PM fecha Casa e impede entrada de alimentos

Policiais fizeram cordão de isolamento na Câmara
Logo no início da manhã, os manifestantes afirmaram que só deixariam as dependências da Câmara se o prefeito Bruno Siqueira (PMDB) aceitasse reduzir a tarifa de ônibus urbano. O grupo também propunha a realização de uma assembleia, a ser transmitida pela internet, com todos manifestantes, o prefeito e o presidente do Legislativo, Julio Gasparette (PMDB).
Com sessão ordinária marcada para as 11h, alguns parlamentares tentaram negociar a desocupação do plenário para que o Legislativo voltasse a trabalhar.
Os vereadores Jucélio Maria (PSB) e Noraldino Júnior (PSC) conversaram com os jovens, argumentando que o interesse era por manter as atividades da Câmara. Gasparette tentou convocar lideranças do movimento para um encontro com ele e o prefeito, que foi rechaçado porque o grupo aceitava, somente, uma reunião que contemplasse todos os manifestantes. Diante do impasse, o presidente decidiu encerrar as atividades da Casa. "Conversamos sobre a possibilidade de discutirmos as reivindicações em outro lugar, mas estavam irredutíveis. Por razões de segurança, a decisão foi por encerrar o expediente."
Com o Parlamento fechado, a Polícia Militar (PM) assumiu o controle do local. Quando os funcionários deixaram as dependências da Câmara, os manifestantes foram isolados. Do lado de fora, a PM impediu o acesso de pessoas no Palácio Barbosa Lima. Integrantes do grupo que deixavam a Casa não conseguiam retornar. Também estava proibida a entrada de alimentos e bebidas no edifício. A energia teria sido cortada, mas a informação não foi confirmada por Gasparette. Os jovens, posicionados nas janelas do plenário, protestavam, pedindo comida e ganhando o apoio de parte das pessoas que estava do lado de fora.
Estudantes passam mal
Por volta das 11h, um dos ocupantes, de 18 anos, teria passado mal por falta de alimentos. Alguns dos manifestantes, das janelas do plenário, gritaram por socorro. Foi chamada a unidade de Resgate, e o rapaz foi encaminhado ao Hospital Pronto Socorro (HPS). O jovem foi conduzido por dois de seus companheiros, que deixaram a ocupação e ficaram do lado de fora. Uma hora mais tarde, sem alimentação, outro manifestante sentiu-se mal e deixou o Palácio, acompanhado de dois outros companheiros. De acordo com o assessor de comunicação da 4ª Região da PM, major Jeferson Ulisses Pires, a estratégia adotada pela corporação foi de, diante da falta de água e de alimentos, impor aos manifestantes a saída do local. Até as 13h, seis jovens tinham deixado o grupo, enquanto os dez últimos só saíram às 16h.
Legislativo sem reunião pela segunda vez
Diante da impossibilidade de utilizar o plenário da Câmara, o vereador Wanderson Castelar (PT) tentou encontrar outro local para a realização da sessão ordinária. Segundo o parlamentar, a reunião previa discussões importantes para a cidade, sobretudo quanto a uma mensagem da Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) autorizando a efetivação de auxiliares de enfermagem. Caso a discussão não fosse realizada, o concurso poderia perder a validade.
Em reunião com o secretário de Governo da PJF, José Sóter de Figuerôa, Castelar conseguiu a autorização para os vereadores utilizarem as dependências do Executivo e realizarem a sessão. O presidente da Câmara, no entanto, decidiu manter o cancelamento. Segundo os vereadores, a discussão sobre a efetivação dos profissionais de saúde pode ser realizada sem prejuízos na próxima segunda-feira.









