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Manifestações ecoam na Câmara Municipal


Por Renato Salles

19/06/2013 às 07h00

Os gritos de insatisfação que tomaram as ruas de Juiz de Fora ecoaram na sessão desta terça-feira (18) da Câmara Municipal. Vários vereadores utilizaram a tribuna e reconheceram a legitimidade do movimento. Para Rodrigo Mattos (PSDB), o descontentamento dos manifestantes é com o sistema político como um todo, e os parlamentares locais também serão alvo de questionamentos. Daqui a pouco, vai chegar à Câmara. Tem data e hora para isso. Estamos às vésperas de discutir o reajuste de ônibus, o que, nos últimos anos, aconteceu em junho. Vai ser um estopim ainda maior do que aquele que motivou a manifestação de ontem (segunda-feira), já que seria um motivo mais objetivo como já aconteceu em outras cidades. O tucano afirmou ainda que teria informações de técnicos da Secretaria de Transporte (Settra) prevendo que, em avaliações anteriores aos protestos, uma revisão de valores seria inevitável e que a passagem do transporte coletivo urbano poderia chegar a R$ 2,20.

As ponderações sobre a manifestação ultrapassaram as fronteiras da política local. Não é por conta de R$ 0,20, mas pelos desmandos que estamos vendo no país, principalmente na área da saúde, disparou o vereador e médico José Fiorilo (PDT). Após o ataque à presidente Dilma Roussef, o petista Roberto Cupolillo (Betão) lembrou que, à exceção de Rodrigo e de João do Joaninho (DEM), todos os outros 17 parlamentares juiz-foranos integram legendas que dão sustentação ao Governo federal. O tucano e o democrata integram a base do governador Antonio Anastasia (PSDB). Chico Evangelista (PP) chamou de salada o atual processo de coligações partidárias em vigência no país. Meu partido apoia o Governo federal, apoia o Governo estadual e eu apoio o Governo municipal. É por isso que o povo está na rua. Para tentar acabar com essa bagunça.

Wanderson Castelar (PT) chegou afirmar temer que as manifestações pudessem ter inspiração partidária. Muitas vezes, essa onda de informações e contrainformações que circulam nas redes sociais tem um objetivo claro: 2014. As eleições foram antecipadas. Apesar disso, o petista reconheceu os méritos das manifestações, porém condenou radicalizações. Uma coisa é apoiar o sentido. Outra, entender alguns métodos. Uma manifestação violenta só reforça nossa condição de insegurança e funciona como uma senha para a manutenção da criminalidade.