Maio Amarelo: Trânsito é pauta permanente
O debate sobre o trânsito não se esgota no Maio Amarelo
O mês de maio é emblemático para a implementação do debate sobre a segurança no trânsito, mas deve ser apenas uma referência, por se tratar de uma questão permanente. O número de vítimas nas estradas nacionais e nas áreas urbanas cresce exponencialmente, a despeito das campanhas – como o “Maio Amarelo” – de conscientização.
Minas Gerais, de acordo com dados do Observatório Nacional de Segurança Viária, é o estado com o maior número de ocorrências, não só por ter a maior malha viária do país, mas também pela qualidade de suas vias e pela imprudência dos usuários. Cerca de 47% dos acidentes registrados no primeiro quadrimestre de 2025 tiveram como causa a falta de atenção.
É fato que devem ser levados em conta fatores como má visibilidade, derrapagem em pista molhada e desrespeito à sinalização de parada obrigatória, que completam o quadro de ocorrências mais frequentes. Especialistas apontam que o afrouxamento das leis de trânsito nos anos anteriores, a retirada de radares de fiscalização eletrônica e a ampliação dos prazos para avaliação médica contribuíram para um ambiente de maior permissividade.
No âmbito federal, a Polícia Rodoviária Federal registrou mais de dez milhões de infrações em 2025, um aumento de 7,79% em relação ao ano anterior. O excesso de velocidade continua sendo a infração mais comum, representando mais de sete milhões de flagrantes em todo o país. Em Minas, de acordo com os mesmos estudos, trechos críticos como a BR-381 e a BR-040 permanecem como zonas de alta periculosidade, onde a combinação de geometria de pista desafiadora e condutas imprudentes leva a consequências fatais recorrentes.
Privatizada em toda a sua extensão, a BR-040 tem, em Juiz de Fora, uma referência: aqui começa a concessão da EPR, em direção a Belo Horizonte, e termina a concessão da Elovias, no sentido Rio de Janeiro. As duas concessionárias têm metas a cumprir nos dois sentidos.
Na conexão com o Rio de Janeiro, a retomada das obras na Serra de Petrópolis é o fator mais importante; no sentido da capital mineira, o trecho entre Conselheiro Lafaiete e o trevo de acesso à BR-356 – que liga a Ouro Preto – é o de maior risco.
Os acidentes rodoviários têm impacto direto nas famílias, mas também geram custos para o Governo. Os gastos diretos com sinistros para o Sistema Único de Saúde (SUS) em Minas Gerais atingiram níveis alarmantes em 2025. Até maio, o estado havia desembolsado R$ 7,8 milhões apenas com internações hospitalares decorrentes de acidentes. Minas gasta, em média, R$ 39 milhões por ano com esse tipo de atendimento.
De acordo com a Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), pacientes politraumatizados exigem cuidados intensivos prolongados, cirurgias ortopédicas de alta complexidade e múltiplos procedimentos de reabilitação. Nas unidades da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), até meados de maio de 2025, foram registradas 3.287 internações, com maior concentração entre motociclistas.
No caso de Minas, algumas ações precisam ser repensadas para além da logística das rodovias. A extinção do seguro obrigatório em 2025 foi uma boa notícia para os proprietários de veículos, mas as consequências não foram avaliadas. Foi um retrocesso na proteção social, pois transferiu o custo das tragédias para as famílias e para o sistema público de assistência, sem a contrapartida de um fundo indenizatório eficiente.
Ademais, é necessária a implementação de políticas voltadas aos motociclistas. As estatísticas são claras ao apontar que esse grupo representa 60% das internações. O segmento, como já ocorre em metrópoles como São Paulo, carece de ações urbanas, como faixas exclusivas e campanhas que evidenciem que os motociclistas estão entre as principais vítimas do trânsito.









