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Raul Seixas nunca foi de esquerda

Por Toninho Buda, engenheiro civil, professor de Educação Física, maratonista e autor dos livros "Raul Seixas - Uma Antologia", "O Trem das Sete" e "A Paixão Segundo Raul Seixas"

21/08/2019 às 07h02

Dia 21 de agosto de 2019 é aniversário de 30 anos da morte de Raul Seixas, apaixonado pelo rock’n’roll desde 1957. O ritmo era associado ao império americano e à ditadura militar. Queria ter nascido nos USA de Elvis, mas tocava para o povão, no Cinema Roma, em Salvador. As classes média e alta, intelectuais e universitários, iam ao Teatro Vila Velha para ouvir Caetano e Gilberto Gil tocando MPB, samba e bossa nova, ritmos da esquerda e do futuro PT.

Eles se reencontraram nos Festivais da Canção, e virou moda rotular artistas de fantoche do imperialismo. O Pasquim chamava Wilson Simonal de “negro arrogante dos militares” e fez coisa parecida com Elis Regina. Esse tipo de calúnia pode ter ajudado Raul, quando ele, Paulo Coelho e Adalgisa foram detidos em 1974. Somente o casal Coelho ficou preso (Paulo já pegara cana em 1969, por suposta ligação com Lamarca, e ela pertencera ao MR-8).

A proposta política de Raul era a Sociedade Alternativa, baseada no anarquismo de Proudhon e na Lei da Vontade, de Crowley. Sua ideia era viver sem o Estado e muito menos a ditadura de Stalin. Por isso, seu lema “Vote nulo, não sustente parasitas” irritava seu “inimigo íntimo” Paulo Coelho, mas os milicos entenderam “vote nulo, não sustente comunistas” e o liberaram. O subversivo Paulo odiava rock e só ficou feliz depois de se associar a Menescal.

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Agora, em 2019, tudo mudou, e todo mundo é do bem, sempre lutou pela democracia e adorava Raul. Caetano Veloso nega divergências em sua canção Rock’n’Raul. A força-tarefa petista nas escolas e nas redações luta para provar que ele era “o novo Che Guevara” e diz que o Manifesto Comunista inspirou sua música Dentadura Postiça (mas a letra diz que “a estrela vai cair do céu”). Da diretoria, só Paulo Coelho caiu fora do PT, três dias antes da prisão de Lula.

A esquerda sofisticou a fofoca com a ditadura do politicamente correto. Jesus não é mais o ópio do povo! Ele é gay, negro como São Marighella e guru dos coitadinhos. Mas quando o casal de lésbicas Rosana e Kacyla castrou, obrigou a se vestir de menina e depois assassinou um menino de 7 anos em Brasília, a sinistra calou-se! O crime provou que mulheres podem ser tão violentas quanto homens e que a nova esquerda é um travesti do marxismo.

Mas o Cowboy Fora Desta Lei fez o poema erótico Rock das Aranhas para a histeria dessas pombagiras: “Vem cá, mulé, deixa de manha, minha cobra quer comer sua aranha!”. E no seu testamento deixou as músicas best-seller para don Paulo e Rock’n’Roll para os baianos: “No teatro Vila Velha, velho conceito de moral, bosta nova pra universitário, gente fina, intelectual, oxalá, oxum, dendê, Oxóssi de nem-sei-o-quê”. Raul Seixas nunca foi de esquerda!

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