Bruno critica partidarização de movimento
Durante a entrevista para divulgação de novos dados no portal da Transparência, o prefeito Bruno Siqueira (PMDB) não poupou críticas a manifestantes que estiveram na Câmara na tarde anterior, inclusive citando seu repúdio às palavras do diretor da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Oleg Abramov, que contestara, durante audiência pública, a transparência da planilha da Prefeitura. "A manifestação das ruas se transformou em ato de um grupo político. Não admito que setores politizados venham dizer que a planilha da Prefeitura não é transparente."
Em resposta à principal reivindicação dos grupos que estiveram na audiência, a redução imediata no preço da passagem de ônibus, o prefeito reiterou a impossibilidade ser reduzido o valor. Também queixou-se do deputado estadual Durval Ângelo (PT-MG), responsável por denunciar, ao Tribunal de Contas do Estado (TCE), o processo de contratação de empresa especializada para elaboração do estudo técnico de reestruturação do sistema de transporte coletivo urbano de Juiz de Fora, que seria o primeiro passo para a realização de licitação do transporte público coletivo na cidade. "Juiz de Fora teria condições de estudar a redução na tarifa se houvesse a licitação no transporte público. O deputado deve responder ao Município por que impediu o processo licitatório."
O prefeito argumentou, ainda, que a tarifa do ônibus em Juiz de Fora é uma das mais baratas do país, comparando o preço da passagem local ao valor vigente em cidades como Betim, Contagem e Uberlândia, enfatizando o fato de que todas são ou foram governadas pelo Partido dos Trabalhadores (PT).
"Tempo fecha"
Em sessão ordinária da Câmara Municipal, depois da saída do chefe do Executivo, os vereadores Roberto Cupolillo (Betão, PT) e Wanderson Castelar (PT) mostraram-se indignados com as declarações do prefeito. Segundo Betão, a atitude de Bruno caracteriza tentativa de "criminalização" do movimento sindical. "Menos de 12 horas após as manifestações pacíficas de ontem (quinta-feira), o movimento é atacado pelo prefeito, que se recusa a responder às reivindicações dos trabalhadores." Betão afirmou, ainda, que seu partido não partidarizou a discussão, mas Bruno o fez ao criticar o PT.
Castelar afirmou que Bruno teria transformado seu incômodo com o movimento em críticas contra Oleg Abramov. O parlamentar lembrou, também, que, entre os manifestantes, havia pessoas ligadas à juventude do PMDB. "Esses jovens estavam presentes e, ao contrário dos representantes de demais partidos, não se identificaram como tal."









