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Prefeitura assina termo para retomada de obras do Ginásio Municipal

Também foi anunciada entrega de estação elevatória de água no Bairro Carlos Chagas, que pretende otimizar os serviços de abastecimento da Cidade Alta


Por Renato Salles

13/04/2021 às 07h48

A prefeita Margarida Salomão (PT) completou cem dias à frente do comando do Município no último domingo, dia 11 de abril. Em alusão à data, a Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) trabalha para anunciar uma série de ações, que devem ser detalhadas a partir desta terça-feira ou conhecidas nos próximos dias. As movimentações foram confirmadas à reportagem em entrevista exclusiva concedida por Margarida nesta segunda. Entre as ações destacam-se a assinatura de termo para retomada das obras do Ginásio Poliesportivo Jornalista Antônio Marcos e a entrega de uma estação elevatória de água tratada no Bairro Carlos Chagas, que pretende incrementar os serviços de abastecimento da Cidade Alta.

Com relação às obras do ginásio municipal, Margarida afirmou que a intenção é entregar a estrutura à população já no ano que vem. Segundo a prefeita, os recursos para a conclusão da obra já estavam disponíveis, e a atual Administração trabalhou para desobstruir entraves na liberação da verba junto à Caixa Econômica Federal. “Neste primeiro momento, estamos trabalhando para colocar este projeto adiante.”

Margarida disse ainda que trabalho similar foi feito para garantir a entrega da estação elevatória de tratamento de água erguida no Bairro Carlos Chagas, o que será feito nesta terça. “É uma ligação da terceira adutora que vai cobrir o fornecimento de água da Cidade Alta, que hoje depende da Represa de São Pedro.”

“É uma obra que foi contratada no Governo do Custódio (Mattos) e foi sendo executada durante os Governos Bruno (Siqueira) e (Antônio) Almas e entregue no nosso Governo. Trata-se de uma obra do Município”, ressaltou a prefeita, que convidou os ex-prefeitos para a solenidade de entrega da estação. “É um gesto de civilidade política que precisamos voltar a cultivar no Brasil.” A nova estação elevatória deve ser batizada em homenagem ao ex-presidente da Cesama, José Roosevelt Pereira, que faleceu em março deste ano, vítima da Covid-19.

Ainda de acordo com a avaliação da prefeita, além de incrementar o abastecimento de água de toda a Cidade Alta, a nova estação pode trazer resultados positivos com uma utilização mais racional da Represa de São Pedro.

Juiz de Fora Solidária
Um dos reflexos esperados seria a redução das inundações, provocadas pelas chuvas, observadas no Bairro Mariano Procópio. Também deve ser lançada, nesta terça-feira, a campanha Juiz de Fora Solidária, que visa a dar suporte a pessoas em situação de vulnerabilidade social por meio de socorros do ponto de vista alimentar. “Segundo dados do Ministério da Cidadania, temos em Juiz de Fora 118 mil pessoas em situação de vulnerabilidade, o que significa 20,7% da população da cidade. É uma situação terrível”, avaliou a prefeita.

Em entrevista exclusiva, prefeita comentou sobre a intenção de elaborar um orçamento participativo e territorializado e afirmou que tem trabalhado para reduzir gastos (Foto: Fernando Priamo)

Segunda etapa das obras de despoluição do Paraibuna perto de sair do papel

Margarida disse ainda que, nos próximos dias, deverão ser anunciados a finalização da primeira etapa das obras de despoluição do Rio Paraibuna, que foca a calha do rio, e o início dos trabalhos da segunda etapa, concentrada nos córregos de Santa Luzia, São Pedro, Tapera e Matirumbide. “Estes trabalhos estavam parados há oito meses, e foi outra situação que trabalhamos para destravar os recursos.”

Outras ações ainda foram tratadas pela prefeita durante a entrevista. Nos próximos dias, a Prefeitura deve dar uma solução para uma ocupação irregular que fica próxima à MG-267, conhecida como Vila Santo Antônio. Segundo a prefeita, a ocupação se encontra em área de risco. “Vamos transferir essas pessoas para uma área especial de interesse social na proximidade, mantendo a comunidade naquele local.”

‘Desenrola JF’
A PJF também trabalha para lançar um projeto de incentivo ao empreendedorismo, intitulado “Desenrola JF”. “Com isso, queremos facilitar empreendimentos, além de criar a Sala do Empreendedor, no Paço Municipal, para a prestação de serviços como assessoria.” A prefeita também projetou, para breve, o início da elaboração de um orçamento participativo e territorializado e afirmou que tem trabalhado para reduzir gastos, como, por exemplo, com a desocupação de um prédio usado há anos pela Prefeitura no Bairro Ladeira, que tem custo mensal de R$ 45 mil de aluguel.

