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O amor a Deus e ao próximo

Por Dom Gil Antônio Moreira, Arcebispo metropolitano de Juiz de Fora

29/11/2020 às 06h58

O Mês Missionário neste ano de 2020, com seu lema “Eis-me aqui, envia-me” (Is 6,8), encerrou-se com a mensagem central da pregação de Jesus: a lei suprema do amor.

Procurado pelos fariseus que quiseram pô-Lo à prova, Lhe fizeram uma pergunta: qual é o maior dos mandamentos? (Mt 22, 36). Para representar o grupo, escolheram um doutor da lei, portanto, um perito em Sagrada Escritura para propor a questão, pronto para surpreender o jovem Jesus em algum deslize. Mas quem ficará surpreendido é mesmo o perito e todo o grupo dos intrigantes eternos de Cristo, os fariseus.

Ele responde com estas palavras: amarás o Senhor teu Deus de todo o coração, de toda a alma e de todo o teu entendimento. Este é maior e o primeiro mandamento. O segundo é semelhante a esse: amarás o teu próximo como a ti mesmo. Toda a lei e os profetas dependem destes dois mandamentos (Mt 22, 37-30).

Os judeus tinham muitos mandamentos. Um estudioso da Sagrada Escritura individualizou 613 mandamentos no Antigo Testamento, sendo 365 proibições e 248 preceitos positivos. Neste emaranhado de leis, certamente, haveria divergências em interpretar quais seriam os mais importantes. Porém o amor a Deus em primeiro lugar era indubitável. Ele constitui a Shemá, o versículo que todo judeu repetia, todos os dias, de manhã e de tarde: Escuta Israel: o Senhor é teu Deus… Jesus estava citando Deuteronômio 5,6, mas ajuntando outro mandamento escrito no livro do Levítico, 19,18: Amarás o teu próximo (…), demonstrando que, na realidade, não pode haver um privilégio de um em prejuízo do outro.

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É assim o amor que Deus criou. Ele nos criou para amar e ser amados. Criou-nos à Sua semelhança, pois o Pai também existe para amar e ser amado. O ser humano definido na escolástica medieval, baseado na filosofia aristotélica, como apenas um ‘animal racional’, na idade atual, inclusive na antropologia do Concílio Vaticano II, recebe uma definição mais ampla e mais calorosa: ele é um ser eminentemente relacional. Existe para amar e ser amado.

Daí podemos tirar a primeira conclusão: o mundo precisa se organizar sobre as bases da lei do amor. Hoje podemos verificar dois grandes grupos: o verticalismo de alguns e o horizontalismo de outros. Segundo o mandamento de Jesus, é impossível essa dicotomia, causando prejuízos antropológicos irreparáveis. Para Cristo, é impossível amar a Deus sem amar ao próximo, e nem é verdadeiro amor a atenção ao próximo sem o amor a Deus. Por isso São João vai dizer: quem diz que ama a Deus e não ama seu irmão é um mentiroso (I Jo 4, 20-21).
Na construção de um mundo novo, os cristãos, sobretudo, defenderão estes dois importantes elementos inseparáveis. Construir uma sociedade justa sem Deus é impossível. Fixar-se no verticalismo, pretendendo amá-Lo sem amar concretamente ao próximo, resultará num amor defeituoso, enganoso, uma vez que se distancia do próprio Criador. O caminho mais curto, mais certeiro, mais belo para amar a Deus passa pelo coração do irmão.

Mas o que é o amor ao próximo para Cristo? Há muitas respostas nos santos evangelhos, como a parábola do Bom Samaritano, os milagres em favor dos mais sofredores, o mandamento novo dado nas vésperas da sua morte, e a descrição do juízo final do capítulo 25 de São Mateus: tive fome e me destes de comer…

Eis aí o sentido exato da missão para qualquer missionário: o anúncio de Jesus Cristo, ícone do amor a Deus e ao próximo.

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