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Cuidar de quem cuida

“O cuidador, seja este profissional seja familiar, tem todo o direito de cansar, pedir apoio e acessar a sua rede, sendo imprescindível evitar o esgotamento emocional”


Por Greice Carvalho, psicóloga e Coordenadora do Núcleo de Apoio e Atendimento Psicopedagógico da Estácio

13/05/2021 às 07h00

Ao pensarmos na pessoa idosa, buscamos entender as questões de envelhecimento e as demandas que mudam com o passar do tempo. A progressiva ampliação dessa população é algo que traz muitos questionamentos e deixa dúbias as conceituações encontradas. A começar pela representação dos termos velho, velhice, terceira idade e os diferentes conceitos para cada membro da comunidade que vive ou discute esse público.

As nomenclaturas e o próprio entendimento de cada etapa da vida do ser humano não são estanques, mas, sim, perpassam por mudanças. A cada momento histórico que se percebe uma maior longevidade, tenta-se nomear as etapas da vida. Para tal se discutem as ideias de idade cronológica, biológica, psicológica e social.

Quase um quinto da população brasileira é composta por pessoas com 60 anos ou mais, conforme pesquisa recente do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

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Além disso, segundo a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), em 2050, essa população deve somar dois bilhões de pessoas. Portanto deixo aqui um alerta: como está sendo observado esse aumento de percentual de idosos? Em qual instância e quais estratégias estão sendo pensadas para que eles não sejam apenas números e haja um plano voltado às mudanças desse ciclo vital? E os envolvidos, como estão sendo tratados?

Nesse contexto, entre os profissionais que precisamos dar conta são os cuidadores. Aqueles que cuidam, muitas vezes, são pagos para tal, mas há parcelas de pessoas que não são remuneradas e que exercem essa função por 24 horas durante os sete dias na semana: os familiares. Será que estamos cuidando de quem cuida? O cuidador, seja este profissional, seja familiar, tem todo o direito de cansar, pedir apoio e acessar a sua rede, sendo imprescindível evitar o esgotamento emocional. Lembrar e permitir-se descansar, namorar, viajar ou praticar a atividade que gosta de fazer é muito importante para prosseguir e ter qualidade de vida para si e para com a pessoa idosa que ali se convive.

Esse é um dos fatores primordiais a serem discutidos nesse momento de aumento da longevidade. Cuidar de quem cuida é tema fundamental quando a pauta é envelhecimento.

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