Operação Carbono Oculto mira executivos do Banco Genial e investigado ligado ao Banco Master em Minas
Terceira fase da operação cumpre mandados em sete estados e apura suspeitas de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio na compra de distribuidora de combustíveis
A Operação Crédito Oculto, terceira fase da Operação Carbono Oculto, deflagrada nesta quinta-feira (24) pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) e pela Receita Federal, tem entre os alvos um executivo do Banco Genial e um empresário ligado às investigações envolvendo o Banco Master. Em Minas Gerais, a ação cumpre um mandado de busca e apreensão em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
Ao todo, são cumpridos mandados contra 13 pessoas físicas e 19 empresas em sete estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Santa Catarina e Espírito Santo. A investigação apura suspeitas de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio relacionadas à aquisição de uma grande distribuidora de combustíveis.
O principal alvo da operação é Humberto Arthur Tupinambá Neto, executivo do Banco Genial. Os irmãos dele, André e Bruno Tupinambá, também são investigados. Antônio Carlos Freixo Júnior, proprietário da Entre Investimentos e citado em apurações envolvendo o Banco Master, está entre os alvos.
Segundo a Receita Federal, a investigação identificou uma estrutura financeira que teria sido usada inicialmente para ocultar os verdadeiros proprietários de uma usina sucroalcooleira no interior de São Paulo. Posteriormente, o modelo teria sido utilizado na aquisição de uma das maiores distribuidoras de combustíveis do país.
Investigação aponta estrutura para ocultação de patrimônio
Conforme a apuração, a titularidade formal da usina teria sido distribuída entre fundos de investimento e empresas aparentemente independentes. Para os investigadores, porém, o grupo teria mantido o controle econômico do negócio sem revelar os beneficiários finais.
Um dos negócios analisados envolve cerca de R$ 370 milhões em direitos creditórios da usina. De acordo com a Receita, parte dos recursos utilizados na operação teria origem em fundos controlados pelo mesmo grupo investigado, criando um fluxo de valores que dificultaria o rastreamento da origem do dinheiro.
A investigação aponta que, posteriormente, a estrutura teria sido utilizada para financiar a aquisição da distribuidora de combustíveis. Segundo a Receita Federal, R$ 100 milhões enviados pela organização investigada chegaram às contas da usina e foram usados na operação.
Os investigadores também identificaram a circulação dos recursos por contas de empresas e fintechs. O dinheiro teria passado por estruturas utilizadas como “contas de passagem” antes de chegar à usina.
Após a movimentação, os R$ 100 milhões teriam sido transferidos para um fundo de investimento criado para a operação. A apuração cita ainda o uso de um certificado de depósito bancário vinculado (CDBV) e de duas cédulas de crédito bancário relacionadas a empresas apontadas como de fachada.

Fundos imobiliários também são investigados
A Receita Federal informou que os investigadores identificaram ainda o uso de fundos imobiliários na estrutura analisada. Segundo o órgão, imóveis ligados à operação teriam sido transferidos para empresas patrimoniais e, depois, para fundos.
A suspeita é de que os bens continuassem sob controle econômico dos investigados, mas deixassem de aparecer diretamente em seus patrimônios pessoais, dificultando a identificação dos proprietários e criando uma blindagem patrimonial.
De acordo com a investigação, as empresas e estruturas financeiras teriam funções específicas: fintechs seriam utilizadas para circulação e fragmentação dos recursos; a usina, para recebimento dos valores; fundos, como financiadores; e holdings e empresas-veículo, para intermediar a aquisição dos ativos.
Empresa teria movimentado R$ 11,6 bilhões
Outro ponto da investigação envolve uma empresa financeira que teria participado das operações analisadas. Segundo a Receita Federal, entre 2021 e 2025, a companhia movimentou aproximadamente R$ 11,6 bilhões.
Para o órgão, o volume financeiro e outros elementos reunidos na apuração reforçam os indícios de possível uso da estrutura para ocultação patrimonial, dissimulação da origem dos recursos e lavagem de capitais.
A Operação Crédito Oculto é um desdobramento da Operação Carbono Oculto, que investiga a atuação de organizações criminosas no setor de combustíveis e possíveis conexões com estruturas financeiras.
A Tribuna de Minas entrou em contato com as empresas e representantes citados na Operação Carbono Oculto para solicitar posicionamento sobre a investigação e os mandados cumpridos nesta quinta-feira (24). O espaço permanece aberto para manifestações.
Texto reescrito com o auxílio do Chat GPT e revisado por nossa equipe
















