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Câmara debate internação compulsória em Minas


Por Tribuna

20/02/2013 às 07h00

O crescimento da incidência do uso de drogas com grandes potenciais de dependência química em Juiz de Fora foi tema de amplo debate na reunião ordinária de ontem na Câmara. O vereador Isauro Calais (PMN) usou de sua palavra durante para propor que o Legislativo municipal cobre do Governo do estado ações para combater a disseminação do crack em Juiz de Fora e região. Isauro citou os casos de São Paulo e Rio de Janeiro que adotaram políticas de internação compulsória como solução em situações extremas, quando os viciados já não possuem domínio de sua própria saúde física e mental, mas permanecem se negando a receber tratamento. O parlamentar propôs que a Câmara prepare um requerimento a ser encaminhado a Belo Horizonte, solicitando a adoção da medida em Minas Gerais, bem como a construção de clínicas de tratamento para dependentes químicos no município e em outras cidades da região como Barbacena, Muriaé e Ubá.

Todos os dias vejo familiares afirmando que preferem ver seus filhos mortos. Em São Paulo, onde foi adotada a internação compulsória, tenho certeza que muitas pessoas conseguirão se recuperar. O Rio de Janeiro também seguiu o mesmo caminho. Vemos ações de dois estados vizinhos tentando solucionar o problema. Até quando vamos continuar vendo essa situação nas nossas ruas e o aumento da violência proveniente da dependência química?, questiona Isauro. O depoimento do vereador do PMN sensibilizou os colegas. O presidente da Comissão de Saúde Pública e Bem-estar Social, Antônio Aguiar (PMDB), fez coro e lembrou a situação dos hospitais São Domingos e da Casa de Saúde Esperança que formalizaram, na última segunda-feira, a impossibilidade de continuar a prestação do serviço e colocaram mais de 200 pacientes psiquiátricos em disponibilidade, conforme destacou a edição de ontem da Tribuna.

Estamos vislumbrando uma nova categoria de pacientes que são os dependentes do crack. Em um primeiro momento, o fechamento destes leitos vai inviabilizar o tratamento dos usuários de crack, afirmou Aguiar, que propôs que a Casa preparasse um pedido de informação a ser encaminhado à Secretaria de Saúde, para saber como o Executivo pretende lidar com a possível perda de leitos hospitalares. A Câmara também pode fazer outros movimentos para ampliar as discussões sobre possíveis ações de combate à dependência química e a possibilidade da adoção da política de internações compulsórias em Minas Gerais, já que o vereador Rodrigo Mattos propôs que uma audiência pública sobre o tema fosse convocada em caráter de urgência.