Só radares não bastam

Aumentar e modernizar a rede de radares das rodovias configura um avanço, mas é preciso investir também nas condições das estradas e na conscientização


Por Paulo Cesar Magella

26/05/2026 às 12h00

O Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER-MG) vai instalar, a partir de junho, 1.300 radares com leitura automática de placas em tempo real, que devem ampliar a capacidade de fiscalização nas rodovias mineiras. Os novos equipamentos vão monitorar a circulação de veículos de forma contínua, identificar veículos roubados ou clonados, cruzar informações e detectar padrões de comportamento fora do comum, como deslocamentos atípicos e circulação recorrente de veículos em comboios.

A notícia é boa, pois aumenta a segurança nas rodovias. Ainda de acordo com o DER, os dados coletados serão integrados e processados automaticamente, permitindo o cruzamento com bases já existentes e gerando alertas instantâneos. A fiscalização aumentará sua eficiência.

Na matéria do repórter Vinícius Soares, o diretor de Operação Viária do DER-MG, Rodrigo Santos Colares, destaca que a fiscalização terá condições de atuar de forma mais assertiva. A expectativa é de maior controle do tráfego, o que, automaticamente, levará à redução de riscos, à melhoria nas condições de circulação e, a médio prazo, a efeitos positivos até mesmo em custos associados, como o seguro veicular, que pode ser menor. O Governo também olha para seus próprios custos, uma vez que, se os equipamentos forem remunerados pelo tempo efetivo de operação e operarem de maneira adequada, não pagará pelo funcionamento.

A despeito do necessário e importante avanço tecnológico, a segurança nas estradas depende também das condições das pistas, o que ainda não é uma realidade. O departamento precisa aumentar seus investimentos na melhoria das rodovias de Minas, nas quais ocorre a maioria dos acidentes do país. No fim de semana, por exemplo, o choque entre uma carreta e um ônibus, na BR-251, em Santa Cruz de Salinas, no Norte de Minas, resultou na morte de oito pessoas.

As causas ainda não foram apuradas, o que dá margem para várias hipóteses – inclusive falha humana -, mas esse não é um caso isolado. Com exceção das rodovias privatizadas, que também têm seus problemas, as estradas federais e estaduais sob controle estatal não oferecem a necessária segurança para os usuários: pistas carecendo de correções, sinalização precária e até mesmo falta de radares para redução de velocidade formam um quadro preocupante.

Os acidentes também são fruto da imprudência humana, o que pode ser mitigado pelos novos equipamentos, que se afastam do modelo passivo dos atuais, que registram apenas a velocidade. O fato de verificarem outros componentes pode servir de alerta para os incautos, que agem sem qualquer preocupação com os riscos.

O mês de maio tem sido ponto de partida para campanhas de conscientização, mas elas devem ser permanentes, a fim de se buscar um mínimo de educação no trânsito. Tanto nas rodovias quanto nas áreas urbanas, a imprudência é recorrente, e os números falam por si. O Brasil é um dos países com o maior número de mortes no trânsito no mundo.