Juiz de Fora espera as obras

Cidade aguarda que obras de drenagem avancem de forma visível e respondam à urgência histórica enfrentada por bairros vulneráveis


Por Tribuna de Minas

19/03/2026 às 07h12

Juiz de Fora conhece bem o custo da demora. A cada período de chuva, bairros da cidade voltam a conviver com alagamentos, prejuízos, interrupções e medo. O problema é antigo, conhecido e amplamente diagnosticado. Por isso mesmo, quando o Poder Público anuncia obras de drenagem e macrodrenagem, a expectativa da população não é apenas por cronogramas e promessas, mas por máquinas nas ruas, canteiros instalados e avanço visível.

O início das intervenções no Mariano Procópio, como noticiou a Tribuna, é importante e deve ser reconhecido. Em uma cidade marcada por uma tragédia recente e por um histórico de vulnerabilidade em várias regiões, toda obra que efetivamente sai do papel representa um passo necessário. Trata-se de uma sinalização positiva em meio a uma demanda antiga por soluções estruturais.

Mas Juiz de Fora espera mais. Espera que o conjunto das obras prometidas finalmente comece a ganhar forma concreta. Espera que bairros historicamente afetados pelas enchentes deixem de figurar apenas em listas de prioridades e passem a receber, de fato, as intervenções anunciadas. Espera que os investimentos previstos para drenagem não permaneçam restritos a discursos, contratos e projeções.

É nesse ponto que a cobrança se impõe. O canteiro de obras que havia sido prometido para a semana passada ainda está em atraso. A Prefeitura afirma que os trabalhos já começaram. Mas, em uma cidade cansada de esperar, não basta dizer que começou. É preciso que esse começo se materialize de forma clara, que o andamento seja perceptível e que a população consiga enxergar, no território, o avanço que lhe foi assegurado.
Não se trata de desconsiderar a complexidade técnica dessas intervenções. Obras de drenagem exigem projetos, estudos, licenciamento, planejamento e execução cuidadosa. Tudo isso é parte do processo. O que não se pode aceitar é que a complexidade vire argumento permanente para justificar lentidão em uma área em que o atraso custa caro demais.

Juiz de Fora já viu recursos anunciados não chegarem a tempo de amenizar tragédias, como mostrou também a Tribuna, em matéria publicada em fevereiro. Já viu bairros seguirem expostos enquanto soluções estruturais permaneciam no campo da expectativa. Justamente por isso, o momento exige menos celebração antecipada e mais compromisso com a entrega.

A cidade tem o direito de cobrar. Quem vive em áreas vulneráveis não acompanha esse tema como mera pauta administrativa. Acompanha como questão de segurança, de patrimônio e de sobrevivência. E é natural que queira respostas concretas, datas cumpridas e evolução real das obras.

Nesse cenário, o jornalismo cumpre seu papel mais essencial. Cabe à imprensa seguir apurando, ir in loco, verificar o que foi feito, ouvir moradores e cobrar o andamento daquilo que foi prometido. Não para criar impasse, mas para garantir transparência e manter o foco no interesse público. O início no Mariano Procópio é relevante. Mas as demais obras também precisam sair do papel. Juiz de Fora precisa ir além das promessas sobre velhos problemas. Precisa de execução. E precisa agora.