Objetivo é imunizar 25% da população até o fim de maio

Margarida Salomão ainda falou sobre os planos para a sequência da campanha de vacinação contra a Covid-19 em Juiz de Fora. A prefeita comentou críticas que sua gestão recebeu durante a primeira quinzena de março sobre um possível atraso no andamento dos trabalhos de imunização na cidade que, claramente, acentuaram-se a partir da segunda quinzena do mês passado.

“A falta da vacina tem que ser sublinhada. Nós, prefeitos e prefeitas, fazemos a gestão do dia a dia e estamos na boca do leão. O governante que está aqui sou eu. Não é o Zema e o Bolsonaro. Então, uma questão que o Bolsonaro deveria responder, que é a falta da vacina, acaba tendo que ser respondida pelos prefeitos e não problematizamos a falta dos imunizantes”, avaliou.

Diante do atual cenário de vacinação na cidade, que mobiliza grande parte das unidades básicas de saúde de Juiz de Fora, além de ações pontuais em clubes, como o Sport Club Juiz de Fora e o Esporte Clube Benfica, e na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), a prefeita considera que a cidade teria condições de avançar significativamente na imunização de seus cidadãos ainda no primeiro semestre, caso os imunizantes cheguem ao município.

Neste recorte, a prefeita destaca que as vacinas que integram o Plano Nacional de Vacinação (PNI) não preveem, por exemplo, a imunização de menores de 18 anos. “A população vacinável é de cerca de 400 mil pessoas. Dessas 400 mil, já imunizamos, por completo 5%, com as duas doses. Neste ritmo, podemos apontar que, no início de maio, teremos 25% da população alvo da vacinação imunizada. O que significa que se nós tivéssemos vacina, até o fim do primeiro semestre, estaríamos com toda a população vacinada”, avaliou.

PJF chegou a estudar compra de vacina russa

Antes de ser empossada no comando da Prefeitura, ainda no dia 19 de dezembro de 2020, a então prefeita eleita Margarida Salomão anunciou a assinatura de um memorando junto ao Instituto Butantan para a compra de um milhão de doses da CoronaVac. A aquisição dos imunizantes por parte do Município, todavia, acabou impossibilitada após o instituto paulista firmar acordo de exclusividade com o Ministério da Saúde, responsável pela distribuição dos antivirais.

Ante ao entrave na possibilidade de compra das vacinas junto ao Butantan e também do atraso no desenvolvimento do Plano Nacional de Imunização conduzido pelo Governo federal, por meio do Ministério da Saúde, a prefeita Margarida Salomão afirmou que chegou a estudar a aquisição de doses da Sputnik V, produzida na Rússia. “Avançamos no sentido de adquirir a Sputnik, mas recuamos, pois não havia previsão de entrega. Tentamos várias alternativas”, revelou.

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Comando do Museu Mariano Procópio deve passar por adequações

A prefeita Margarida Salomão revelou ainda que instalou, nesta segunda-feira, um grupo de trabalho para discutir a situação da gestão do Museu Mariano Procópio (Mapro). Deve ser avaliada a possibilidade de a Prefeitura encaminhar à Câmara Municipal um projeto de lei para rever o modelo de indicação do responsável pela direção técnica do espaço cultural.

No atual modelo, o nome do diretor do museu é escolhido a partir de uma lista tríplice apresentada pelo Conselho dos Amigos do Museu. O grupo, inclusive, já entregou à prefeita uma relação com os nomes do ex-diretor-superintendente do Mapro, Douglas Fasolato, que ocupou o cargo entre 2009 e 2017; da museóloga Alice Colucci (a única que não é membro do colegiado); e da historiadora, bibliotecária e arquivista Maria Lúcia Ludolf de Mello.

Segundo Margarida, a intenção é de que o indicado pelo Conselho Amigos do Museu tenha mais um papel de curadoria, enquanto a direção da entidade fique à cargo de um quadro técnico, cuja escolha poderá ficar a cargo do Poder Executivo. “Estamos distinguindo (as funções). O Mapro é um bem do Município de Juiz de Fora. Alfredo Ferreira Lage testamentou para o Município e não para os amigos.”

A prefeita revelou ainda que a questão será alvo de ampla discussão, que deve reunir integrantes do Executivo, da Câmara Municipal, da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), da Funalfa e intelectuais agentes culturais da cidade, além de, é claro, representantes do Conselho Amigos do Museu.

