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Pela pesquisa

As universidades precisam de investimentos para garantir o avanço nas pesquisas, mais do que nunca necessárias, como agora, em tempos de pandemia


Por Tribuna

14/05/2021 às 07h00

O debate sobre a produção e a distribuição de vacinas, que aumentou sua relevância exatamente pelas dificuldades logísticas, deixando um expressivo número de pessoas sem a imunização completa, deve servir de referência para a importância da pesquisa. Países que fizeram investimentos nesse setor estão à frente não apenas no enfrentamento à Covid-19, mas também no ranking de desenvolvimento, por terem instrumentos para sair à frente em todo tipo de projeto.

Isso posto, é necessário rediscutir o contingenciamento de verbas para as universidades e o corte sistemático de recursos, que vêm ocorrendo pelo menos há cinco anos. Os atuais orçamentos não tiveram um só reajuste; ao contrário, estacionaram em 2016, e é com os mesmos repasses que elas têm funcionado.

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E aí há o problema das consequências. Sem recursos, há o risco de fechamento de unidades e paralisação de projetos, cujas repercussões são imediatas, e outras tantas vão se reverberar no futuro por conta da paralisação da tão importante e necessária pesquisa. Até mesmo em áreas em que o país tem expertise há problemas de investimentos, bastando ver, agora, o que ocorre com institutos importantes, como o Butantan e a Fiocruz, que tiveram que se reinventar para cumprir as metas de produção de vacinas. Apesar disso, continuamos na dependência de insumos, que, se houvesse recursos – inclusive em governos passados -, poderiam estar sendo produzidos aqui.

Investir no ensino básico e no ensino fundamental é prioridade de Estado, mas isso não indica que as universidades devem ficar apartadas desses orçamentos. Ao contrário, a educação tem que ser vista como um ciclo completo, e a pesquisa é um dos pontos de referência. Cortar verbas é comprometer não apenas o presente, mas também o futuro. Em tempos de ações globalizadas, quem ficar atrás nos processos criativos terá sérias dificuldades de inserção nos mercados, cada vez mais competitivos.

Para evitar tais riscos, o Congresso deveria rever seus conceitos e insistir com o Governo para uma mudança de rumos. O Ministério da Educação tem que enfatizar sua parceria, pois, se apenas cumprir orientações do Ministério da Economia, estará comprometendo a sua própria vocação. Ninguém desconhece o momento econômico do país, ora agravado pela pandemia mundial, mas até mesmo os cortes precisam ser mais bem avaliados para garantir que, dentro ou fora da crise, o país continuará avançando em ações voltadas para o interesse coletivo.

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