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Os idosos e o calor

“Inúmeros estudos já demonstraram o aumento da mortalidade durante ondas de calor e que o fator de maior impacto é a idade avançada. Há indícios de que as mortes ocorrem principalmente entre indivíduos com doenças cardiovasculares e pulmonares”

Por Mario Eugenio Saturno, Tecnologista sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e congregado mariano

06/03/2019 às 07h00

Pesquisadores da USP realizaram um experimento para avaliar os efeitos do clima na saúde humana, em especial, das pessoas mais velhas. É uma pesquisa de grande interesse para a saúde pública, pois a população idosa aumenta e também estamos vivendo dias cada vez mais quentes, e nenhum estudo foi feito sobre o impacto das mudanças climáticas. O estudo compõe a tese feita pela médica Beatriz Trezza.

O aquecimento global está acontecendo, independentemente de ser por causas humanas ou naturais. Em São Paulo, por exemplo, o Instituto de Agronomia e Geofísica fez uma análise da evolução da temperatura média anual e mostra que as temperaturas médias, máximas e mínimas aumentaram ao longo dos últimos 80 anos. A temperatura média anual na cidade de São Paulo aumentou por volta de 2,1 graus desde 1933. E as temperaturas médias, máximas e mínimas também aumentaram 1,6 grau e 2,2 graus, respectivamente. E, mais, o número de dias com temperatura igual ou acima de 30 graus em 2013 foi de 64. Valor bem acima da média, que é de 47 dias por ano.

Inúmeros estudos já demonstraram o aumento da mortalidade durante ondas de calor e que o fator de maior impacto é a idade avançada. Há indícios de que as mortes ocorrem principalmente entre indivíduos com doenças cardiovasculares e pulmonares (Basu e Samet, 2002; Astrom, Forsberg e Rocklov, 2011). O aumento de mortalidade não ocorre somente nos dias de calor extremo. Yu et al. (2012) analisaram 15 estudos e calcularam que a mortalidade dos idosos aumentava 2,7% e 5% para cada um grau de incremento na temperatura média nos períodos em que a temperatura estava entre 25 e 28 graus e acima de 28 graus respectivamente.

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No experimento da dra. Trezza, 68 idosos, de diferentes condições físicas, sexos e classes sociais, foram alocados dentro de uma câmara climática, que permitia a regulação de condições ambientais, como temperatura e umidade do ar. Para que os voluntários se sentissem à vontade, a câmara simulou uma sala de estar, com poltronas. Os idosos foram divididos em grupos, que se submeteram a diferentes condições climáticas. As temperaturas, por exemplo, variaram entre 16 graus e 32 graus, enquanto a umidade do ar oscilou entre 30% e 70%.

Após as sessões de adaptação do corpo à combinação de fatores ambientais, os grupos tiveram avaliadas suas capacidades física e mental, através de testes cognitivos, de equilíbrio ou de força, e foram questionados sobre possíveis desconfortos.

A pesquisa mostrou que os idosos tiveram problemas quando submetidos à combinação de altas temperaturas e umidade, exceto para os praticantes regulares de atividades físicas. E mostrou ainda que o sistema termorregulador do nosso corpo torna-se menos eficaz com o tempo, um grave problema de saúde pública, já que o calor causa desidratação e hipertensão, entre outros.

O calor também é a causa de outras doenças, como dengue, chikungunya e zika, cujo mosquito se desenvolve apenas em condições tropicais. E países tropicais como o Brasil são menos desenvolvidos, com difíceis condições econômicas, logísticas e tecnológicas. Que as autoridades acordem para o problema.

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