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‘Em fim’, carnaval!

Por José Eduardo Modesto, colaborador

15/03/2019 às 06h26

A revitalização do carnaval pelo Brasil, em especial no Rio de Janeiro, em Belo Horizonte, em Vitória e em São Paulo, não tem Juiz de Fora na mesma rota. Precursor, o Rio ainda investe no desfile principal da Sapucaí, hoje menos, e no carnaval de rua, hoje bem mais. Além disso, os cariocas cansaram de pegar as estradas e as praias da Região dos Lagos entupidas de gente.
São Paulo apostou na mesma trilha do Rio, com desfile sexta-feira e sábado, fugindo da concorrência com o desfile da Sapucaí, e com carnaval de rua em ascensão meteórica. Vitória antecipou o desfile em uma semana, para fugir da concorrência com as praias do Espírito Santo e o desfile do Rio, e está funcionando bem há anos. E BH, que também teve ascensão rápida, investiu pesado no carnaval de rua, com apoio decisivo do Poder Público e dos comerciantes locais.

E JF, que já tinha modelo próprio, ao contrário, foi perdendo a tradição de bons desfiles de escola de samba até acabar e também não tem mais os grandes bailes de clubes. Apesar do surgimento de novos blocos de rua, hoje temos um carnaval natimorto: morre no sábado no desfile da Banda Daki, quando deveria estar começando.

A origem da palavra “carnaval” tem muitas versões, entre elas as que querem dizer “abstinência de carne”, e outras como “carro naval”. A festa é uma versão pagã das festas da igreja católica, adaptada com o sincretismo imposto pelas tradições dos negros escravos e ex-escravos, sendo de iniciativa do cidadão comum. Essas festas foram sendo adaptadas de outras como Folias de Reis, Afoxés, Congados e de outras manifestações que originaram o que hoje é a maior festa popular do Brasil. Sua importância está nesse contexto e atrai gente do mundo inteiro para participar, especialmente no Rio.

No início do século passado, na então capital da República, o Rio de Janeiro, os já extintos Ranchos Carnavalescos foram sendo substituídos progressivamente pelas escolas de samba como conhecemos hoje. Juiz de Fora foi seguindo o mesmo modelo do Rio, muito pelas proximidades geográfica e cultural, daí nossa tradição no samba.

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Hoje, segundo estimativas, o incremento de retorno financeiro na arrecadação com o carnaval do Rio é de cerca de R$ 2,6 bilhões. Por esse motivo também, o Poder Público de lá tem é que investir mais no evento. Não é só o que se arrecada. É mais o que se deixa de gastar em outra cidade, onde se vai passar o feriado.

O carnaval é do povo e com ele deve permanecer, com a picardia e a irreverência de sempre, onde quase tudo deve ser permitido, dentro dos limites éticos, sem exageros evidentemente, o que vale também para o Poder Público. E quanto custa um bloco de carnaval? O Bloco do Beco, por exemplo, que este ano foi autossuficiente, custou pouco mais de R$ 10 mil. Não é muito.

Juiz de Fora já teve luz própria no carnaval e não precisa de modelo de ninguém. É só seguir seu próprio passado, com seu desfile de escolas de samba, que já foi considerado – e era – o segundo melhor do Brasil. E, é claro, ter carnaval de rua de sábado até terça-feira, em que cabe ao Poder Público seguir a regra do “3 S”: segurança, sanitários e supervisão, o que já é investimento, pois não existe nem “café grátis”. Como inovação para o desfile, pode-se trazer em um dia uma das belas escolas de Rio Novo e outra de Guarani para abrilhantar, como fez o Rio trazendo escolas de Nilópolis, Duque de Caxias e Niterói. A espontaneidade… pode deixar que o povo dará conta.

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