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O custo do transporte público

“O momento requer sensatez, equilíbrio, quem sabe, mudança de postura e de rumo. O município licitou recentemente a prestação do serviço”

Por José Luiz Britto Bastos, Mestre em Engenharia de Transportes

03/03/2019 às 05h45

O desejo da sociedade é que o transporte público seja gratuito. E deveria ser mesmo. Só que o custo de transportar pessoas de um lado para o outro é muito caro; vejamos: veículos, combustíveis, pneus, lubrificantes, autopeças, manutenção mecânica, motoristas, cobradores, pessoal da área administrativa, salários, etc. Quem paga essa conta? Bem, no Brasil, a conta é paga por todos aqueles que pagam as passagens. Em alguns municípios, os governos subsidiam uma pequena parte das tarifas e, às vezes, desoneram as empresas do pagamento de alguns tributos, uma pequena ajuda para que o preço final não suba tanto.

Mas, nesse contexto, muita gente anda de ônibus à custa das pessoas que pagam passagens. São as denominadas gratuidades, que, em alguns casos, podem chegar a 30% do custo total das tarifas. No final, a conta tem que fechar, e o transportador, obviamente, tem que ser remunerado pelo que faz, mas, muitas vezes, as empresas não encontram meios para zerar essas contas.

No Brasil, estamos muito atrasados. Dunquerque, na França, Talin, na Estônia, Bucareste, na Romênia, Paris e outras 35 cidades francesas adotaram tarifas zero, mas como? Simples: o valor das tarifas foi incluído nos orçamentos das prefeituras!

Com essas medidas, a quantidade de pessoas transportadas duplicou, muita gente passou a deixar de lado o carro para usar o ônibus. Na Europa, as empresas, um pouco antes de aplicarem a tarifa zero, fizeram testes esporádicos nos fins de semana. A medida aumentou o volume de passageiros em 78%, e o comércio teve um fantástico aumento nas vendas.

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Enquanto isso, no Brasil, a cada aumento das tarifas, mais pessoas abandonam o ônibus para se deslocarem a pé aos seus destinos diários, ou seja, a cada ano, o IPK (índice de passageiros transportados por quilômetro) cai cada vez mais. Em Juiz de Fora, transportávamos 12 milhões de passageiros, hoje não transportamos oito milhões de pessoas, o que contribui acentuadamente para o aumento das tarifas. Quanto menos usuários transportados, maior será o preço da tarifa.

E assim tem sido. Empresas fazendo malabarismos para vencer a crise e atender as demandas pendulares diárias de milhões de pessoas que ainda usam o ônibus como principal modal de transporte.

Em JF, o transporte que vem sendo oferecido à população tem deixado a desejar. Veículos quase sempre lotados, irregularidade nos horários, ônibus imundos, barulhentos, peças se soltando, elevadores quebrados, enfim, manutenção perigosamente comprometida, etc. Além de tudo isso, nota-se um descompasso entre as empresas do consórcio e percebe-se insatisfação e falta de união entre os prestadores de um serviço, que, na verdade, embora concedido, seja de responsabilidade da municipalidade.

O momento requer sensatez, equilíbrio, quem sabe, mudança de postura e de rumo. O município licitou recentemente a prestação do serviço. Talvez valha a pena praticar, humildemente, um mea-culpa, capaz de corrigir erros que, no transporte coletivo, não podem ser cometidos em hipótese alguma!

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