Pressionado, grupo de manifestantes deixa a Câmara

Após desocupação, ativistas fizeram passeata
Depois de 22 horas e 30 minutos de ocupação da Câmara Municipal, o grupo de manifestantes que permaneceu em vigília no local, desde quinta-feira, retirou-se do prédio do Legislativo às 16h desta sexta-feira (28). Os jovens tomaram o Palácio Barbosa Lima às 17h30 do dia anterior, prometendo permanecer no plenário até que o prefeito Bruno Siqueira (PMDB) sinalizasse com a redução da tarifa da passagem de ônibus em Juiz de Fora. No início da manhã, os vereadores tentaram negociar a saída dos manifestantes, mas não obtiveram sucesso, e os trabalhos da Casa foram suspensos. A Polícia Militar (PM), que já monitorava a ação, passou a impedir a entrada de pessoas no prédio. Isolado, o grupo ficou sem água, luz, alimento e com acesso vedado aos sanitários. Seis estudantes passaram mal. Só à tarde, com a chegada de representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), foi acordada a desocupação. Ao mesmo tempo, na Escola de Governo, o chefe do Executivo, em entrevista coletiva para a imprensa, reafirmava a manutenção do preço da passagem em R$ 2,05, abrindo a planilha de cálculo tarifário do transporte urbano.
A liberação do plenário da Câmara ocorreu após uma extensa rodada de negociação, com duração de mais de duas horas de conversa. Os cerca de dez jovens que permaneciam na Casa só aceitaram deixar o local após terem a garantia de que não sofreriam sanções penais, civis ou jurídicas. "Não haverá retaliação a nenhum deles. É a nossa palavra", afirmou o presidente da Mesa Diretora da Câmara Municipal, Julio Gasparette (PMDB). Do acordo, além dos vereadores Noraldino Junior (PSC), Wanderson Castelar (PT) e André Mariano (PMDB), participaram o presidente da OAB/Subseção JF, Denilson Clozato, e o comandante do 2º Batalhão, tenente-coronel Mário César da Silva. Também foi acordado novo encontro entre representantes do movimento e da Prefeitura para discutir a tarifa do transporte público da cidade. A reunião está prevista para segunda-feira, às 15h, no próprio Barbosa Lima, e deverá contar com a presença do secretário de Transporte e Trânsito, Rodrigo Tortoriello. Ele deverá apresentar e tirar dúvidas sobre a planilha que regulamenta o valor da passagem. Denilson Clozato também estará presente no encontro.
Quando cruzaram a porta da Câmara, cerca de cem manifestantes aguardavam os dez jovens do lado de fora. Na saída, o grupo afirmou ter sofrido pressões para acelerar a desocupação. "Ficamos sem luz, água, alimentação e sem poder utilizar o banheiro desde o início da manhã", garantiu o estudante Lucas Schuchter, 21 anos. "Sofremos ameaças até de prisão durante a noite. Mesmo assim, acho que o simbolismo do ato foi muito grande. O espaço do povo foi ocupado pelo povo", garantiu o estudante Fernando Linhares, 26. Apesar de o major Jeferson Ulisses Pires, assessor da 4ª RPM, avaliar o desfecho do movimento como positivo e sem confrontos com a PM, funcionários da Câmara chegaram a registrar um boletim de ocorrência. No documento são apontados arrombamento da gaveta da diretora administrativa da Câmara, depredação da Bíblia utilizada nas sessões do Legislativo, quebra do mastro onde a bandeira da cidade fica hasteada, além de arrombamento das portas de acesso às salas da presidência e do plenário. A perícia da Polícia Civil esteve no local, constatou as informações e, posteriormente, fará um laudo pericial para constar no inquérito.
Após a saída da Câmara, o grupo ainda realizou passeata pelas ruas do Centro. A caminhada seguiu da Rua Halfeld rumo à Prefeitura, passando pela Avenida Getúlio Vargas. Em frente à sede do Executivo, cerca de 60 pessoas cobraram, com palavras de ordem, ações de Bruno Siqueira para a redução da tarifa. O movimento terminou após uma assembleia de avaliação.










