Megaoperação que resultou em 117 mortes no Rio entra em nova fase com ações em Minas Gerais
Principal alvo de megaoperação foi preso nesta terça, conhecido como “Mentor de Barricadas”
A Megaoperação Contenção – que culminou na ação mais letal da história, em que morreram 117 pessoas nos Complexos do Alemão e da Penha, no final de outubro, entrou em uma nova fase nesta terça-feira (18). Segundo a Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, ações estão ocorrendo em Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.
Até o momento, 15 pessoas foram presas e outros mandados de prisão, busca e apreensão continuarão sendo cumpridos durante o dia. Dentre os presos está o principal alvo da operação, o homem considerado como o “Mentor de Barricadas”, apontado como responsável pelo financiamento das barreiras construídas nos territórios de confronto entre a polícia e o tráfico, e que impedem o avanço dos agentes de segurança pública. Ele foi preso em sua residência, na zona oeste da capital fluminense. No local os policiais encontraram uma grande quantidade de dinheiro em espécie, que ainda será contabilizada.
O “Mentor das Barricadas” é apontado como o responsável por fornecer materiais para construção e reforço de barreiras em comunidades dominadas pela facção. A investigação apontou que o homem se apresentava como empresário do ramo de reciclagem, mas, na verdade, era o líder do braço financeiro do CV.
Parte do dinheiro destinado a construção e manutenção das barricadas vinha da receptação e comercialização de cobre e outros metais furtados. O “Mentor das Barricadas” era o responsável por lavar o dinheiro originado da receptação e atuava como um elo entre os ferros-velhos e o tráfico de drogas, para promover a integração logística e financeira da organização criminosa.
Ainda de acordo com a Polícia Civil, esses ferros-velhos ligados ao tráfico de drogas funcionavam como núcleos de lavagem de dinheiro e de apoio operacional. Segundo a Polícia Civil, eles ajudavam não somente a financiar a instalação e reconstrução das barreiras, mas também a custear os gastos com vigilância armada, manter pontos de venda de drogas e fortalecer o controle territorial em comunidades da zona norte do Rio de Janeiro, Baixada Fluminense e Região Metropolitana.
As análises financeiras realizadas pela Delegacia de Roubos e Furtos (DRF) identificaram uma movimentação ilícita superior a R$ 217 milhões, valor incompatível com as atividades declaradas pelos investigados.
Com base nas provas, a Justiça autorizou o bloqueio de integral de valores e ativos financeiros vinculados ao CV e seus operadores, o sequestro de imóveis de luxo no Recreio dos Bandeirantes, bairro nobre da zona oeste da capital fluminense, que são utilizados para blindagem patrimonial, e o sequestro de veículos de alto padrão, que pertencem ao núcleo financeiro da facção. Além disso, também foi autorizada a interdição de oito ferros-velhos.
“Essa fase da ‘Operação Contenção’ representa um golpe direto na espinha estrutural e econômica do Comando Vermelho, visando asfixiar financeiramente a facção e restringir sua capacidade de domínio territorial”, disse o secretário de Polícia Civil, delegado Felipe Curi.









