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Zona Leste predomina na Câmara


Por RENATO SALLES

17/02/2013 às 06h00

A região Leste de Juiz de Fora é a melhor representada na atual configuração da Câmara Municipal, que amanhã retoma seu segundo período de reuniões desta nova legislatura. Cinco dos 19 vereadores eleitos para fazer leis, fiscalizar o Executivo e defender os interesses da população juiz-forana tiveram bom desempenho nos bairros daquela área, onde possuem identificação com essas comunidades. Entre eles estão Ana Rossignoli (Ana do Padre Frederico, PDT) e Luiz Otávio Coelho (Pardal, PTC), intimamentes ligados aos bairros Progresso e Nossa Senhora Aparecida, respectivamente. José Márcio (PV), Oliveira Tresse (PSC) e o mais lembrado nas últimas eleições, com 5.127 votos, Isauro Calais (PMN) completam a lista, todos com votação mais diluída entre as demais regiões da cidade.

Com quatro vereadores cada, as regiões Norte e Central aparecem com a segunda maior representatividade. Além da reeleição de Chico Evangelista (PP) e Wanderson Castelar (PT), que, no ano passado, repetiu o desempenho de 2008 no Bairro Monte Castelo, a região Norte também deu sua contribuição para a vitória dos novatos Nilton Militão (PTC), forte em Santa Cruz, e Cido Reis (PPS), que teve apoio maciço dos eleitores de Benfica. "Tenho muita relação com a Zona Norte, apesar de ter recebido votos em toda a cidade. Posso dizer que, da Cidade do Sol para cá, a região praticamente não tinha representatividade no Legislativo, que ganhou o reforço de novatos como eu e o Militão", afirma Cido, que promete realizar um mandato para toda a cidade. O vereador do PPS, no entanto, já apresentou requerimentos a diversos órgão públicos solicitando melhorias para a comunidade da Zona Norte, entre elas, a instalação de postos da Cesama e da Cemig e a emissão de carteiras de trabalho em Benfica.

O discurso é oficializado nas palavras do presidente da Câmara, Júlio Gasparette (PMDB), que tem boa inserção na região Central, mas também computou votos em outras áreas de Juiz de Fora. "Todos estão preocupados com a cidade como um todo, preparados para cobrar do Executivo ações necessárias para melhorar a condição de vida de nossa comunidade." Gasparette entende que o compromisso é com todos os cidadãos, mas admite que os vereadores acabam recebendo uma maior cobrança por parte de seu eleitorado e defende uma maior aproximação entre as lideranças de bairro e o Legislativo. "Desde o meu primeiro mandato, sugiro que estas pessoas (líderes comunitários) recebam algum tipo de auxílio ou benefício. Já busquei conversas nesse sentido que sempre esbarraram em questões constitucionais. Eles merecem este reconhecimento por realizar um trabalho importante, quase como o de um vereador." A região Central também é representada por Antônio Aguiar (PMDB), Jucélio Maria (PSB) e Roberto Cupolillo (Betão, PT), todos com bom desempenho em vários bairros, como Santa Helena, Centro e Mariano Procópio.

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Vereador defende conscientização de parlamentar

Noraldino Júnior (PSC) teve um bom desempenho eleitoral em vários pontos da cidade, mas concentra boa parte de seus votos na região Nordeste, que também contribuiu para a eleição de Vagner de Oliveira (PR) e André Mariano (PMDB). Em seu segundo mandato, o vereador trabalha na tentativa de ampliar sua representatividade. "Tenho buscado demonstrar um modelo de atuação parlamentar que privilegia a conscientização sobre a real função de um vereador. Alguns políticos e até mesmo eleitores ainda acreditam no ‘assistencialismo’ como ferramenta, o que, em alguns casos, justificam as relações de dependência entre alguns parlamentares e determinadas regiões."

Já a região Sul ajudou a eleger outros dois vereadores: Rodrigo Mattos (PSDB) e José Fiorilo (PDT), este último tem a maioria de seus votos concentrada no Bairro Santa Luzia. Com a força de São Pedro, a Cidade Alta manteve no cargo João do Joaninho (DEM). Analisando simplesmente os votos do último pleito, a região Sudeste é a única que não teria um representante na Câmara, embora vários dos eleitos tenham tido uma boa votação na localidade.

 

Manutenção de reduto eleitoral pode favorecer assistencialismo

A eleição de vereadores com votos específicos de uma região não é surpresa para o cientista político da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Paulo Roberto Figueira Leal. "É uma característica antiga no Brasil. Não é uma exclusividade de Juiz de Fora. Uma tradição que possui alguns efeitos colaterais. Em alguns casos, o vereador se imagina como representante de algum bairro. Como depende do Executivo para atender aos anseios da comunidade, acaba se aproximando demais do prefeito, muitas vezes ignorando o papel de oposição do partido que o elegeu, por exemplo. Isso compromete uma das funções primordiais do parlamentar, que é fiscalizar as ações do Executivo."

Para líder o partidário Edson Fonseca, o Edinho, ligado ao PV e há mais de duas décadas atuando na política juiz-forana – com experiência na composição de chapas que elegeram vereadores desde as eleições de 2000 e participação direta na coligação que garantiu a José Márcio (PV) seu primeiro mandato na Câmara -, a distinção entre os eleitos maciçamente com votos de uma região e aqueles com votação mais diluída é clara. "Estes votos regionalizados têm como características candidatos ligados a um bairro ou região seja por ter nascido no local, ser de uma família tradicional ou ter um comércio de sucesso na região. É o voto de conhecimento, pessoal. Muitos eleitores não se aprofundam antes de definir seu voto para o Legislativo e acabam optando por um conhecido mais próximo."

Por outro lado, Edinho entende que aqueles que possuem votação mais diluída são escolhidos por conta de suas atuações profissionais ou políticas. "Atualmente, acredito que os médicos formam a classe mais forte em uma eleição. É um voto de confiança, por ser uma profissão de maior aceitação entre os eleitores. Já o professor, entendo como um voto de protesto. É uma categoria importante, mas que muitas vezes é prejudicada pelo sistema, sendo pouco reconhecida pelos governos municipal, estadual e federal."

O costume eleitoral que se reflete na configuração das câmaras municipais Brasil afora é visto como um incentivo a práticas nocivas como o "assistencialismo", apontado como ferramenta para a manutenção de um determinado reduto eleitoral. "É uma prática que além de perigosa é vedada pela Legislação", observa. Paulo Roberto. Para o cientista político, uma forma de acabar com a pessoalidade nas eleições parlamentares seria a adoção de listas fechadas , comum em outros países. "Mas é óbvio que mesmo que isso possa ser considerado o ideal, está muito longe de ser factível, já que as verdadeiras propostas de reforma eleitoral dificilmente saem do papel no Brasil."