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Bruno: sucessão terá seu tempo


Por RICARDO MIRANDA

24/03/2013 às 07h00

Há muito tempo de pires na mão em busca de recursos, notadamente para obras viárias e saneamento, Juiz de Fora caminha para ter o mês de março mais próspero em promessas de dias melhores de sua história. A reboque da antecipação do processo sucessório de 2014 e com o apoio do prefeito Bruno Siqueira (PMDB) em aberto, integrantes de PT e PSDB, responsáveis, respectivamente, pelos governos federal e estadual, passaram pelo município e deixaram um rastro de compromissos para execução de obras e ações com início ainda neste ano. Primeiro a aparecer, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel (PT), viu até certa facilidade na inclusão das intervenções as intervenções viárias no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e vislumbrou a possibilidade de retirar o tráfego de trens de carga da área urbana do município. Pouco tempo depois, a presidente Dilma Rousseff (PT) anunciou a destinação para Juiz de Fora de R$ 138 milhões do PAC2 para saneamento, abastecimento de água, mobilidade urbana e pavimentação.

Na última quinta-feira, o governador Antonio Anastasia (PSDB) deu largada para construção do novo acesso ao Aeroporto Presidente Itamar Franco. Uma semana antes, liberou recursos para retomada das obras de conclusão do Hospital Regional. O Governo de Minas mantém ainda parte da dotação orçamentária para execução das obras viárias no município. Até mesmo do próprio PMDB, de Bruno, vieram sinalizações de um futuro abastado, com a ida do deputado federal Antônio Andrade (PMDB) para o Ministério da Agricultura e a entrada do senador Clésio Andrade (PMDB) na busca de viabilidade financeira para construção dos viadutos, pontes e mergulhões, que resultou numa hidratada na emenda de bancada dos deputados federais Júlio Delgado (PSB), Marcus Pestana (PSDB) e Margarida Salomão (PT). Ainda na seara peemedebista, o chefe do executivo esteve, também em março, com o vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), para tratar das demandas da cidade. O saldo, segundo o prefeito, foi positivo, com promessa de resultado para breve.

 

Distanciamento

Por trás de todo comprometimento com Juiz de Fora firmado durante o mês de março está a disputa pelo apoio do prefeito nas eleições de 2014. Com interlocutores de peso junto ao PSDB do senador e presidenciável Aécio Neves, como o deputado federal Marcus Pestana (PSDB), o deputado estadual Lafayette Andrada (PSDB) e o presidente da Cemig, Djalma Morais, e também, ainda que mais recente, junto ao PT de Dilma e do ex-presidente Lula, como os ministros Fernando Pimentel e Antônio Andrade, além do próprio Michel Temer, Bruno tem se mantido à distância de 2014. "Minhas conversas nesse momento, independentemente dos interlocutores, passam pela urgência em executar obras de extrema importância para Juiz de Fora. As questões de 2014 serão debatidas no seu tempo próprio." Sem entrar no mérito da questão, o prefeito nega o fato de a escolha de Antônio Andrade como ministro da Agricultura, um dos principais fiadores de sua candidatura no ano passado, tenha pendido a balança para o lado petista. "O deputado (Antônio Andrade) sempre foi um aliado de Juiz de Fora, como tem sido Pestana, Antônio Jorge (Secretário de Estado da Saúde) e Djalma Morais."

O discurso é o mesmo também no diretório local do PMDB. Para o presidente Paulo Gutierrez, as conversas internas no partido com vistas em 2014 devem ser iniciadas em outubro, quando encerrar os prazos para filiações de possíveis candidatos. Ainda assim, ele ressalta que as definições vão mesmo ficar para o próximo ano. "A antecipação da discussão sucessória não interessa ao PMDB de Juiz de Fora. É muito cedo para debatermos candidaturas e alianças."

