Janeiro Roxo: Minas Gerais passa a oferecer testes gratuitos para diagnóstico de hanseníase

Testes permitem diagnóstico precoce da doença, aceleram tratamento e interrompem transmissão


Por Fernanda Castilho

07/01/2026 às 06h00

Minas Gerais passa a oferecer, a partir de agora, testes para o enfrentamento à hanseníase na rede pública de saúde. A oferta faz parte das ações do Janeiro Roxo, mês de conscientização e combate à doença infecciosa. Os testes são realizados pela Fundação Ezequiel Dias (Funed), vinculada à Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), auxiliando no diagnóstico e no acompanhamento do tratamento.

Segundo a pasta estadual o oferecimento dos testes amplia o apoio ao diagnóstico da doença, especialmente no acompanhamento de casos já confirmados e na definição mais precisa da conduta terapêutica. Em nota divulgada pela Agência Minas, o secretário de Estado de Saúde, Fábio Baccheretti, disse que o fortalecimento da rede de cuidados começa na Atenção Primária à Saúde. “A hanseníase é uma doença histórica, muitas vezes esquecida, mas que continua presente. Em Minas, são mais de mil casos notificados todos os anos, e há pessoas que convivem com a doença sem saber. Por isso, prevenção e diagnóstico precoce fazem toda a diferença.”

Como reforça Baccheretti, ao perceber manchas na pele, alteração de sensibilidade ou tiver alguma dúvida, a pessoa deve procurar uma unidade de saúde, o lugar de acolhimento, orientação e encaminhamento. Quando o tratamento, oferecido de forma gratuita, é iniciado precocemente, interrompe a transmissão, destaca o secretário.

Avanço no diagnóstico em Minas

A Funed recebeu kits do Ministério da Saúde para a execução inicial de mais de 280 testes moleculares. Segundo a Agência Minas, a oferta é inédita na rede pública estadual. Em Minas Gerais, a realização ocorre no Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen-MG), o que reduz o tempo de resposta, já que anteriormente as análises concentravam-se em apenas três laboratórios de referência no país. 

Minas Gerais apresenta índices de detecção historicamente abaixo da média nacional, com 1.294 casos registrados em 2024 e 1.080 em 2025. Para obter sucesso no combate à hanseníase, a SES-MG tem como prioridade o fortalecimento da Atenção Primária à Saúde, a capacitação das equipes municipais e a ampliação da identificação precoce dos casos. 

Informação e atenção aos sinais são essenciais

O diagnóstico da hanseníase é realizado nas unidades de saúde, sendo essencialmente clínico e dermatoneurológico. O tratamento é gratuito e está disponível na rede pública, que consiste na poliquimioterapia, durando de seis a 12 meses, conforme a forma clínica da doença. Após a primeira dose dos medicamentos, o paciente já não transmite a hanseníase.

O médico dermatologista e hansenologista Yargos Rodrigues Menezes explica que a doença afeta principalmente a pele e os nervos periféricos. “Os sinais incluem manchas com alteração de sensibilidade, caroços, feridas que não cicatrizam e queimaduras que o paciente não sente. O tratamento começa no mesmo dia do diagnóstico e garante a cura”, afirma.

Como explica o médico, a hanseníase ainda é marcada pelo estigma, o que contribui para diagnósticos tardios, por isso, ampliar a informação é essencial para mudar esse cenário. “Informação de qualidade ajuda a desconstruir o preconceito e evita sequelas irreversíveis”, destaca.