PJF reduz contratos e corta 135 postos terceirizados; número pode chegar a 241, diz sindicato
Trabalhadores atuavam na portaria de unidades de saúde e na limpeza de unidades educacionais
A Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) formalizou, nesta quinta-feira (30), a demissão de 135 trabalhadores terceirizados. Eles atuavam nos serviços de portaria de unidades de saúde e de limpeza em unidades educacionais do município.
As demissões ocorreram durante a prorrogação dos contratos vigentes, porém com supressão de postos de trabalho. No contrato dos serviços de portaria, firmado com a empresa TR2 Prestadora de Serviços, houve a supressão de 56 postos. O comunicado da Prefeitura aponta uma redução de 35,51%. Entretanto, considerando os 153 funcionários previstos no contrato original, a diminuição seria de aproximadamente 36%.
No contrato dos profissionais de limpeza, firmado com a empresa R.P.L Engenharia e Serviços, foram suprimidos 79 postos de trabalho, o que, conforme o comunicado da Prefeitura, representa uma redução de 20,24%. Considerando os 328 funcionários previstos no contrato original, porém, a diminuição seria de aproximadamente 24,1%. O contrato também passou por uma repactuação salarial, com efeito retroativo a janeiro de 2025.
Com as demissões previstas no primeiro contrato, a Prefeitura poupa R$ 3.612.277,68. O segundo contrato, por sua vez, ficou R$ 1.493.001,84 mais caro, apesar da redução no número de profissionais, em razão das repactuações salariais.
Sinteac prevê mais cortes de postos
O Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Prestação de Serviços (Sinteac) afirmou à Tribuna que as informações sobre as demissões circulavam desde a última segunda-feira (27). O sindicato foi comunicado oficialmente na quarta-feira (29), e as dispensas foram formalizadas nesta quinta.
Segundo o Sinteac, as demissões podem não se limitar a esses contratos. Ainda neste mês, outros 55 trabalhadores terceirizados da empresa Real JG Facilities teriam sido demitidos. Eles eram responsáveis pela limpeza do edifício-sede da Prefeitura e de algumas secretarias municipais.
Além disso, o sindicato informou à Tribuna que um novo contrato para os serviços de recepção nas unidades de saúde deverá entrar em vigor na próxima segunda-feira (3). O serviço era administrado pelo Instituto Ideas, cujo contrato venceu em 15 de julho. De caráter emergencial, o novo contrato reduziria de 198 para 147 o número de recepcionistas. Caso a mudança seja confirmada, o total de postos de trabalho extintos chegaria a 241.
O presidente do Sinteac, Sérgio Félix, afirma que acompanha com preocupação a situação dos trabalhadores e que pretende acionar o Ministério Público do Trabalho para intermediar o diálogo com o Executivo e tentar reverter a demissão em massa.
A reportagem solicitou um posicionamento à PJF e questionou os motivos das demissões, além de perguntar como os serviços serão mantidos sem prejuízos à qualidade e à eficiência. Também pediu esclarecimentos sobre as divergências entre os percentuais divulgados e os calculados com base nos contratos originais.
PJF informa revisão, mas não detalha outras medidas
Em nota, o Executivo informou que, “conforme tinha se comprometido com o Sinteac, está no momento realizando uma revisão profunda dos contratos referentes a força de trabalho terceirizada”. A revisão, segundo a PJF, “implica em garantir o mais perfeito cumprimento das condições de trabalho contratadas como também o seu dimensionamento”, finaliza o texto.
A Tribuna também buscou saber qual será a situação dos funcionários demitidos e tentou, reiteradas vezes, contato por telefone com a R.P.L e a Real JG, mas não obteve resposta das empresas. A reportagem também tentou contato com a TR2. Nas ligações, uma mensagem informa que o número está bloqueado. As mensagens enviadas por WhatsApp também não foram respondidas.
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