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Logo colonizaremos Marte…

“Nosso instrumental tecnológico avançado, nossos laboratórios são nossos tacapes atuais. Com eles apenas tiramos lascas maiores do mundo manifestado”


Por José Ricardo Junqueira, jornalista, ex-secretário de Cultura e Turismo de Cataguases

05/05/2021 às 07h00- Atualizada 06/05/2021 às 14h46

O Universo é dual, e seu equilíbrio dá-se pela harmonia das diferenças. São como peças de um quebra-cabeça que se encaixam perfeitamente. Isso pode ser claramente percebido na natureza. É uma lei. Uma floresta, por exemplo, se mantém pelo equilíbrio imperturbável entre espécies diferentes, de fauna e flora. Assim é todo o ecossistema. O imperador romano Marco Aurélio, filósofo, diz em suas “Meditações” que “as coisas todas ligam-se entre si por um laço sagrado, e quase nenhuma é estranha à outra. Coordenadas, concorrem para a harmonia do mesmo mundo”.

Um outro exemplo particularmente belo nos é dado pela música, que soa pela combinação de notas diferentes. Se as notas fossem iguais, não haveria música. Ela dá-se exatamente pela justaposição, pela harmonia entre dessemelhantes notas. Tudo no Universo é assim. Yin e Yang.

Bem, quase tudo, excetuando-se o homem. A sociedade humana deveria ser como a música, como o ecossistema, obedecendo às justíssimas leis da natureza, mas não é assim. Os homens só podem se equilibrar pelo ideal humano, pelo bem, pelo belo e pelo justo, pelo que a natureza espera deles ontologicamente, mas isso não acontece. As diferenças se antagonizam, em vez de se harmonizarem. Quando se “harmonizam”, o fazem pela dominação, e temos então a sociedade de massa, monocórdia, amorfa, desalmada. A sufocação do indivíduo e a formação do estado imperfeito.

As relações humanas não são dadivosas, são de poder. Como já foi dito, onde houver dois homens, aí haverá relação de poder, portanto, de desequilíbrio e desarmonia.

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Nesse sentido, não evoluímos praticamente nada com relação aos nossos ancestrais das cavernas. Paradoxalmente, exploramos o Cosmos, planejamos viagens a Marte, à Lua, enquanto destruímos a Terra por não sabermos nos relacionar com ela, a não ser no mais reles utilitarismo. Isso não é só trágico, é imoral também. Logo colonizaremos Marte, logo o exploraremos até à exaustão e o destruiremos.

Nosso instrumental tecnológico avançado, nossos laboratórios são nossos tacapes atuais. Com eles apenas tiramos lascas maiores do mundo manifestado. Eles nos dão fatos, do mundo dos valores nada sabemos. Como disse Albert Einstein, há mais de 60 anos, nossa tecnologia superou nossa humanidade. Se ele visse hoje…

Por outro lado, é animador saber que Einstein, na sua busca de desvendar o Universo, seguia o método a priori intuitivo-dedutivo, que é o dos poetas, dos místicos e dos alquimistas, em vez do a posteriori empírico-analítico, que é o dos cientistas que negam o Uno e só aceitam o Verso e mantêm a visão newtoniana de que o mundo é uma grande máquina, e não um grande pensamento. O genial cientista dizia que os processos empírico-analíticos são necessários como preliminares, embora não sejam suficientes como solução definitiva.

Resta-nos perguntar: se o caminho do homem não é o do bem, do belo e do justo, até onde ele irá, qual será seu destino cósmico, como ele se encaixará no quebra-cabeça do Universo, que é puro valor?

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