Café raro de Minas chega a R$ 100 mil por saca e mira mercado de luxo

Produção de café raro em Carmo de Minas coloca o Brasil em disputa por espaço no segmento internacional de alto padrão


Por Agência Content Box

02/04/2026 às 11h14

Um café raro produzido em Carmo de Minas, no Sul de Minas, tem ganhado espaço no mercado internacional por reunir características incomuns e alcançar preços muito acima dos praticados no setor. Da variedade eugeniodes, o produto pode chegar a US$ 20 mil por saca, o equivalente a cerca de R$ 100 mil, e passou a ser apontado como uma aposta brasileira no segmento de luxo.

A produção é conduzida pelo cafeicultor Luiz Paulo Dias Pereira, que cultiva o grão na Serra da Mantiqueira, em áreas com altitude entre 1.200 e 1.500 metros. De acordo com ele, a proposta é inserir o Brasil em um mercado ainda restrito e dominado, principalmente, por outros países reconhecidos pelos cafés especiais.

O eugeniodes é uma espécie ancestral que participou da formação do café arábica. Entre as características mais valorizadas estão o sabor mais doce, o baixo teor de cafeína e a quase ausência de amargor. Esses fatores ajudam a explicar o interesse de compradores internacionais e o valor alcançado pelo produto.

Segundo o produtor, a raridade começa no campo. “A característica desse café é bem clara. Enquanto um café tradicional produz cerca de 50 sacas por hectare, o eugeniodes produz duas sacas por hectare”, explica, em entrevista à Rede Mais.

Luiz Paulo integra a quarta geração de uma família que cultiva café há cerca de 200 anos. Desta vez, decidiu investir comercialmente na variedade para buscar espaço em um nicho mais valorizado fora do padrão tradicional do mercado. “A gente vinha procurando uma oportunidade de colocar o Brasil nesse mercado de luxo, que hoje é dominado por países como Panamá e Etiópia. É um mercado que ainda falta coragem para explorar”, afirma.

O cultivo, no entanto, exige atenção constante. Por não ter passado por melhoramento genético, o eugeniodes é mais sensível e demanda acompanhamento frequente. “Qualquer ‘gripinha’ pode afetar muito a planta. É preciso acompanhamento praticamente diário, porque a recuperação não é fácil”, compara o produtor.

Mesmo com o preço elevado, a procura supera a oferta. Segundo Luiz Paulo, há compradores de países como Arábia Saudita, Emirados Árabes, França e Taiwan, e a produção disponível já não atende toda a demanda. “Hoje eu posso dizer que estou sobrevendido. Tenho mais gente querendo comprar do que café disponível”, diz.

Para comparação, uma saca de 60 quilos de café arábica comum é vendida, em média, por cerca de US$ 300 no mercado internacional, valor muito abaixo do registrado pelo eugeniodes.

O produtor também passou a receber reconhecimento no setor. Em outubro de 2025, ele foi incluído entre as chamadas “lendas” do café especial mundial, grupo formado por apenas seis nomes. Para Luiz Paulo, o destaque tem relação com a cafeicultura brasileira. “Isso não é só meu. É um reconhecimento do trabalho do Brasil na cafeicultura”, destaca.

A aposta, agora, é consolidar a presença do país em uma faixa mais valorizada do mercado global. “É um produtor tentando colocar o nome do Brasil na história dos cafés especiais pelo mundo”, conclui.

Texto reescrito com o auxílio do Chat GPT e revisado por nossa equipe

Resumo desta notícia gerado por IA

  • Um café raro produzido em Carmo de Minas pode chegar a US$ 20 mil por saca no mercado internacional.
  • Da variedade eugeniodes, o grão se destaca pelo sabor doce, baixo teor de cafeína e quase ausência de amargor.
  • A produção é limitada, com rendimento muito inferior ao do café tradicional, o que amplia a raridade do produto.
  • Segundo o produtor, a procura internacional já supera a quantidade de café disponível para venda.