Pompe, Rodrigo Ferreira, Clara Downey e Washington Silva. O pessoal do Tear promoverá performances no tecido acrobático, e a cerveja artesanal da região marca presença com Brauhaus e Grizas. No audiovisual, serão exibidos videoclipes de bandas do Catálogo de Música Autoral de JF, com integrantes do coletivo colocando para rolar seus setlists entre um show e outro no Bailinho da Avenida.

E ainda tem mais, com a presença de vários produtores locais na feirinha: Pinóquio (estúdio de design e marcenaria), Fofuras de Algodão (itens de papelaria feitos à mão), 365 Filmes (produtos ligados ao cinema), Amandolá (acessórios), A Lada (vestuário), Choc’ Origami (dobraduras trançadas em fios de cera), Tré Design e Fotografia (quadros, almofadas, canecas de produção autoral), Res Store (ateliê de moda), Peregrina (roupas e acessórios), Gilberto Medeiros (acessórios), Geison Vargas (vinis) e As Garimpeiras (roupas e acessórios). Aí, sim, uma árvore com frutos para todos os gostos. “Temos carência de eventos culturais que ocorram em dias e horários diferentes do normal”, finaliza Lara Linhalis.

A MELHOR GIG

DE DOMINGO

Domingo, às 16h

Cultural

(Avenida Deusdedit Salgado 3.955)