Nada no balaio: Balotelli
Talvez pela sua história ou pela aversão nata ao politicamente correto, todo brasileiro tem uma queda pelos tipos quixotescos, os Macunaímas, os anti-heróis. Gastam-se laudas e mais laudas há anos com histórias de Heleno de Freitas, Mané Garrincha, Ronaldinho e Adriano. São esses os tipos prediletos dos bons cronistas esportivos. Com eles em pauta, nada é insosso, nada é previsível. Mesmo os tradicionais e chatos bordões perdem o sentido.
Até a esperança nossa de cada dia depende dos anti-heróis, afinal, são eles os inventores do inesperado. A Seleção Brasileira de 2010 era politicamente correta como o Dunga. Jogava um futebol burocrático e esperado. Fossem surpreendidos, como foram, não havia recurso para reação. Não se podia esperar milagre de ninguém. O Barcelona também é assim. Toca a bola numa chatura sem fim, mas tem um milagreiro: Messi.
Romário, que sabe como poucos os meandros do anti-heroismo, gostaria de ver Jobson ao lado de Neymar em 2014. Ele sabe como as coisas funcionam de verdade. O Corinthians quase termina sua jornada pelo inédito título da Libertadores sem um ídolo para amar. De repente, surge do nada um personagem com um nome para lá de suspeito – Romarinho – e promove o inesperado. Chegou quem faltava.
Mas o Macunaíma da semana foi o atacante italiano Mario Balotelli. Não fosse ele, a Eurocopa acabaria com o vaidoso Cristiano Ronaldo como seu principal personagem. Pior: a obviedade de alguns analistas de plantão iria prosperar. Mas, do jogador mais complicado, mais confuso e mais problemático, veio o inesperado, o resgate da maior beleza do futebol. Balotelli foi nietzscheano: É preciso ter um caos dentro de si para dar à luz uma estrela cintilante.