Prefeita destaca ‘inclusão’, ‘integração’ e ‘diálogo’ como traços de sua gestão

Questionada sobre uma avaliação de seus primeiros dias à frente da Prefeitura, a prefeita avaliou que assumiu o Governo em um momento muito turbulento, ao qual chamou de “tempestade perfeita”. “Começou, inclusive, com uma tempestade literal. Depois, vimos a tempestade perfeita do ponto de vista metafórico”, disse, lembrando as fortes chuvas que castigaram Juiz de Fora nos primeiros dias de 2021, que demandaram esforços diversos e os primeiros testes da nova Administração.

“Estamos aqui para responder a estes problemas que são muito graves. Estamos em um momento de calamidade política no país”, avaliou, citando, por exemplo, o imbróglio envolvendo a aprovação do orçamento federal para o exercício financeiro de 2021. “Isso nos impacta diretamente, uma vez que muitas de nossas receitas e programas decorrem do orçamento federal.”

Diante de tantas dificuldades, Margarida considerou que seu Governo tem três traços característicos. Um deles é o da inclusão, com ampla participação de mulheres e negros no primeiro escalão da Administração, por exemplo. Outros pontos destacados são a integração e a articulação dos setores diversos do Governo, em ações de zeladoria, de fiscalização e, até mesmo, para o andamento da campanha de vacinação contra a Covid-19.

Para a prefeita, as conversas entre os setores da PJF otimizam os trabalhos e reduzem custos. Por fim, a prefeita ressalta o diálogo como uma das marcas de sua gestão, citando a Mesa de Diálogo que resultou na abertura da passagem de nível no Bairro Poço Rico, ainda em janeiro, primeiro mês de seu mandato.

“Mas não só isso. Por exemplo, temos, neste momento, dois grupos de trabalho sobre as situações funcionais de trabalhadores do Demlurb e de agentes de saúde, que não se resolvem há 30 anos, para discutir situações problemáticas. Estamos remontando todos os conselhos”, pontuou. A prefeita ainda citou o Fórum pela Vida criado para monitorar a situação da pandemia na cidade, que, segundo ela, mantém canal aberto para ouvir os diversos setores da sociedade na busca por soluções conjuntas.

Retomada da economia é desafio para o segundo semestre

Após fazer um balanço de seus primeiros cem dias à frente da Prefeitura, a prefeita mostrou-se ligeiramente otimista e colocou como principal desafio para o segundo semestre de seu primeiro ano de mandato a retomada da economia e da vida cotidiana em Juiz de Fora. Para isto, Margarida aposta em uma melhoria dos indicadores da pandemia da Covid-19, com um possível avanço da campanha de vacinação nos próximos meses.

“O grande desafio que nós temos é o da retomada. Estamos respondendo a um cenário que não é da nossa escolha. Mas temos que pensar na retomada da educação, na retomada econômica e na retomada da vida da cidade”, disse, destacando ações emergenciais para o combate à pandemia tomadas por seu Governo, como o aumento de 58% dos leitos públicos de UTI reservados à Covid-19 de janeiro para cá.

“Nossa próxima agenda é como vamos virar a página da pandemia, pois ela vai passar. Esse é o desafio para o segundo semestre. Para isto espero que, até lá, já tenhamos avançado o suficiente na vacinação”, sinalizou, reconhecendo que medidas restritivas de fechamento de atividades de comércio e serviços trazem preocupação para o Município.

Para justificar avaliação mais esperançosa, Margarida avalia que o período de fechamento de atividades presenciais, atualmente pela onda roxa do Minas Consciente, já resulta em queda dos indicadores da pandemia, como, por exemplo, redução na taxa de contágio e no número de novos casos.

Câmara recebe protocolo de pedido de impeachment

Em meio às movimentações em alusão aos primeiros cem dias do Governo Margarida Salomão, a Câmara Municipal confirmou à reportagem o recebimento, na última sexta-feira, do protocolo de um pedido de impeachment contra a atual prefeita.

O pedido tem a assinatura de uma jornalista residente na cidade e leva em conta a conduta da prefeita na gestão da pandemia como, por exemplo, os decretos que resultaram no fechamento do atendimento presencial de atividades comerciais e de serviços e também a suspensão do funcionamento do transporte coletivo urbano entre 20h e 5h, que ocorreu nos dias 15 e 16 de março.

O Poder Legislativo, todavia, ainda não se manifestou sobre o pedido.

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