 

Petistas trabalham para viabilizar obras viárias

Além da proximidade entre PMDB e PT, que remonta às eleições de 2010, quando os dois partidos fizeram dobradinha na disputa pelo Governo de Minas e pela Presidência da República, as cúpulas petistas estadual e nacional querem capitalizar a destinação de recursos federais para Juiz de Fora como ativo na disputa pelo apoio do prefeito Bruno Siqueira (PMDB) em 2014. Interessado direto na questão, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel (PT), cotado para ser candidato ao Palácio Tiradentes, assumiu recentemente o movimento de aproximação com o peemedebista. Como havia antecipado no início do mês, quando esteve no município em evento da Federação das Indústria de Minas Gerais (Fiemg/Regional Zona da Mata), ele agendou para abril um encontro em Brasília com Bruno e integrantes do Governo federal para tentar viabilizar o conjunto de obras viárias capaz de desafogar o trânsito na área central da cidade.

 

Mudança de planos

A estratégia inicial era alocar as obras no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), mas a disponibilização de R$ 55 milhões no Orçamento de 2013 por meio de emendas parlamentares deve forçar uma mudança de planos, levando à execução da forma como havia sido prevista pela Administração Custódio Mattos (PSDB). Ou seja, os recursos serão liberados por meio do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). A Egesa Engenharia S.A., que venceu a licitação, segue à frente das obras. A empresa recentemente conseguiu obter todas as certidões negativas necessárias para executar os projetos.

Apesar do empenho de dirigentes estaduais e nacionais do PT na aliança com o PMDB de Bruno Siqueira, a questão ainda é cercada de cautela no diretório municipal petista. O confronto entre os dois partidos na última eleição municipal ainda guarda algumas arestas. Para a deputada federal Margarida Salomão (PT), a aliança nacional e estadual entre as duas legendas deve ser mantida, como defende as demais lideranças petistas, embora não considere a questão da vinda de recursos para o município como ação de cunho eleitoral. "Trazer as demandas de Juiz de Fora para Brasília é um compromisso com a cidade e não sinaliza convergência político- eleitoral." Feita a ressalva, ela concordou que as conversas estão acontecendo e considerou a ida do deputado Antônio Andrade (PMDB) para o ministério da Agricultura "como uma sinalização importante para Minas".

 

 

Hospital e acesso ao aeroporto na agenda tucana

Com dificuldades para tratar das obras viárias, concebidas originalmente na gestão Custódio Mattos (PSDB) com promessa de execução com recursos exclusivo do Governo de Minas, os tucanos elegeram a conclusão do Hospital Regional de Urgência e Emergência e a construção do novo acesso ao Aeroporto Presidente Itamar Franco como seus principais trunfos para caminhar com o prefeito Bruno Siqueira em 2014. Da mesma forma como no caso petista, onde o possível candidato ao Governo de Minas, Fernando Pimentel, assumiu a condução das conversas, no caso do PSDB, a tarefa ficou a cargo do presidente estadual do partido, deputado federal Marcus Pestana, que também aparece como postulante ao Palácio Tiradentes. São dele e do secretário de Estado da Saúde, Antônio Jorge Marques (PPS), toda o movimento de aproximação com o peemedebista desde o segundo turno das eleições do ano passado.

Além dessa parceria de mais tempo, ainda que sem o aval do grupo do ex-prefeito Custódio Mattos, o tucanato mineiro aposta também na proximidade do senador Aécio Neves (PSDB) e do governador Antonio Anastasia (PSDB) com o ex-presidente Itamar Franco para ter o apoio de Bruno em 2014. Nesse sentido, as atenções se voltam para o presidente da Cemig, Djalma Morais, que integrou o primeiro time itamarista e é amigo pessoal da família do prefeito. De fato, como bem gosta de lembrar os tucanos de Belo Horizonte, todas as últimas campanhas de Itamar foram feitas ao lado de Aécio.

A despeito dos trunfos financeiros e emocionais, a avaliação de Pestana é de que as definições vão ficar mesmo para 2014. "Não há razão para precipitação. Parece até que a eleição é no próximo mês. Anteciparam o debate num erro de estratégia. A população não quer saber das candidaturas do próximo ano." Nesse sentido, ele disse que vai continuar colaborando com a Administração Bruno Siqueira. "Temos uma afinidade muito grande e vamos seguir trabalhando juntos. Temos recursos assegurados junto ao Governo de Minas e estamos batalhando em Brasília numa frente em conjunto com os outros deputados."