Sem jogos profissionais, Estádio Municipal de Juiz de Fora vira alvo de debate sobre uso e manutenção do gramado

Local segue sem previsão de receber jogos profissionais; Prefeitura admite alterações visuais no gramado, mas argumenta que Estádio está apto para partidas oficiais


Por Davi Sampaio

24/05/2026 às 06h12

As imagens do gramado do Estádio Municipal Radialista Mário Helênio após a partida entre Uberabinha e Nacional de Muriaé repercutiram nas redes sociais e reacenderam críticas sobre a utilização e conservação do principal palco esportivo de Juiz de Fora. Registros compartilhados por torcedores mostravam um campo com falhas e aspecto desgastado, semanas depois da realização de um evento cultural no local. O espaço segue sendo alvo de questionamentos pelo número de jogos e pelas limitações de uso por equipes da cidade.

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Imagens feitas pela Tribuna na última sexta (22) demonstram falhas aparentes e aspecto desgastado (Foto: Felipe Couri)

Perguntada pela Tribuna de Minas, a Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) reconhece alterações visuais no gramado, mas afirma que a situação faz parte de um processo técnico de recuperação. Em nota, o Poder Executivo informa que “o gramado apresenta pontos com aspecto queimado em razão de procedimentos técnicos realizados após o evento cultural do fim de março, como retirada de matéria orgânica, cortes mais baixos, adubação e irrigação”.

Segundo a Prefeitura, “essas ações fazem parte do plano de manutenção sazonal e os resultados visuais dependem do tempo de resposta da grama, da irrigação e das condições climáticas.
Após o evento cultural do fim de março, a equipe de manutenção seguiu o plano técnico já previsto, com limpeza especial do gramado, retirada de matéria orgânica e resíduos, cortes, adubação, controle de pragas, manejo de ervas daninhas e insetos, além da marcação do campo para a realização de jogos”.

Ainda de acordo com a PJF, “a empresa produtora do evento cultural forneceu previamente os insumos solicitados pela equipe de manutenção, incluindo produtos orgânicos, produtos químicos preventivos, areia e outros materiais necessários”. A administração municipal acrescenta, porém, que “o valor gasto não foi informado pela empresa”.

Mesmo com as críticas recentes, a Prefeitura de Juiz de Fora defende que o estádio segue apto para receber partidas oficiais. “O Estádio Municipal é vistoriado anualmente pela Federação Mineira de Futebol. Em 2026, assim como nos anos anteriores, o espaço foi aprovado para receber jogos oficiais. O estádio está com os laudos exigidos pela legislação vigente em dia, incluindo condições sanitárias, prevenção e combate a incêndio e pânico, segurança, engenharia estrutural e elétrica, AVCB, alvarás e declarações complementares”, frisa o comunicado da PJF.

Sem jogos profissionais em 2026

A discussão sobre o estado do gramado também ocorre em meio ao calendário reduzido de jogos profissionais no estádio. Segundo informação repassada pela Prefeitura, “em 2025, o Estádio Municipal recebeu 154 jogos de futebol, entre partidas profissionais, oficiais de categorias de base e amadoras. Também foram realizadas cinco corridas, um show artístico e um evento de Natal da PJF”.

Já em 2026, conforme resposta da administração municipal, “de 1º de fevereiro a 9 de maio, foram realizados 14 jogos, um evento cultural e uma corrida de rua. Em janeiro, o gramado passou por manutenção sazonal programada”. Desses 14 jogos, apenas quatro foram chancelados pela Federação Mineira de Futebol (FMF): todos de base. Neste fim de semana, mais três partidas do Uberabinha e dois do Sport Club foram programados, totalizando 19 jogos.

Até o momento, não há previsão de nenhum jogo profissional no Estádio para esse ano, já que Tupi e Tupynambás não participarão da Segunda Divisão do Campeonato Mineiro, e times da região, como Athletic e Tombense, estão utilizando outros locais.

Ainda assim, o Executivo defende, no mesmo comunicado, a continuidade da utilização esportiva do espaço.

“O Estádio Municipal mantém calendário esportivo relevante, atendendo competições das categorias sub-13, sub-14, sub-15, sub-17 e sub-20, além da Copa Prefeitura de Futebol, da Liga de Futebol de Juiz de Fora e de atividades como festivais do Projeto Bom de Bola”, elenca.

A programação dos próximos meses de 2026 prevê, de acordo com a PJF, “eventos esportivos como o Campeonato Mineiro Sub-13 e Sub-14, Campeonato Mineiro Sub-15 e Sub-17, Campeonato Mineiro Sub-20, Campeonato Mineiro da 2ª Divisão, finais da Copa Prefeitura/Bahamas de Futebol Amador e finais de categorias da Liga de Futebol de Juiz de Fora”. Também “há previsão de um evento cultural no dia 18 de novembro”.

A Prefeitura de Juiz de Fora ainda reafirma que “o Estádio Municipal mantém o conceito de espaço multiuso” e argumenta que “eventos culturais anteriores não causaram impacto negativo no gramado”.

Treinos limitados: “não é um centro de treinamento”

Outro ponto de debate envolve a utilização do estádio para treinamentos. Segundo a Prefeitura, “a liberação para treinamentos ocorre uma vez por semana para equipes profissionais que participam de competições oficiais”.

Presidente do Uberabinha, Sérgio Eduardo, também conhecido como Dudu, critica as restrições para treinamentos no local. O time disputa a primeira divisão do Campeonato Mineiro. Segundo ele, o clube foi informado de que não poderia mais utilizar o estádio para treinos após o amistoso contra o Atlético-MG.

“Se tivéssemos pelo menos um dia antes dos jogos para fazer um reconhecimento, um coletivo, e ver como está a grama, já era uma vantagem, porque a grama do estádio é diferente. Acaba que desgasta mais o jogador, tem mais câimbra. Temos tido problema justamente quando jogamos no estádio, porque nos três primeiros jogos que a gente jogou fora nós não tivemos problema nenhum em termos de câimbra, de jogador cansado”, aponta o dirigente desportivo.

Sem jogos profissionais, Estádio Municipal de Juiz de Fora vira alvo de debate sobre uso e manutenção do gramado
Prefeitura afirma que gramado do Mário Helênio segue apto para jogos, mas “não é um centro de treinamento” (Foto: Felipe Couri)

A partir do momento que a gente não treina no local do jogo, entramos de igual para igual contra qualquer adversário“, acrescenta Dudu.

Contactado pela reportagem, o diretor do Sport Club, Diego Almeida, preferiu não se pronunciar. O Verdão da Avenida também disputa a elite do Mineiro, nas categorias sub-15 e sub-17.

Sobre essa demanda, a administração municipal justifica que “a ampliação excepcional para uma equipe (de base) comprometeria a isonomia com os demais clubes de base da cidade, e criaria demanda incompatível com a estrutura do espaço, que não é um centro de treinamento”.

A nota também destaca que “o Município apoia as equipes locais com a cessão gratuita do estádio para jogos oficiais e com programas como o ‘Bolsa Atleta’”. Além disso, informa que “durante a semana, o gramado também passa por manutenção, como poda, aplicação de insumos e pintura das linhas”.