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Uma luta secular

“Nos países em que as mulheres já têm acesso aos direitos básicos (…), a luta agora é por outros fatores que ainda lhes são negados ou tratados com descaso”

Por Gabrielle Silva do Carmo, graduanda em Jornalismo Estácio JF

12/01/2021 às 06h55

Ao longo dos séculos e em sociedades patriarcais, diversas mulheres pelo mundo se juntaram e lutaram em busca de mais direitos, como o de estudar, o de trabalhar e ao voto, conhecido como movimento sufragista. Muitas delas não puderam ver os efeitos de seus atos tomarem forma, mas, graças a elas, muitas de nós, hoje, podemos usufruir destes direitos sem preocupações.

Mas, apesar de tudo, essas questões não atingem toda a população feminina mundial. Alguns países, como os do Oriente Médio, continuam tendo culturas consideradas machistas, conservadoras e centradas na religião, onde as mulheres não podem trabalhar, estudar, assinar um documento sem permissão do marido, são vendidas e têm seus órgãos genitais mutilados.

Apesar da violência e da censura que presenciam, algumas dessas jovens são corajosas o suficiente para tentarem quebrar as barreiras impostas pela sociedade que tenta silenciá-las. A jovem paquistanesa Malala Yousafzai é uma referência quando se trata em luta pelo direito à educação.

Ela se tornou conhecida mundialmente após ser baleada em um atentado planejado pelo Talibã, enquanto voltava da escola em Swat, no Paquistão. A intenção era a de “calar” a jovem que expunha tudo o que o regime era contra: o interesse em dar às mulheres acesso aos estudos e falar sobre a repressão vivida ali. Em 2012, o mesmo ano em que a jovem foi vítima do ataque, os dados divulgados pela Organização das Nações Unidas (ONU) afirmavam que 75% das mulheres no país não frequentavam a escola.

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Muitos consideram a sua recuperação um milagre, e a única forma de se proteger foi a de deixar o país. Ela tinha 15 anos quando sofreu o ataque, mas desde os 11 já escrevia com um pseudônimo em “O Diário de uma menina paquistanesa”, publicado pela BBC, o que a fez ganhar notoriedade e ser procurada para entrevistas.

Em 2014, os seus esforços foram reconhecidos ao se tornar a pessoa mais jovem a receber um Nobel da Paz, e, aos 19 anos, foi escolhida pela ONU a mais jovem mensageira da paz. Em seu discurso, ela voltou a enfatizar a importância de construir um futuro melhor para as mulheres.

Nos países em que as mulheres já têm acesso aos direitos básicos, e que Malala procura para suas origens, a luta agora é por outros fatores que ainda lhes são negados ou tratados com descaso, como a proteção conta a violência doméstica, apoio em situações de assédio, estupro, equiparação salarial e o direito de abortar.

O caminho ainda é longo. Muitas vezes, pode ser doloroso, mas, olhando a realidade de cem anos atrás, será que elas imaginariam que chegariam tão longe? Grandes feitos foram realizados, e as mulheres alcançaram lugares onde, por muito tempo, apenas homens estiveram, e elas provaram que são tudo, menos o sexo frágil.

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