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O monstro do streaming

Se você, hoje, com seus quase 30 anos, foi daqueles jovens telespectadores assíduos que não perdiam as séries do momento nos gloriosos anos 2000, muito provavelmente tem alguma história para contar para a atual “geração Netflix”. A facilidade de encontrar a série desejada e conseguir assisti-la, sem nenhum grande problema depois de alguns cliques, como […]

Por João Vitor Nicolato Mendes Estudante de Jornalismo no Centro Universitário Estácio de Sá

11/08/2019 às 07h00

Se você, hoje, com seus quase 30 anos, foi daqueles jovens telespectadores assíduos que não perdiam as séries do momento nos gloriosos anos 2000, muito provavelmente tem alguma história para contar para a atual “geração Netflix”. A facilidade de encontrar a série desejada e conseguir assisti-la, sem nenhum grande problema depois de alguns cliques, como acontece nos dias de hoje, estava longe de sequer ser sonhada naquela realidade. Digo mais: se alguém, há dez anos, época em que Breaking Bad explodia e Lost já se preparava para dar seu adeus, te contasse as facilidades dos, hoje populares, serviços de streaming, você acreditaria se tratar de uma ficção científica muito distante da realidade.

Naquele tempo, então, o sofrido fã das séries americanas cortava um dobrado para conseguir terminar sua temporada. Valia de tudo. Se aventurar nos sites mais estranhos de uma internet que começava a se estabilizar, juntamente com o medo de acabar adquirindo um vírus onipotente; correr todos os dias até a locadora perto da sua casa para garantir que o novo DVD da sua série tivesse chegado e, o mais comum dos hábitos, se ater ao que a televisão lhes proporcionava. Todos juntos, no mesmo horário, assistindo àquele produto, aturando as mesmas propagandas comerciais de sempre.

Mas, como bem disse Steve Jobs, “a tecnologia move o mundo”. E moveu, pelo menos para o seleto grupo de aficionados pela ficção. De DVDs de fácil acesso, sites que – mesmo que piratas – proporcionam um rápido download dos episódios, acessibilidade para assistir on-line e sem consumir grande parte de sua internet, até serviços de streaming que alcançam números impressionantes de assinantes, o fanático por séries passou por várias etapas. Hoje, tudo é mais fácil e, principalmente, mais rápido. A jovem que passava a noite baixando um episódio da quinta temporada de Grey’s Anatomy, em 2008, hoje, vê sua filha levando segundos para carregar a 15ª temporada em seu computador.

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Entre tantas mudanças, algo acabou se perdendo. Aquela velha mania que já citamos anteriormente da boa e velha rede de televisão pouco existe nos dias de hoje. Ou simplesmente não existe, se comparada a como essa prática era comum na década passada. Famílias não se sentam mais no sofá no final do dia para acompanhar mais um capítulo de seja lá o que estivessem assistindo. O episódio de ontem já não é mais a pauta de conversas nas salas de aulas, nos consultórios dos dentistas, nem mesmo no ponto do ônibus. Existe a repercussão, claro, mas normalmente o assunto logo é cortado pelo amigo que foge dos chamados spoilers. Todos assistem no seu tempo. O que querem e quando querem.

Cabe a reflexão: quanto mais nos distanciamos das dificuldades, mais nos distanciamos também dos proveitos que tiramos delas, até mesmo em se tratando de lazer.

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