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Manifestantes ocupam Câmara por menor tarifa


Por Renato Salles (colaboraram Hélio Rocha e Pedro Brasil)

28/06/2013 às 07h00

Passeata pediu a redução do preço da passagem

Passeata pediu a redução do preço da passagem

Cerca de cem manifestantes tomaram o plenário da Câmara Municipal nesta quinta-feira (27), por volta das 20h, onde um número de até 30 manifestantes prometia passar a noite em vigília, solicitando, principalmente, tarifas mais baratas para o sistema de transporte público urbano de Juiz de Fora. O grupo rechaçou as respostas públicas dadas pelos poderes Executivo e Legislativo à pauta de reivindicações, entregue na última segunda-feira, e garante manter a mobilização nos próximos dias. Esta foi a quinta vez que os juiz-foranos saíram às ruas. Depois de uma passeata pacífica pelo Centro, durante a ocupação do Palácio Barbosa Lima, foram registrados atos isolados de vandalismo. Uma Bíblia foi rasgada, uma bandeira de Juiz de Fora arrancada do mastro e portas teriam sido forçadas. 

Após a ocupação, os manifestantes usaram o sistema de som da Câmara para realizar uma assembleia. Das cadeiras, o vereador de oposição Wanderson Castelar (PT) foi o único a acompanhar a movimentação. "A Câmara também é alvo das indignações. Basta observar a pauta de reivindicações dos manifestantes, que criticam o projeto que trata da ocupação e uso do solo e a proposta da presidência de construir uma nova Câmara." Por volta das 22h30, Noraldino Júnior (PSC) foi ao local conversar com os manifestantes. Falando diretamente aos presentes no Palácio Barbosa Lima, o parlamentar disse que respeita o movimento, mas que a responsabilidade de reduzir ou não da passagem – principal pleito dos manifestantes – não é função do Legislativo, mas sim do Executivo. Até o fechamento desta edição, às 23h, as lideranças pontuais, que mantêm a posição de não se identificar, não haviam deliberado sobre os próximos passos do movimento. O grupo pretendia elaborar uma carta aberta à imprensa, com suas posições sobre as manifestações que acontecem na cidade desde a semana passada.
 
 
Trânsito comprometido
 
A ocupação do Palácio Barbosa Lima foi o ato final de mais um protesto pacífico que fechou as principais ruas centrais da cidade por aproximadamente uma hora e meia, entre 18h e 19h30, comprometendo o fluxo de veículos nas avenidas Rio Branco, Getúlio Vargas e Itamar Franco e na Rua Espírito Santo. Apesar do veto do prefeito Bruno Siqueira (PMDB) ao projeto aprovado pela Câmara que altera a chamada "Lei de Edificações", anunciado na última quarta-feira, e da sinalização da retomada das obras do Hospital Regional – itens solicitados pelo grupo, – os manifestantes mantiveram o entendimento de que a maioria de seus pedidos não foi contemplada nas notas oficiais. Assim, o foco voltou a ser o transporte público, com pleitos recorrentes de redução da tarifa e adoção do passe livre estudantil. "As respostas trouxeram apenas pontos já apresentados pela imprensa e não contemplam nossas reivindicações. Além do veto, nenhum outro pedido foi plenamente atendido. É a voz do povo. Temos que nos manifestar", afirmou o estudante Guilherme Imbroisi, 20 anos, articulador voluntário do movimento "Junta Brasil", que rechaça a condição de liderança. 
 
 

Sessão do Legislativo é suspensa

A possibilidade de a Câmara se tornar o foco das indignações dos manifestantes ficou clara por voltas das 17h30, quando o presidente do Legislativo, Julio Gasparette (PMDB), acompanhado pela maioria dos vereadores, foi até as escadarias do Palácio Barbosa Lima para entregar nas mãos das lideranças uma carta com o posicionamento da Casa sobre as reivindicações. Na sequência, sob a alegação de que esperavam uma manifestação pública do vereador, mais de cem pessoas ocuparam as dependências do Legislativo. Como os gritos de ordem ecoavam na plateia lotada, dificultando a comunicação dos parlamentares, Gasparette decidiu pela suspensão da sessão ordinária, que já havia sido iniciada.
 
Em um determinado momento, o entusiasmo dos manifestantes pôs em risco a segurança do Palácio Barbosa Lima, quando o grupo começou a pular no auditório. Alguns vereadores e até mesmo integrantes do protesto alertaram para os riscos e conseguiram conter a movimentação. De acordo com o presidente da Câmara, o edifício não suporta esse tipo de manifestação. "A estrutura é antiga, e o plenário comporta 150 pessoas sentadas. Por isso, decidimos não prosseguir a reunião." A decisão foi tomada em reunião do parlamentar com a Polícia Militar (PM). "A Câmara está aberta a uma discussão ampla, mas não compactua com quaisquer atos que provoquem desordem", resumiu Gasparette. Inicialmente, a pauta da sessão desta quinta será integrada à da reunião agendada para esta sexta, às 11h.
 
 

Manifestante rasga Bíblia

Com a suspensão da sessão, os manifestantes voltaram a ocupar as ruas até retornarem à Câmara e tomarem as dependências da Casa. Assim como aconteceu nas demais manifestações, a ocupação, na maior parte do tempo, ocorreu de maneira ordeira e pacífica. Entretanto, alguns rompantes puderam ser observados. Sob gritos de "Estado laico", um manifestante rasgou uma Bíblia que estava no plenário. Houve ainda uma tentativa, sem sucesso, de retirar um crucifixo afixado na parede. Algumas pessoas subiram em cima de mesas e cadeiras, e a bandeira de Juiz de Fora chegou a ser arrancada do mastro do plenário. Funcionários da Câmara teriam registrado um boletim de ocorrência, alegando que algumas portas foram forçadas e violadas. 
Cerca de 200 policiais acompanharam o ato sem registro de enfrentamento. Na estimativa da PM, cerca de 200 pessoas participaram do protesto. Para os manifestantes, até 500 juiz-foranos chegaram a integrar as ações. Após a ocupação, a PM não confirmou quantos policiais acompanhariam a movimentação durante a madrugada, mas afirmou que o efetivo seria o suficiente para garantir a ordem, a segurança dos presentes e a integridade do patrimônio municipal.