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Quem paga a conta da inclusão?

Por Gabriel Pigozzo Tanus Cherp Martins, professor, tradutor e intérprete de Libras

10/10/2019 às 06h55- Atualizada 10/10/2019 às 07h22

Alguns anos atrás, não obedeci meu pai, como de costume em minha meninice, e encaminhei minha vida profissional para a docência. À época do vestibular, ele até ficou sem conversar comigo. Alegava alguns pormenores, que neste texto não irei destacar, em relação à vida de um professor. Pensava eu: “Nasci e cresci dentro de uma instituição de ensino, meus pais são professores, e ele quer que eu siga outro caminho? Impossível!”. Me tornei professor, com orgulho! E, com o passar dos anos, tradutor e intérprete de Libras, também com muito orgulho. E, hoje, orgulho do papai. As duas funções têm um ponto em comum: a educação. Mas que educação? A bancária? A tecnocrata? A humanista? A inclusiva? Que educação é esta? Confesso que não sei.

Não sei que educação, ou melhor, que sistema educacional vivenciamos. Não sei que relações são estabelecidas com o outro. Não sei o que esse outro representa para essa educação. Acredito (ou acreditava) que, a partir de meados da década de 1990, nosso paradigma educacional é inclusivo, certo? Ou estou errado? Mas o que é inclusão educacional ou educação inclusiva? É somente “colocar” o aluno com deficiência dentro de uma escola comum e pronto. Está feito. Incluí. Mas a educação inclusiva não é para todos? Mas que todos são esses? Quais são “os todos” que fazem parte de nossas escolas? Ou melhor, quais são “os todos” que nossas escolas querem que façam parte dela?

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Essas questões têm me incomodado muito. Não há como não pensar na quantidade de crianças marginalizadas durante esse processo de ensino-aprendizagem. Independentemente da escola, seja pública, seja privada, é necessário pensar na educação dessas crianças. Formamos apenas para ranquear? Ranquear alunos e instituições? Uma educação mercadológica? Uma educação baseada em resultados. Pensem, colegas, para um determinado aluno, um singelo “bom-dia” é o resultado que ele esperava. É o resultado que nós esperávamos.

Percebo, nesses poucos mais de 13 anos de profissão, que existem aqueles que acreditam e os que não acreditam nessa escola para todos.
Isso fica evidente em rodas de conversa, em reuniões de professores, em condutas, em métodos, práticas, avaliações, discursos e representações. Não podemos nos acomodar no discurso de “não estou preparado para trabalhar com a diversidade”. Para, né! Acorda, século XXI. A (in)formação a um clique, e você continua no discurso de falta de preparo. Eu também em minha graduação não tive oportunidade de ter contato com temas relacionados à diversidade (aos todos da educação), mas busquei conhecer e me (in)formar sobre quem são meus alunos, do que eles precisam, como aprendem, qual é a melhor maneira de ensiná-los, além de respeitá-los. Não fiquem presos a modismos, nem em uma zona confortável. Está na hora de mudarmos de postura, pois a maior barreira de acessibilidade é a atitudinal. E o colorido mais bonito da docência é a capacidade diária de se reinventar. Fica a dica!



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