Solidariedade às vítimas

Lideranças políticas que se manifestaram em solidariedade às vítimas da tragédia em Juiz de Fora devem ir além, com projetos de seus mandatos que signifiquem recursos para obras


Por Paulo Cesar Magella

25/02/2026 às 06h00

  Nos seus 175 anos de emancipação, Juiz de Fora viveu poucos episódios climáticos de tamanha magnitude. De acordo com os institutos de meteorologia, na noite de segunda para terça-feira, foi registrada uma precipitação de 138,7mm, gerando um acumulado de 584 milímetros, em fevereiro, concentrado na área urbana. O Rio Paraibuna saiu do leito também em trechos inéditos ante o volume de água em suas cabeceiras. O lado mais trágico desses episódios são as mortes registradas na cidade. 

  Os números continuam sendo atualizados, mas é possível considerar que será preciso muito tempo para a volta da normalidade. Juiz de Fora é cercada por montanhas, e suas encostas tornaram-se instáveis ante o volume de chuvas. Até mesmo em regiões como o Morro do Cristo – que tem obras de contenção de longa data – foram registrados deslizamentos.

  Situada em um corredor de chuvas, que deve se prolongar até o fim de semana, a cidade, como parte da Região Sudeste, está sujeita aos efeitos diretos do aquecimento das águas do mar. As altas temperaturas e o oceano aquecido formam uma perversa combinação, que carece de extrema atenção. 

  São necessárias ações imediatas, de solidariedade às vítimas, como atendimento à população, e medidas voluntárias, como a doação de água mineral, alimentos e roupas para os flagelados. Outras se voltam para o futuro, já que será necessário um amplo trabalho de recuperação, que carece de profundos investimentos para a sua efetivação.

  Pelas redes sociais, a prefeita Margarida Salomão fez relatos permanentes sobre a situação, enquanto o presidente Lula, direto do Oriente Médio, e o governador Romeu Zema, que deve vir à cidade ainda esta semana, prestaram solidariedade. Diversas lideranças políticas também se manifestaram, mas é necessário ir além.

  Juiz de Fora, com cerca de 600 mil habitantes, precisará, necessariamente, de recursos para implementação de obras urgentes. Cabe ao Estado e à União encetar tais projetos. A solidariedade dos políticos é importante, mas seus mandatos devem agir de forma mais efetiva, na pressão sobre as instâncias de poder e no repasse de recursos frutos de emendas, para a execução de obras emergenciais.

  As chuvas intensas, de acordo com os institutos de meteorologia, como o Inmet, tendem a ser mais frequentes pelos próximos verões, em decorrência do desequilíbrio climático, o que reforça a importância de as cidades se prepararem para tais eventos.

  A tragédia que se abateu sobre Juiz de Fora pode se repetir em outras regiões, sobretudo as formadas por encostas, onde o problema se agrava, mas não há, diante desse novo cenário climático, regiões isentas, salvo aquelas que, na outra ponta do problema, já enfrentam secas intensas, cujas consequências também são graves.

 

 

Os comentários nas postagens e os conteúdos dos colunistas não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é exclusiva dos autores das mensagens. A Tribuna reserva-se o direito de excluir comentários que contenham insultos e ameaças a seus jornalistas, bem como xingamentos, injúrias e agressões a terceiros. Mensagens de conteúdo homofóbico, racista, xenofóbico e que propaguem discursos de ódio e/ou informações falsas também não serão toleradas. A infração reiterada da política de comunicação da Tribuna levará à exclusão permanente do responsável pelos comentários.