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Primeiro turno

Com 11 candidaturas à Prefeitura de Juiz de Fora e mais de 500 postulantes a uma vaga na Câmara, a campanha de primeiro turno pode ter sido um forte fator de aglomeração

Por Tribuna

27/11/2020 às 07h00

Eleito no primeiro turno por uma expressiva maioria, o prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, ameaçou até prender os infratores das leis de combate à pandemia, numa postura que manteve até mesmo durante a campanha, a despeito dos possíveis desgastes. Agora, diz ele, ficou claro que o povo endossou suas decisões.

Se vai levar adiante é outra coisa, embora dele tudo se espere, mas fica claro que a preocupação com uma nova onda de Covid deve ser uma ação permanente dos governos e da sociedade, pois é ela, ao final das contas, quem pagará a conta. Em Juiz de Fora, o Comitê de Enfrentamento à Covid-19, tendo o prefeito Antônio Almas a palavra final, optou pelo recuo à onda amarela, o que lhe causou críticas de vários setores produtivos, já afogados ao curso do ano pela queda de receita. Os empresários apoiam as restrições, mas indicam que é preciso avaliar com profundidade as razões do novo avanço, pois não consideram ser os responsáveis diretos pelos números.

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Entre as discussões, há a hipótese de a reta final de campanha do primeiro turno ter sido um dos fatores. O argumento faz sentido pelas imagens produzidas nos últimos dias. As aglomerações se intensificaram, e o Calçadão da Rua Halfeld repetiu cenas de outras campanhas, quando todos para ele acorriam em busca do voto indeciso. A dúvida, porém, é saber se tais eventos, que de fato podem ter contribuído para as novas estatísticas, foram os únicos a causar aglomerações.

Em suas avaliações semanais, o comitê, certamente, tem levado em conta as curvas de contaminação. O próprio prefeito, em entrevista à Rádio CBN Juiz de Fora, na última terça-feira, admitiu que na reunião da semana que vem a matéria voltará à pauta, por conta da própria dinâmica do grupo, que, de 15 em 15 dias, põe em discussão as suas próprias decisões. Os números serão o vetor para avanço ou recuo da atual onda.

O Brasil e o mundo vivem um momento crítico com o recrudescimento da contaminação. A Alemanha prorrogou seu lockdown parcial, enquanto os ingleses também se assustam com os novos índices. Por sua vez, os Estados Unidos já avaliam reabrir os aeroportos para os turistas brasileiros, até então impedidos de ingressar em território americano, salvo aqueles que lá já têm algum tipo de atividade.
Embora as incertezas permaneçam, a única aposta é a vacina, por ser a forma mais eficaz para enfrentar a Covid. Aí, como já foi dito neste mesmo espaço, a discussão é outra. Como será a sua distribuição no país é a principal pergunta. Agora é esperar.



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