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Em entrevista à Tribuna, pré-candidato do PSOL à Presidência fala de suas propostas

Guilherme Boulos defende revisão da política tributária para enfrentar desigualdade social

Por Renato Salles

15/04/2018 às 07h00

Em entrevista exclusiva concedida à Rádio CBN Juiz de Fora, que vai ao ar na manhã desta segunda-feira (16), o pré-candidato do PSOL à Presidência da República, expôs os principais eixos do projeto de país que o partido pretende apresentar nas eleições de outubro. Coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos classificou como temas centrais a realização de um plebiscito para consultar a sociedade sobre uma possível revogação de medidas realizadas pelo Governo do presidente Michel Temer (MDB), como a Reforma Trabalhista e o congelamento do teto de gastos públicos. Boulos defendeu ações de enfrentamento à desigualdade social, principalmente por meio de uma reforma tributária progressiva, com a ampliação dos impostos pagos pela população mais rica e a taxação das grandes fortunas.

O pré-candidato pontuou como necessária uma mudança ampla do sistema político, com maior participação popular e fim do modelo de coalizão vigente nas últimas décadas. “Se a gente mantém este mesmo modelo de governabilidade, vai acontecer o que aconteceu nos últimos 30 anos. O MDB nunca ganhou uma eleição presidencial, mas deu as cartas e chantageou todos os governos. O que nós queremos fazer, pela primeira vez, desde o fim da ditadura militar, é colocar o MDB na oposição. Esta é a nossa proposta”, afirmou.

Boulos teme pela escalada de violência fascista e defende Lula (Foto: Raíssa Galvão/Fora do Eixo Mídia Ninja)

“Estamos construindo um programa a várias mãos, em uma aliança com vários setores da sociedade, como intelectuais, artistas e movimentos sociais. Hoje, temos três pontos fundamentais, que caracterizam o centro de um projeto de mudanças para o Brasil. Primeiro, é que é preciso revogar ações que este governo ilegítimo do Temer fez nos últimos dois anos, sem a autorização do povo brasileiro. Fez uma Reforma Trabalhista que rasgou a CLT. Determinou, por emenda constitucional, o congelamento de investimentos públicos em saúde, educação e moradia em 20 anos. Entregou o pré-sal de bandeja para as empresas estrangeiras. Nós propomos um plebiscito para que o povo brasileiro possa decidir se quer manter ou revogar estas medidas.”

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Para o enfrentamento da desigualdade social, o pré-candidato defendeu a implementação de uma reforma tributária progressiva. “Rico precisa aprender a pagar imposto no Brasil. Quem sustenta o Estado brasileiro são os pobres e trabalhadores da classe média, que é quem paga imposto de verdade. Isto se faz com reforma tributária, com a taxação de grandes fortunas, com tributação de lucros e dividendos”, considerou.

Defesa da democracia

Sobre a adoção de um novo modelo de governabilidade, Boulos afirma que o atual sistema resultou em descrença e desesperança para a maioria da população. “Democracia não é só apertar um botão de quatro em quatro anos e dar um cheque em branco para os políticos fazerem o que quiserem. O povo tem que ser chamado a decidir sobre as questões fundamentais e ser trazidos para o jogo, com plebiscitos, referendos e conselhos, que defina inclusive orçamento público, isto já acontece em vários países do mundo.

Boulos ainda falou de sua presença nos atos públicos que antecederam a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no último sábado (7), em São Bernardo do Campo. Para ele, mais do que uma defesa de Lula, tal participação se traduz em defesa da democracia. “O fato de eu ser pré-candidato não me impede de estarmos juntos em momentos fundamentais, quando a democracia é o que está em jogo. No caso do Lula, é a democracia que está em jogo. Nós não podemos ser coniventes com injustiças. Quando o judiciário se comporta como um partido político, condena sem provas e prende de maneira arbitrária é algo muito maior que está em jogo. Por isto, seguimos na mobilização pela liberdade do Lula”, afirmou, defendendo a interpretação de que, apesar de denúncias contundente, outros nomes da política nacional, como o presidente Michel Temer e o senador Aécio Neves (PSDB), mantêm suas atuações políticas. “Nós defendemos o direito dele (Lula) ser candidato.” Para Boulos, porém, tal defesa não significa que sua candidatura tenha qualquer relação com o projeto do PT e do ex-presidente Lula.

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“Nossas diferenças são claras. Não é à toa que nossa candidatura estava colocada mesmo com Lula como candidato à República. Agora, quando há pontos de unidade, estes pontos precisam ser colocados. O que está em risco é coisa muito séria. Tivemos uma escalada de violência fascista no Brasil, como o assassinato da (vereadora) Marielle (Franco, PSOL), no Rio. A própria caravana do Lula, lá no Paraná, foi alvo de tiros. Temos pessoas destilando intolerância e fazendo debate político com o fígado. Se aqueles que defendem a democracia e querem transformação da sociedade não souberem estar em um mesmo lado para enfrentar estes absurdos, pode ser tarde demais. O Brasil vive tempos sombrios. Em um momento como este, mesmo que existem diferenças claras, precisamos estar ao lado da democracia.”

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