Carnaval Antigo, serestas e história: o que fazer em Conservatória, a menos de 3 horas de Juiz de Fora
Distrito de Valença, no Vale do Café, é conhecido por charme e tradição musical

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Um carnaval fora de época em um lugar com pouco mais de quatro mil habitantes, com direito a atrações históricas, tradição musical e o charme do interior. Essas são apenas algumas coisas que fazem de Conservatória, no Rio de Janeiro, a duas horas e meia de Juiz de Fora, um destino digno de roteiro de viagem. Em outubro, o distrito de Valença realiza seu famoso Carnaval Antigo, que resgata marchinhas, pierrôs e bailes com programações musicais e culturais.
Criado para resgatar a folia nos moldes das décadas de 1920 e 1930 no Rio de Janeiro, o Carnaval Antigo, que é gratuito, enche as ruas de Conservatória com serpentinas, confetes, marchinhas clássicas, carros antigos e muita música. Neste ano, a festa acontece entre os dias 9 e 31 de outubro, sempre aos finais de semana, e a dica é se planejar com antecedência, já que o distrito costuma encher.
Para aqueles que desejam aproveitar os dias do carnaval sem se preocupar, é possível preencher um formulário de cadastro para ônibus, para que a locomoção dentro de Conservatória fique mais fácil. A organização do evento espera, todos os anos, uma movimentação expressiva no comércio e setor hoteleiro do distrito, que se prepara para receber turistas de todo o país.
Entre os destaques da programação, que acontece nas ruas centrais e em praças, como a Praça da Matriz e a Praça de Baixo, além da Tenda Cultural, estão os grupos Banda Carioca, Banda Progresso, grupo US3 e Movimento Qualquer Tom, além de blocos de carnaval e rodas de samba. As apresentações acontecem entre sexta-feira e domingo de cada semana do mês e a programação completa pode ser conferida nas redes sociais.
O que fazer em Conservatória
Além do Carnaval Antigo, o distrito de Valença também possui atrações turísticas que podem ser visitadas durante a estadia, que vão do ecoturismo à cultura. O distrito também possui opções gastronômicas e de comércio que integram o charme de cidade histórica com a modernidade.
Famosa por sua tradição de serestas, Conservatória abriga o Museu da Seresta e Serenata, casa construída originalmente no século 19 e que serviu de residência para os irmãos Joubert e José Borges, que integraram um dos mais famosos grupos de seresteiros da região. A casa recebeu esse nome pela tradição de José Borges de colar em suas paredes internas frases de músicas, retratos e notícias sobre a seresta.

Ainda sobre os seresteiros, o Museu Silvio Caldas foi criado em homenagem ao seresteiro Silvio Caldas, aos cantores Nelson Gonçalves e Gilberto Alves e ao compositor Guilherme de Brito. O acervo do museu abriga objetos, reportagens, fotos e roupas dos cantores, estando aberto para visitação às sextas-feiras, sábados e domingos.
A Casa de Cultura de Conservatória também merece a visita. Construída em 1858 no centro do distrito, a casa conta com sessões de seresta todas as sextas e sábados, às 20h, além de guardar o acervo do Museu da Seresta. A entrada é gratuita.
Uma das principais atrações turísticas de Conservatória é o Túnel Maria Konaid Nossar, conhecido popularmente como túnel que chora. Construído em 1879, o túnel é todo de pedra, sem qualquer revestimento, iluminado por lampiões antigos com iluminação elétrica e com calçamento em pé-de-moleque e foi erguido com mão de obra escravizada, no auge do ciclo cafeeiro.

O túnel ganhou seu apelido por ter sido construído próximo a uma nascente localizada na parte superior da montanha, que se infiltra pelas pedras e escorre constantemente pelas paredes e pelo teto. O local possui suas próprias lendas, como a crença popular de que deixar três gotas de água do teto caírem sobre a cabeça traz sorte, felicidade e realizações e que, se uma pessoa conseguir atravessar o túnel a pé contando exatamente 137 passos sem errar, seu pedido de amor se realizará.
Conservatória também possui um circuito de cachoeiras, com direito a rapel, trilha em meio à natureza e pôr do sol na Serra da Beleza. O Bairro do Destino, na Serra da Taquara, reúne a Cachoeira do Destino, Cachoeirinha, Cachoeira do Jovino e Cachoeira do João de Barro. Para aqueles que gostam de aventuras como andar de quadriciclo, também é possível realizar a atividade, desde que com a supervisão adequada.
Em meio a serestas, folia e natureza, Conservatória também tem restaurantes, hotéis e pousadas para garantir momentos de descanso na programação e, claro, fazendas históricas. A dica é conferir a Fazenda Ouro Verde, que promete uma autêntica viagem ao século 19. Para os interessados, é necessário realizar agendamento para visitar durante a semana.
E para aqueles que adoram um doce, Conservatória tem a sua própria fábrica de chocolate, a Parada do Chocolate. A loja integra a rota turística entre Conservatória e Ipiaba e, além de chocolates finos, também conta com apresentações musicais.

Conservatória possui diversas lojas de artesanato, cachaça e outros atrativos, além da famosa Locomotiva Maria Fumaça, monumento histórico com visitação gratuita – e que, atualmente, não está em operação.
*Estagiária sob a supervisão da editora Cecilia Itaborahy









