Bruno diz que é cedo para aliança
O caminho traçado por PT e PMDB para construção de uma aliança forte em Minas com vistas à reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT) e à eleição do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel (PT), para o Governo de Minas pode não ser tão tranquilo como vislumbram as direções nacionais dos dois partidos. Depois de o deputado federal Leonardo Quintão (PMDB) ameaçar romper com a legenda caso não haja candidatura própria no estado e os deputados estaduais José Henrique (PMDB) e Vanderlei Miranda (PMDB) desconversarem sobre a retomada do bloco PT-PMDB-PCdoB-PRB na Assembleia de Minas, o prefeito Bruno Siqueira (PMDB) considerou ser muito cedo para falar da aliança. "Essa questão requer ainda muita discussão interna. As conversas estão apenas começando e, como sempre se disse na política mineira, muita água ainda vai passar debaixo da ponte." Ele não revelou qual será seu posicionamento, mas confirmou o propósito de participar das articulações. "Com certeza, até por conta de representarmos o maior município administrado pelo PMDB em Minas, seremos ouvidos e daremos nossa contribuição."
Embora tenha herdado do ex-presidente Itamar Franco a condição de aliado do senador Aécio Neves (PSDB), o prefeito vem mantendo certo distanciamento da aliança entre PMDB e PT devido a questões locais. Em recente encontro com vereadores da base aliada, ele teria revelado sua tranquilidade em apoiar qualquer candidato em 2014 dada a postura oposicionista adotada pelo diretório local do PT. Não só Bruno, mas também a bancada peemedebista na Câmara condenou o fato de os petistas juiz-foranos terem declarado oposição antes mesmo do início da atual administração. Como não bastasse, a ida do ex-vereador Flávio Cheker (PT) para a Secretaria e Assistência Social foi desautorizada pela executiva municipal da legenda. Para assumir a função, Cheker teve que se afastar das atividades partidárias. Mais recentemente, no final de abril, o vereador Wanderson Castelar (PT) elevou o tom e abriu artilharia pesada contra o Governo. Desde então, os embates na Câmara Municipal têm sido acalorados, quase sempre protagonizados pelo petista, para quem os primeiros seis meses já foram suficientes para Bruno mostrar a que veio.
As divergências locais, no entanto, não devem atrapalhar a unidade entre PT e PMDB em Minas e no Brasil. A avaliação é do deputado federal e presidente estadual petista, Reginaldo Lopes, para quem os interesses maiores devem falar mais alto. "Os dois partidos lutam pela mesma causa no estado e no país. Por isso, é natural que estejam no mesmo palanque em 2014. As decisões locais não podem se sobrepor ao projeto de alinhamento dos governos federal e estadual." O petista lembrou que casos como o de Juiz de Fora deixaram de ser novidade na formação de alianças. "No Rio Grande do Sul, o PMDB é oposição ao PT, mas nacionalmente os dois estão juntos." Para o dirigente, o fato de o prefeito caminhar dentro da unidade entre peemedebistas e petistas no estado e no país pode sinalizar para o fim das divergências em Juiz de Fora. O presidente do diretório local petista, Rogério Freitas, ao falar sobre a questão, também amenizou as diferenças locais. "Pelo resultado da eleição (de 2012), a população nos colocou numa condição de oposição pragmática. Estamos exercendo um papel fiscalizador."
Mesmo no PMDB, a questão local é vista como dos problemas o menor. Para o deputado estadual e secretário-geral do PMDB, Sávio Souza Cruz, a aliança nacional entre petistas e peemedebistas contribui para que as duas legendas venham adotar uma estratégia comum em Minas. "Temos uma parceria nacional e vamos reeditá-la no estado. Não vejo problema quanto a isso. O Bruno quando esteve conosco aqui na Assembleia integrou o nosso bloco. Agora, a situação municipal não deve ser um entrave." O parlamentar antecipou também que a candidatura do PMDB ao Governo não está descartada, mesmo com a aliança sendo discutida. "Não estamos falando de candidatura única de quem quer que seja. Isso pode acontecer ou não." Tanto para a questão de candidatos quanto para a definição da aliança, Sávio assegurou que o prefeito será consultado. "O Bruno é a maior liderança política do PMDB de Minas. É claro que ele será ouvido e respeitado."
Clésio e Quintão admitem lançar candidaturas
Com ou sem estratégia comum com o PT, o PMDB tem nomes próprios para disputar o Governo. No caso de caminhar com o propósito de dividir o eleitorado com três candidaturas fortes – além da peemedebista, a tucana e a petista – , o partido deve lançar o senador Clésio Andrade (PMDB) como candidato ao Palácio Tiradentes. Internamente, ele já vem tratando de consolidar sua pré-candidatura. Em recente encontro com o presidente da Câmara de Juiz de Fora, vereador Júlio Gasparette (PMDB), o senador assegurou sua entrada no páreo independentemente do desfecho da aliança com o PT. Sua avaliação é de que devido à grande penetração da sigla no estado é possível chegar ao segundo turno. Nessa condição, passando também para fase final o candidato do PSDB, os petistas apoiariam Clésio.
Na hipótese de o PMDB seguir caminho independente, sem diálogo com o PT, quem deve se colocar como opção é o deputado federal Leonardo Quintão (PMDB). Declaradamente em rota de colisão com o Governo federal, desde quando foi preterido na escolha para ocupar o ministério da Agricultura, que acabou nas mãos do deputado federal Antônio Andrade (PMDB), Quintão está disposto a entrar no páreo justamente como forma de contrariar os desígnios do Planalto em Minas. Nesse sentido, ele afirmou que, no momento oportuno, vai encaminhar um pedido de informação à direção estadual peemedebista quanto à possibilidade de se ter ou não candidatura própria ao Palácio Tiradentes. Caso não haja possibilidade de lançar-se na disputa, o deputado não descarta até deixar o partido.
Pimentel quer evitar disputa interna
Com ou sem o PMDB, o PT sabe que terá candidatura própria ao Governo de Minas. Não apenas isso. Diferentemente das últimas disputas estaduais, o partido também já sabe quem será o candidato: Fernando Pimentel. O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior conseguiu unir os petistas em torno do seu nome a um ano das eleições. Seu otimismo é tamanho que até mesmo a disputa pelo comando petista mineiro pode terminar em consenso. Para isso, um time de articuladores entrou em campo nas últimas semanas. Como o processo de eleições diretas (PED) está previsto apenas para novembro, haverá tempo para as articulações. Até o momento, dois nomes foram colocados. O grupo ligado ao ex-ministro Patrus Ananias indicou a secretária de Finanças do partido, Gleide Andrade. Do outro lado, com o apoio do secretário geral da legenda em Minas, deputado estadual Durval Ângelo, e dos deputados federais Miguel Corrêa e Nilmário Miranda, foi lançado o deputado federal Odair Cunha.
Com o Governo de Minas sem candidatura natural e o PMDB dividido em dois projetos, Pimentel aparece como favorito nos levantamentos feitos a pedido dos partidos. Para manter a dianteira, ele tem intensificado as viagens ao interior do estado. Por outro lado, possíveis adversários tem criticado suas condutas à frente do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Em recente evento com prefeitos da Zona da Mata, o deputado federal Júlio Delgado (PSB) lamentou o fato de Pimentel ter assinado a concessão de crédito de US$ 176 milhões para modernização de aeroportos em Cuba enquanto o Aeroporto Regional Presidente Itamar Franco deixava de receber voos comerciais.









