Desaparecido em Ubá foi visto pela última vez auxiliando moradores nas enchentes

Conhecido como “Lecão”, Alex Lucas está desaparecido desde o dia 24 de fevereiro; família segue no aguardo de informações


Por Beatriz Bath*

26/02/2026 às 13h59- Atualizada 26/02/2026 às 17h45

Desaparecido desde terça-feira (24), Alex Lucas Pinto, de 35 anos, foi visto pela última vez tentando ajudar pessoas na galeria localizada entre a Avenida Beira-Rio e o Calçadão da Rua São José, no município de Ubá. Alex foi levado pela enxurrada durante a madrugada e a família segue aguardando atualizações.

De acordo com a esposa de “Lecão”, Janaína, ele teria saído de casa para checar a própria loja, localizada no Calçadão. No caminho, ele também visitou a casa de sua mãe, que estava ilhada. Em seguida, Alex desceu, junto do irmão, para olhar outra loja.

“Lecão” conseguiu ajudar as pessoas ao seu redor, que ficaram em segurança. No entanto, por possuir uma alta estatura, a sua ajuda foi solicitada em outro ponto, que necessitaria que Alex nadasse nas águas para chegar. “Ele pensou ‘assim, eu vou dar conta’. E foi quando teve a tragédia”, Janaína especula.

Ela explica que nesse ponto, “a água já estava no peito dele”: “meu marido tem 1,98 metro (de altura). Então, era muita água”, comenta. Janaína relata ainda que Alex já vivenciou outras três enchentes, mas, dessa vez, não tinha noção do que estava por vir. “Foi realmente uma catástrofe”, lamenta.

Mobilização popular

“Bombeiro, prefeitura, jornal… Ninguém, absolutamente ninguém dava nenhuma posição sobre quem estava desaparecido. Só se falava de política, dinheiro e reconstrução”, aponta a esposa de Alex. Janaína defende que todos sabiam quem eram os desaparecidos, visto que Ubá é uma cidade pequena. Conforme informações do último Censo, o município registrou cerca de 100 mil habitantes. Porém, na visão de Janaína, a mobilização das buscas demorou a acontecer.

Diante desse cenário, a prima de Alex teve a ideia de usar drones para auxiliar na procura. A partir daí, houve a mobilização da população civil, com a ajuda dos equipamentos e a criação de um grupo de busca, feito pelos amigos de “Lecão”.

Janaína afirma que a única notícia oficial que tem é, justamente, de que estão procurando: “As notícias que a gente tem, específicas, são só de amigos e familiares”. Segundo ela, o retorno com informações dos oficiais responsáveis pela busca começou a chegar na manhã desta quinta-feira (26).

Além disso, ela aponta a demora para a divulgação de informações em noticiários locais e canais oficiais de comunicação. E completa, destacando a sensação de descaso sofrida durante as buscas. “Só depois que teve a divulgação – dos civis -, que teve atenção”, argumenta.

Últimas informações oficiais

Além de Alex, Ubá também registrou o desaparecimento de Luciano Franklin Fernandes, que foi levado pela enxurrada por volta das 2h da madrugada da última terça-feira (24), nas proximidades da ponte da Rua Antônio Batista. O município registrou seis (6) óbitos, 25 pessoas desabrigadas e 396 pessoas desalojadas, decretando estado de calamidade pública.

Em nota, a Defesa Civil reiterou o alerta para a previsão do tempo desta quinta-feira (26), a partir das 22h, e reforçou os pedidos para que a população evite áreas alagadas e pontes interditadas, respeite os bloqueios de segurança e busque informações apenas pelos canais oficiais.

As famílias dos desaparecidos pedem que qualquer informação seja repassada pelo telefone (32) 99911-9911.

*Estagiária sob supervisão do editor Arthur Raposo Gomes.

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