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A hora é agora

Por Paulo César de Oliveira, jornalista e diretor-geral da revista Viver Brasil e do jornal Tudo BH

11/06/2019 às 07h06

Talvez seja a hora, se já estivermos atrasados, de um freio na ansiedade e no populismo, a fim de definirmos o que realmente é importante e urgente para o país. Vivemos um momento em que tudo é urgente, desde a autorização para que se retire a cadeirinha da criança dos carros até a reforma da Previdência, a reforma tributária e um projeto anticrime. Não nos esqueçamos do projeto do armamento e também o que autoriza crédito suplementar para o Governo federal, sem o qual, segundo o presidente, faltarão recursos para pagamentos de benefícios a idosos e deficientes.
Não se pode negar que alguns são mesmo urgentes, mas é preciso definir uma escala de prioridades. O presidente parece ter pressa em cumprir algumas promessas de campanha. Em cinco meses de governo, já editou 157 decretos que tratam dos mais diferentes assuntos.

A pressa acaba em tumulto. É exatamente o que está ocorrendo. A base de Bolsonaro não se entende, e a oposição se aproveita da situação para segurar votações importantes, valorizando a discussão dos temas de menor importância como forma de desviar o foco do principal. Até aqui, tem dado resultado.

Os problemas se agravam com as desavenças entre governadores, prefeitos e parlamentares. Falta diálogo, falta fazer política. Governadores e prefeitos têm razão quando buscam manter na reforma as previdências de estados e municípios. Parlamentares, olhando pelo lado eleitoral, têm razão de não buscar conflitos com suas bases e, por isso, preferem jogar o problema para as Assembleias e Câmaras Municipais.

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Todos querem tirar castanha com a pata do gato. Essa é uma forma covarde de se fazer política. Alguém precisa assumir este desgaste de conversar diretamente com a população. Inclusive com a disposição de assumir que a reforma da Previdência é, sim, um caminho, não a solução para todos os nossos males.

O primeiro passo para isso? Focar no tema. Deixar os “mimimis” de lado. Antes de ter autorização para portar, de ser autorizado a cometer mais infrações de trânsito ou de tirar as cadeirinhas das crianças dos carros, o brasileiro precisa de emprego. E emprego só virá com o crescimento econômico. E o crescimento econômico só virá com reformas profundas, de difícil aprovação pelos interesses que envolvem…

 

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