Políticos devem ler a nota da CNBB
Nota da CNBB deve ser lida com atenção, sobretudo pelas advertências nela contidas
Em sua mensagem de fim de ano, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) fez duras considerações ao trabalho do Congresso Nacional em 2025. O ano, no seu entendimento, foi marcado por “retrocessos sociais”, apontando a fragilização da legislação ambiental e o “aumento da corrupção”.
Assinada pelo presidente, cardeal dom Jaime Spengler, e pelos demais membros da diretoria, a mensagem ao povo brasileiro mostra preocupação com a realidade social, política e ética do país. O texto reconhece avanços importantes, especialmente na área de saúde, com o fortalecimento do SUS; na economia, com queda do desemprego, estabilidade da inflação e crescimento do PIB, e ainda cita experiências positivas no campo da participação popular do cooperativismo.
A CNBB expressa a sua inquietação diante de retrocessos éticos, sociais e democráticos. “No âmbito da convivência democrática, o ano de 2025 foi marcado por profundas tensões e retrocessos sociais, que deixaram feridas abertas no tecido social. Algumas experiências fragilizaram seriamente a confiança nas instituições e desafiaram as pessoas de boa vontade, que acreditam numa sociedade mais justa e fraterna”, destacou.
A nota aborda o aumento dos casos de feminicídios e a aprovação de textos como o Marco Temporal, cuja constitucionalidade foi colocada em xeque pelo Supremo Tribunal Federal.
As advertências são oportunas não apenas pela relevância da entidade, mas por refletirem preocupações de uma expressiva parcela da população, que assiste, sem direito a voto, a ações como fragilização das normas da ficha limpa, perda do decoro parlamentar e discurso de ódio, que persiste a despeito de todos os questionamentos.
Assim como a CNBB, a população espera que o Congresso, na iminência de uma eleição geral, na qual estarão em jogo todos os mandatos da Câmara Federal e dois terços do Senado, faça uma revisão de conceitos. A polarização desconstrói projetos importantes para o país à medida que rejeita consensos.
Mesmo diante de números preocupantes, o atraso em votação de projetos na área de segurança é um dado real. Os lados não se entendem, e quem perde é a população, acuada pelo crime organizado. Este, em muitas regiões, atua como um estado paralelo, enquanto o Congresso só discute. “A democracia, com sua exigência de diálogo, suas instituições, seus freios e contrapesos, é patrimônio do povo brasileiro e precisa de cuidado e promoção”, também destaca a nota da CNBB.
Ao fim e ao cabo, são muitos os desafios pela frente, mas é preciso insistir na busca de solução, uma vez que o voto é uma procuração dada pelas ruas para que os parlamentares busquem, em seu nome, os caminhos que se fazem necessários para o bem-estar comum.









