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Campanha imperfeita da CNBB

“Jamais a CNBB poderia ser conivente com um texto de Campanha da Fraternidade que apresenta princípios e tendências que contrariam a doutrina católica”

Por Luís Eugênio Sanábio e Souza, escritor

23/02/2021 às 07h00- Atualizada 23/02/2021 às 07h53

Em Juiz de Fora e em outras regiões do Brasil, a Campanha da Fraternidade 2021 da CNBB não será acolhida plenamente em razão de seu texto-base que contém princípios e insinuações que contrariam a doutrina da Igreja Católica. O arcebispo de Juiz de Fora, dom Gil Antônio Moreira, explicou isso e determinou que o texto não seja acolhido em nossa Arquidiocese.

De cinco em cinco anos, a CNBB realiza a Campanha da Fraternidade de forma ecumênica. O ecumenismo é positivo, porque busca promover e valorizar a unidade entre todos os cristãos, pois “muitos elementos de santificação e de verdade existem fora dos limites visíveis da Igreja Católica” (Concílio Vaticano II: LG nº 8). Mas, no processo ecumênico, pode surgir a tentação de um falso irenismo, que consiste em buscar a paz e a acomodação em detrimento das verdades objetivas de fé e de moral. É o que acontece quando se busca um ecumenismo sem critérios, deixando-se levar pelo relativismo religioso e moral, que acaba diluindo a verdade cristã. Neste sentido, o Concílio Vaticano II assim adverte: “Nada é tão alheio ao ecumenismo como aquele falso irenismo pelo qual a pureza da doutrina católica sofre detrimento e é obscurecido o seu sentido genuíno e certo” (Concílio Vaticano II: UR nº 11).

O texto-base da atual Campanha da Fraternidade foi elaborado pelo Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (Conic) e contou com a influência direta de uma mulher adepta de correntes morais não aceitas pela Igreja Católica nem por grande parte dos nossos irmãos evangélicos. O arcebispo dom Gil, por sua vez, afirmou que “a explicação da polêmica como apenas questões entre conservadores e liberais não parece séria. Há algo mais profundo na base da questão”.

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Aqui, pessoalmente, e sem querer desenvolver arbitrariamente o pensamento de dom Gil, eu penso que este “algo mais profundo na base da questão” diz respeito às ideologias relativistas e heréticas daquela linha da Teologia da Libertação que fora condenada pelo Magistério da Igreja Católica há 40 anos. Nesse sentido, concordo com a crítica feita por dom Adair José Guimaraes (Bispo de Formosa -GO). Dom Adair disse em homilia que “toda esta confusão com a Campanha da Fraternidade deve ser esquecida. Cristo basta. Aqueles que querem velejar contra a doutrina da Igreja não terão as suas empreitadas bem sucedidas. Quem está fora do rumo, quem não segue a Sagrada Escritura, a tradição do Magistério ordinário da Igreja, bate com a cabeça no muro, como tem batido a Teologia da Libertação que não tem dado frutos, mas que muita gente teima nisso e perde tempo porque não descobre a beleza do sagrado e de uma espiritualidade viva” (Trecho da homilia de Dom Adair).

Outros bispos criticaram publicamente o texto-base dessa campanha que tem provocado divisões. Pesa sobre a presidência da CNBB a responsabilidade de ser conivente com este desvio doutrinal. Jamais a CNBB poderia ser conivente com um texto de Campanha da Fraternidade que apresenta princípios e tendências que contrariam a doutrina católica. Nesse sentido, o Catecismo da Igreja Católica afirma que “o desejo de prestar serviço ou a amizade não justificam uma duplicidade da linguagem” (nº 2480).

Por fim, desejo recordar aqui as seguintes palavras de São João Paulo II: “Os pastores têm o dever de agir em conformidade com a sua missão apostólica, exigindo que seja sempre respeitado o direito dos fiéis de receberem a doutrina católica na sua pureza e integridade” (Encíclica Veritatis splendor nº 113). Esse direito foi violado no texto-base dessa campanha, e, por isso, as críticas são justas e não representam nenhuma intolerância injusta.

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